A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Assembleia Municipal chumba iluminação LED em Oliveira de Frades

Edição de 3 de maio de 2019
04-05-2019
 

Mais um “apagão” nas relações entre o executivo municipal de Oliveira de Frades, de maioria Nós Cidadãos, e a Assembleia, liderada pelo PSD. Os deputados municipais chumbaram um projeto de eficiência energética que a Câmara queria estabelecer com a EDP e que iria iluminar todo o concelho com lâmpadas LED. Atualmente, apenas 20 por cento do território possui luminárias com este sistema, que para além de possibilitar uma maior eficiência energética ajuda a poupar nos gastos e o próprio meio ambiente.

O município queria cobrir todas as freguesias com LEDs. Para isso, propôs estabelecer um acordo com a EDP, mas esse “negócio” foi travado pela oposição, que não concorda que a “gestão da iluminação, aquisição, instalação e conservação das luminárias” LED passe na íntegra para as mãos da autarquia, sem que a empresa assuma grandes responsabilidades.

“Chegámos à conclusão de que a situação implicará o pagamento [por parte da Câmara] de cerca de 2,5 milhões de euros em 144 meses à nova locatária. Se atendermos que a EDP até 2021, 2022, por força da diretiva comunitária terá que substituir cerca de 30 por cento das luminárias, o concelho ficará com 50 por cento de beneficiação energética LED, sem custos e a beneficiar de imediato da redução da fatura”, defendeu a deputada do PSD Teresa Fernandes.

A social-democrata apelou ainda “ao poder negocial” do executivo para chegar a um acordo com a energética para cobrir o restante território. “Não será difícil à EDP investir 25 por cento e à Câmara os restantes 25 por cento, até porque já beneficia de valores consideráveis na redução de gastos”, disse Teresa Fernandes, manifestando reservas quanto ao investimento proposta pela maioria que, argumentou, pode lesar o erário público.

“Se calhar é preferível manter Oliveira de Frades iluminado com tochas”

A medida mereceu também reparos do deputado do PS João Lages, que criticou o facto de o projeto de eficiência energético não prever qualquer custo ou encargo para a EDP, estando “tudo por conta do município”. “A tecnologia LED representa uma redução do consumo energético, mas se vai haver este investimento [de 2,5 milhões] calma lá. Se calhar é preferível manter Oliveira de Frades iluminado com tochas do que com tecnologias LED”, argumentou, pedindo ao mesmo tempo ao executivo para negociar melhor o acordo em causa com a empresa de energia.

Poupança

O vice-presidente do município começou por dizer que os deputados estavam a fazer “muitas más leituras” do projeto, “algumas se calhar por desconhecimento profundo”. Carlos Pereira salientou que este processo foi iniciado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) em 2017 que estabeleceu o tipo e os limites do protocolo que a autarquia queria estabelecer com a EDP. “É o mesmo tipo de acordo que todos os municípios têm que fazer quando aderem a este novo plano de promoção de energia e portanto não surgiu [apenas] para Oliveira de Frades”, adiantou.

O autarca explicou depois à Assembleia que “quando se muda para a tecnologia LED está-se a reduzir para um quarto o consumo” energético. De um gasto anual de cerca de 300 mil euros, a autarquia passaria a desembolsar apenas 90 mil com as novas luminárias. “Se passamos a pagar 90 mil de eletricidade à EDP, quer dizer que estamos a dar à EDP menos lucro e a poupar a diferença e a esta diferença chama-se investimento”, declarou, realçando que o dinheiro que vai ser poupado será “convertido em financiamento para requalificação de uma rede [que se encontra] obsoleta” e na instalação de um novo equipamento que “vai dar garantias em 20 anos” e que se traduzirá num benefício para o “município e cidadãos”.

“A responsabilidade que tomarmos vai ser paga num futuro próximo”

Carlos Pereira referiu ainda que este acordo não teria que ir a deliberação da Assembleia, ainda assim o executivo decidiu fazê-lo por uma questão de transparência.

Com as dúvidas levantadas pela oposição, o vice-presidente já antevia que a medida fosse chumbada e por essa razão deixou um aviso: “A responsabilidade que tomarmos aqui vai ser paga num futuro próximo, isso eu vos garanto”, afirmou, sublinhando que “o lado do município é o mais confortável”. “A partir de agora temos um argumento forte quando nos vêm bater à porta. Não [temos LEDS em todo o concelho] porque é entendimento da Assembleia que não devemos ter”, rematou.

Justificações que ainda assim não convenceram a bancada da oposição. O deputado socialista João Lages voltou a intervir para dizer que não acreditava que o município estava “a ser mais inteligente” neste dossiê que os chineses, que são uns dos donos da EDP. Na hora da votação, o projeto de eficiência energética acabou chumbado com 12 votos contra e 10 a favor.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT