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Clube de futebol entrega chaves à Câmara de Oliveira de Frades

Edição de 5 de julho de 2019
08-07-2019
 

O presidente da Comissão Administrativa do Grupo Desportivo de Oliveira de Frades (GDOF) entregou há uma semana simbolicamente as chaves da coletividade ao presidente da Câmara (Nós Cidadãos), fruto de uma crise diretiva, mas também de uma alegada redução dos apoios por parte da autarquia.

O momento aconteceu na última Assembleia Municipal, onde Jorge Soares, dirigente do clube, desempenha também as funções de deputado municipal, eleito pelo PSD.

Num discurso pausado, e que lhe valeu no final uma ovação, o presidente da presidente da Comissão Administrativa do GDOF, começou por elogiar o trabalho que a sua equipa fez nos últimos dois anos, vincando “o investimento” na área da formação que fez com que a equipa dos juniores do clube tivesse esta época subido aos nacionais de futebol.

Jorge Soares queixou-se ainda de não ter aparecido gente interessada em gerir os destinos da associação desportiva, apesar de terem sido marcadas quatro assembleias para esse efeito.

Mas os reparos não se ficaram por aqui. Lembrando os mais de 200 atletas, e o feito recente da subida aos nacionais, o dirigente lamentou o corte nos apoios no transporte, que até ao ano passado era assegurado pela autarquia. “A alteração dos transportes obrigou-nos a ter de recorrer a empresas particulares ou em alguns casos às nossas viaturas e está a dificultar a tarefa” [de encontrar uma nova direção]”, defendeu.

Jorge Soares salientou que a nova temporada “está à porta” e aproveitou para questionar o presidente do município sobre três dossiês. Quis saber se a questão do transporte se vai manter, assim como o subsídio financeiro e o apoio logístico prestado pela Câmara. O dirigente disse ainda que a coletividade, com 74 anos de atividade, “é demasiado importante para não tentar todas as formas para evitar a sua interrupção”. Daí ter entregado as chaves do clube ao autarca Paulo Ferreira.

“Como presidente cessante e face à minha ausência nos próximos dias, assim como do presidente da Assembleia-geral, que se prevê prolongada por motivos de saúde, resta-me uma única solução que é deixar ao senhor presidente simbolicamente as chaves do GDOF, na esperança que consiga dar resposta a todas estas questões que não conseguimos resolver até este momento”, declarou, ressalvando que com este ato não está a virar as “costas ao clube” mas “a tentar tudo para que se resolva este impasse”.

“Continuarei a dar todo o meu apoio a todos quanto dele necessitarem só não é nas funções até aqui desempenhadas”, conclui. 

Críticas rejeitadas

Na resposta, o presidente da Câmara, enalteceu o crescimento do GDOF e recordou que também ele já dirigiu o clube. Paulo Ferreira recebeu com “respeito”, mas também com “pena” as chaves da coletividade, lamentando que esta situação tivesse ocorrido por não terem aparecido novos dirigentes.

O autarca registou ainda com desagrado a referência aos transportes. Criticou Jorge Soares por nunca ter referido o aumento do subsídio à coletividade e afastou qualquer “braço de ferro” nesta matéria. “Nunca ouvi em tempo algum que houve uma negociação, não fechada, do reforço da verba atribuída de 60 mil euros. Teve um reforço de 20 mil euros para 2019”, disse.

Paulo Ferreira explicou ainda que a autarquia decidiu acabar com o transporte porque há outras associações no concelho, que não beneficiavam dessa ajuda e avançou que partir de agora todas as instituições passam a ser apoiados por esse serviço. “Tentámos ser equitativos com o maior número de associações do concelho”, referiu.

O presidente da Câmara garantiu ainda aos deputados estar disponível para “ajustar” os valores do apoio financeiro, mesmo em matéria de transportes, mas a única certeza que deu foi a continuidade no apoio logístico.





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