A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Prejuízo superior a meio milhão de euros agrava finanças autárquicas de Nelas

Edição de 10 de maio de 2019
10-05-2019
 

As Contas de Gerência de 2018 da Câmara Municipal de Nelas fecharam com um saldo negativo superior a meio milhão de euros (532 mil euros) o que levou a oposição a fazer duras críticas aos resultados apresentados pela maioria socialista. Tratou-se de um momento “explosivo” que culminou com os vereadores do CDS-PP, Manuel Marques e Júlio Fernandes, a abandonarem a reunião do executivo, sem votarem as contas. O PSD votou contra.

Ainda assim, o relatório acabou por ser aprovado na Assembleia Municipal, com 17 votos a favor do PS, cinco contra (três do CDS-PP e dois do PSD) e duas abstenções do Movimento Cívico Coração do Dão, tendo faltado quatro deputados.

Apesar do saldo negativo, o presidente da Câmara de Nelas, Borges da Silva, desvalorizou e preferiu afirmar que num ano em que o município renegociou a sua dívida do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL) e da Reestruturação Financeira a que se encontrava amarrada desde 2013, a “gestão lidou com um total de custos e proveitos de 11 milhões de euros, porque as contas refletem as prioridades estabelecidas e alia a manutenção de IMI mínimo, com um grande esforço de investimento e qualidade da prestação do serviço municipal em todas as áreas”.

Segundo o autarca, durante “o ano de 2018 foi possível contratar investimentos de 10 milhões euros, sendo que cinco milhões foram já comprometidos nesse exercício”.

Borges da Silva assegura que a Câmara de Nelas “não se desvia do apoio ao seu crescimento empresarial, à criação de emprego e à requalificação de diversas escolas, ruas e praças concretizando a bom ritmo os mais de 20 milhões de euros de investimento projetados para o atual mandato”.

“Com a integração de 49 precários no quadro e o descongelamento das carreiras, os custos com pessoal e as despesas correntes refletem esse aumento, sendo do lado das despesas de investimento de realçar obras realizadas e em curso de três milhões de euros, obras essas em grande medida resultantes da reafirmação de receitas correntes e de acesso a fundos comunitários”, frisou o autarca de Nelas.

PSD “desmonta” argumentos

Joaquim Amaral, vereador do PSD, contraria os argumentos apresentados pelo presidente da Câmara de Nelas e garante que o ano de 2018 do Município de Nelas “é, sem dúvida, um ano pleno de incumprimentos, má gestão, falta de planeamento e orientação estratégica, desbaratar do erário público, acumulação de exercícios negativos e aumento da dívida para valores muito preocupantes”.

O vereador acrescenta que “a despesa corrente é assustadora, muito fruto do desbaratar das contas públicas com excessivas nomeações políticas. O presidente tem mais adjuntos (três) do que vereadores eleitos a tempo inteiro (dois). No total são seus profissionais políticos muito bem remunerados a sobrecarregar as contas públicas em cerca de 300 mil euros, por ano”, exemplifica.

A estes factos, Joaquim Amaral junta ainda o fundo de maneio mensal do presidente da Câmara de 2.500 euros e acrescenta “um milhão de euros nas despesas com Serviços, que não param de crescer, onde habitam incontáveis avenças, a esmagadora maioria um total desperdício de erário público, ou pela duplicação de serviços já existentes na autarquia e nos seus colaboradores ou pela sua desnecessidade”.

Joaquim Amaral acha que as contas “não deixam dúvida alguma da gravidade da situação financeira e contabilística da autarquia. Em dois anos o executivo camarário teve um prejuízo acumulado de mais de 2,1 milhões de euros. Aos 1,6 milhões de 2017, junta-se agora um prejuízo superior a meio milhão de euros (532 mil euros)”, sublinha.

O vereador do PSD revela que “a dívida de curto prazo aumentou mais de 1 milhão de euros em relação ao exercício anterior e fixa-se nos 2,8 milhões de euros”. Também a dívida a fornecedores e credores “tem vindo a aumentar exponencialmente, ano após ano. A dívida a médio e longo prazo aumentou 1,12 milhões de euros em relação a 2017, atingindo o valor de 10,6 milhões de euros”, explica.

Segundo Joaquim Amaral, a dívida total registada no final de 2018 é na ordem dos 13,5 milhões de euros. “Se juntarmos os cerca de 2,3 milhões de euros dos novos empréstimos aprovados agora nesta reunião de Câmara, a dívida total projeta-se para o valor histórico de 16 milhões de euros”, conclui o vereador do PSD.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT