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Nelas: Esgotos a céu aberto contaminam solos agrícolas

Edição de 22 de fevereiro de 2019
23-02-2019
 

Habitantes e empresários da Lapa do Lobo, no concelho de Nelas, queixam-se dos esgotos que correm a céu aberto para a Ribeira do Vale da Laje, que desagua no Rio Mondego.

Um dos populares, o agricultor José Coelho, diz que os terrenos estão contaminados e os rebanhos de ovelhas estão doentes por causa dos esgotos.

“Este esterco está a céu aberto e corre para o lameiro. Os animais ficam com as patas sujas e ficam doentes com a erva que está envenenada”, afirma. José Coelho fala num problema que já se arrasta há mais de dez anos.

“Primeiro, era cimento, porque aquilo enchia, deitava por cima e corria. Agora, andaram a afundar aquilo, meteram algumas coisas e não fizeram mais nada. [Os responsáveis da Câmara] vieram para tapar os olhos”, explica.

Fernando Carreira, membro da Assembleia de Freguesia e do Movimento dos Utentes da Lapa do Lobo, fala numa situação insustentável. “No verão do ano passado enterraram-se uns estanques. Temos mais dois que não sei para que serve e ninguém explica nada. Tenho tido reuniões com a Junta sobre este problema e só se diz que a Câmara e a Junta não têm dinheiro. Dizem que é para ser feito, mas não se sabe quando”, explica.

A incerteza quanto ao arranque da intervenção levou Fernando Carreira a pedir a visita do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), que verificou o que se estava a passar na Ribeira do Vale da Laje.

Uma situação que, segundo o membro da Assembleia de Freguesia, deve ser resolvido entre o Governo, a Câmara e a Junta de Freguesia.

O caso já tinha sido denunciado pelo PEV em 2016 e em 2018. A dirigente partidária Isabel Souto recorda que o Governo garantiu há três anos que tudo estava a ser preparado para a construção de uma nova estação de tratamento de águas residuais (ETAR) que fosse capaz de resolver o problema. Mas acrescenta que tudo ficou na mesma quando os ecologistas voltaram a interpelar a tutela.

“Voltámos a fazer uma nova pergunta ao Governo, somos informados de que foi enviada uma delegação para ver o que se passava e iniciado um processo de contraordenação à autarquia. Até agora, desde 2018, reparámos que foi usado este local para promessas com fins eleitoralistas. Mas a verdade é que, passadas as eleições, as populações continuam com os problemas e o ambiente continua a sofrer com a negligência das autoridades e da autarquia, que deveria estar a solucionar”, remata.





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