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Centro Interpretativo do Estado Novo dedicado a Branquinho e Tomás da Fonseca

Edição de 4 de outubro de 2019
05-10-2019
 

A Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo vai integrar mais um espaço que vai ser criado em Mortágua. A Câmara Municipal está a preparar o projeto para apresentar à Associação de Desenvolvimento Local ADICES. O centro vai ficar localizado na vila, num edifício que está a ser negociado pela autarquia.

Com este passam a ser seis os centros interpretativos que agregados entre si contam com a consultoria científica, tecnológica e deontológica do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra.

Em Mortágua, o centro interpretativo quer, segundo o presidente da autarquia, Júlio Norte, “perpétuar a história de duas grandes figuras do concelho”, como são os casos de Branquinho da Fonseca e Tomás da Fonseca.

Engenheiro civil de profissão, Tomás da Fonseca foi agricultor, escritor, historiógrafo, jornalista, professor, político e militante republicano. Pertenceu ao Movimento de Unidade Democrática, à Maçonaria e ao Partido Comunista Português. Por causa do seu ateísmo e das suas intervenção políticas, foi perseguido pela PIDE e preso por diversas vezes. Alguns dos seus textos foram censurados.

A perseguição movida pela ditadura a Tomás da Fonseca afastou-o das atividades docentes que desenvolvia no Conselho Superior de Instrução Pública, da direção da Escola Normal de Lisboa e de Coimbra e da Universidade Livre de Coimbra, que ajudou a fundar.

Desde jovem destacou-se na propaganda republicana e foi uma das figuras mais relevantes da campanha antes da Implantação da República, em 1910. Nos primeiros tempos da República, colaborou em reformas no campo do ensino, desde o básico ao universitário. Foi chefe de gabinete do primeiro Presidente do Ministério Republicano, Teófilo Braga, e em 1916 foi eleito senador pelo distrito de Viseu.

Já o filho de Tomás da Fonseca, António Branquinho da Fonseca, também nascido em Mortágua, a 4 de maio de 1905, foi um escritor português. Os seus primeiros textos eram assinados com o pseudónimo António Madeira.

Experimentou vários modos e géneros literários, desde o poema lírico ao romance, passando pela novela, o texto dramático e o poema em prosa, mas, como o próprio dizia, a sua expressão natural era o conto. Como artista, interessou-se também pela fotografia, o desenho, o cinema e o design gráfico. Foi conservador do Registo Civil em Marvão e Nazaré e do Museu Biblioteca Conde de Castro Guimarães, em Cascais. Por proposta sua, foi criado em 1958, o Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian que dirigiu até ao ano da sua morte, em 1974.





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