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Dólmen de Antelas "precisa de um penso rápido" para não perder pinturas

Edição de 19 de abril de 2019
20-04-2019
 

Está dado o pontapé de saída para uma intervenção que é esperada há muitos anos e que pretende pôr um ponto final nos problemas de humidade no Dólmen de Antelas, em Oliveira de Frades, que ameaçam as pinturas megalíticas existentes no monumento nacional que foi classificado em 1990. Uma equipa de cinco investigadores, entre os quais dois espanhóis, esteve esta semana no dólmen para fazer um estudo do património existente, tendo recolhido amostras, para serem analisadas em laboratório, dos materiais usados para construir o monumento e sobretudo nas pinturas.

“O dólmen está num estado de degradação avançado. Nesta primeira fase o que temos que fazer é o diagnóstico do estado de conservação das pinturas”, explica Filipe Soares, técnico superior na Câmara de Oliveira de Frades, salientando que “este estudo visa fundamentalmente termos um ponto de partida para a próxima etapa que será primeiramente estancarmos os dois grandes problemas do monumento que são: a infiltração de água e a condensação”.

O arqueólogo Pedro Sobral, que está envolvido na investigação, acrescenta que a anta “precisa de uma ação muito rápida, ou seja, já a curto prazo de uma intervenção, nem que seja um penso rápido” para salvaguardar as pinturas. “Para já elas vão-se aguentando porque foram muito bem-feitas, temos pigmentos muito fortes, vermelhos carregados, mas estamos a pensar daqui a 20, 100 anos. Se não forem agora tomadas precauções estamos a condicionar o monumento para as futuras gerações”, defende.

As obras de conservação do dólmen foram alvo de uma candidatura aos fundos comunitários. O projeto está orçado em 200 mil euros e prevê não só o estudo que está a ser feito, como os trabalhos de restauro, assim como a edição de material informativo.

Depois de a investigação iniciada agora estar concluída, os técnicos vão partir para o terreno. O que está previsto inicialmente é a substituição “das telas que impermeabilizam” a anta e que foram colocadas aquando da primeira intervenção em 1993. Estas encontram-se “muito degradadas” por força da erosão dos solos, mas também dos incêndios de outubro de 2017.

“O ideal é as obras irem para o terreno no verão, que é a altura mais seca e propícia para fazer este tipo de intervenção. Vamos ter que retirar toda a cobertura para substituir as telas”, explica Filipe Soares.

Candidatura à UNESCO

O Dólmen de Antelas é um património único. Possui, segundo o arqueólogo Pedro Sobral, “as pinturas mais conservadas do neolítico” conhecidas “no mundo inteiro” e que por essa razão “exigem um tratamento e um cuidado especial”. O investigador defende mesmo que o monumento devia ser classificado “como património da humanidade porque é uma catedral do neolítico, muito desconhecida da maior parte das pessoas”. “Não há outro monumento igual no mundo inteiro”, realça.

Na opinião de Pedro Sobral, a investigação agora em curso pode abrir caminho a essa candidatura à UNESCO, num processo que deverá contemplar toda a arte pintada em antas existente na região de Viseu (Vila Nova de Paiva, Tondela, etc.). “Há vários concelhos com estes objetos e cuja arte se está a perder, porque estão ao ar livre, porque não estão protegidos”, alerta.





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