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Água continua a sair com cor e cheiro das torneiras em Oliveira de Frades

Edição de 6 de setembro de 2019
06-09-2019
 

Parecem não ter fim à vista os problemas com a água da rede pública em Oliveira de Frades. As queixas são antigas e parecem não ter sido ultrapassadas pelos vários investimentos efetuados pelo anterior executivo municipal liderado por Luís Vasconcelos (PSD).

“A água está mesmo má”, contou ao Jornal do Centro uma habitante do concelho, que se queixa de a roupa que lava ficar ainda mais suja. “A água continua muito má. Tem dias que tem um cheiro horrível e muita cor”, afirmou outro munícipe. Nas redes sociais há até quem publique imagens e pergunte se o líquido que se vê na fotografia é água ou chá de camomila ou cidreira, dada a cor amarelada com que a água se apresenta.

O tema foi também discutido na última reunião de Câmara (28 de agosto), com o vereador do PSD José Pedro Almeida a pedir explicações à maioria Nós Cidadãos! “Depois do investimento numa nova Estação de Tratamento de Água (ETA) e de estarem dois anos à frente do município, tem-se verificado que a água continua a chegar às casas com uma cor castanha”, afirmou.

A resposta foi dada pelo vice-presidente da autarquia, Carlos Pereira, que sustentou que este é um “assunto delicado e sensível”, garantindo que “têm sido tomadas medidas” para minorar a situação.

“Há vários problemas identificados, desde logo o ponto de partida da água (recolha), no rio Alfusqueiro”, onde acrescentou são feitas “descargas esquisitas” e que levaram entretanto do Governo a investigar. “Há também um conjunto de passos errados que foram dados ao longo dos últimos tempos, vários erros cumulativos que penalizam, como é óbvio, toda a água”, defendeu.

ETA nova com problemas

Segundo o autarca, nesta altura o município encontra-se a fazer um levantamento de toda a situação, ainda assim já foi possível perceber que um dos problemas está relacionado com a Barragem das Cainhas, onde é captada a água. Nesta infraestrutura existe uma comporta que colapsou há anos e que não foi arranjada, o que impede “a limpeza dos fundos” da barragem. Para além disso, a nova ETA, inaugurada em 2017, “nunca teve manutenção em termos formais”. Este equipamento apresenta uma outra limitação. Foram instalados doseadores que já não se encontram à venda no mercado. “Ficaram descontinuados e não há capacidade de manutenção, nem substituição. Tem que ser substituído tudo senão perdemos esta capacidade”, explicou Carlos Pereira.

Nos depósitos também se sentem dificuldades. Há várias válvulas que estão calcificadas há anos e que têm que ser mudadas. Para além disso, estas estruturas têm igualmente que ser limpas. “Do nosso lado, está identificado o problema, vão-se tomar as medidas e intervir no mais curto espaço de tempo. Como é um valor substancial vai entrar no orçamento de 2020, mas é uma medida que é urgente. Isto está de uma forma acelerada pelo menos nos últimos dois anos em degradação”, sustentou o vice-presidente do município.

Custos elevados

Carlos Pereira espera que depois de todas estas correções, a água da companhia comece a sair das torneiras com melhor qualidade, caso contrário o problema pode ser ainda maior e os gastos irão crescer também. Se a situação não melhorar, a água pode estar a sair com cor e cheiro por causa da rede de tubagens estar obsoleta. “Aí é muito grave porque não sei como é que se irá dar a volta a isto. Furando aqui tudo? Ou pondo câmaras pelas tubagens todas com custos elevadíssimos a fazer a deteção”, alertou.

"Parâmetros estão bem"

Apesar das queixas e dos problemas verificados, o autarca garantiu que a água que sai das torneiras é avaliada pelo município e pelos serviços de saúde, apresentando parâmetros normais. Para contornar desconformidades, estão a ser feitas três “filtragens na ETA” diariamente, algo que é considerado “anormal”.

“Como é que ela fica em 12 horas com cor meia amarelada e depois desaparece? Como é que ela durante dois dias fica acastanhada e depois desaparece? Agora em termos de medição do município, quer a entidade de saúde os parâmetros estão bem. Que há aqui coisas estranhas há e que queremos resolver”, assegurou





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