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Ex-dirigente de futebol acusado de auxílio à imigração ilegal começa a ser julgado

Edição de 29 de março de 2019
31-03-2019
 

O julgamento do ex-dirigente do Canas de Senhorim acusado de 14 crimes de auxílio à imigração ilegal e tráfico de pessoas começa na próxima terça-feira (2 de abril) no Tribunal de Viseu. Paulo Guilherme e também o Grupo Desportivo vão sentar-se no banco dos réus por casos que envolveram jogadores estrangeiros que foram aliciados para jogar em Portugal. O Ministério Público afirma que houve exploração laboral.

Segundo a acusação, a que o Jornal do Centro teve acesso, o presidente “providenciou pela angariação de vários cidadãos bem sabendo que todos os referidos indivíduos estavam em situação ilegal”, tendo aproveitado da fragilidade para lhes prometer coisas que “bem sabia que não iria cumprir”.

“O arguido, em representação e no interesse do Canas de Senhorim, com vista a ter jogadores no clube de futebol para jogarem a troco de baixas quantias monetárias decidiu “contratar” jogadores estrangeiros por saber que os mesmos, por serem oriundos de famílias carenciadas nos respetivos países de nacionalidade e com o sonho de singrar no mundo do futebol profissional europeu, aceitam jogar em clubes de futebol de divisões regionais, sempre na esperança de que algum empresário de futebol possa reconhecer o talento que consideram ter e os lance em divisões superiores”, aponta o Ministério Público.

A acusação indica que os jogadores estavam numa espécie de dependência do presidente do Canas. Por exemplo, era Paulo Guilherme que realizava as compras e escolhia os alimentos que eles deviam comer, alimentos esse que “eram sempre os mesmos”. “Os alimentos eram entregues à quinta ou à sexta-feira, dia que coincidia com os treinos para o jogo de domingo. Eram manifestamente insuficientes e de fraca qualidade e pouco diversificados, sendo que a maior parte das vezes eram comprados após a chamada de atenção dos jogadores”.

O presidente do Canas de Senhorim está suspenso do exercício da função de presidente ou de outras atividades dentro do Grupo Desportivo. Foi treinador no Canas entre as épocas 2013 e 2016 e presidente do Clube sede então até 19 de julho de 2018.

A investigação desencadeada à volta do Grupo Desportivo de Canas de Senhorim foi feita após uma denuncia anónima, via e-mail, que foi endereçada aos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras. Os agentes, em 2017, “visitaram” o espaço e, na altura, levantaram autos para os jogadores que estavam em situação ilegal abandonarem o país no prazo de 20 dias. As investigações continuaram e culminaram em abril de 2018, tal como noticiado pelo Jornal do Centro. Na altura, o SEF avançou com buscas domiciliárias, a viaturas e ainda à sede do grupo desportivo.

Numa nota enviada às redações, o SEF adiantou também que que foi fiscalizado ainda um apartamento por suspeita da prática dos crimes de auxílio à imigração ilegal. Foram identificados 13 cidadãos, 12 dos quais estrangeiros, sendo que cinco destes não possuíam a respetiva situação documental regularizada em território. Foi então que o responsável máximo pelo clube foi constituído arguido.

Quando prestou declarações, em julho de 2018, alegou que as testemunhas ouvidas estariam “instrumentalizadas pelos inspetores do SEF”, tentando atirar responsabilidades dos contratos e contratações para terceiros.





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