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Fábrica de meias já dispensou quase 40 funcionárias

Edição de 8 de fevereiro de 2019
11-02-2019
 

A empresa Jacob Rohner, de Oliveira de Frades, avançou com um despedimento coletivo de 38, das mais de 50 trabalhadoras. A fábrica produz meias para marcas como a New Balance, que calça entre outras equipas o Futebol Clube do Porto.

As operárias souberam que iam ficar sem emprego no final de janeiro (dia 30) e já não foram trabalhar nos dias seguintes. O fecho apanhou de surpresa várias colaboradoras da unidade fabril, algumas já com mais de 20 anos de casa.

A administração da empresa alegou uma quebra nas encomendas para avançar com o despedimento, ainda assim, decidiu manter 20 trabalhadoras ao serviço. O Jornal do Centro contactou os gestores da Jacob Rohner, que recusaram prestar esclarecimentos sobre a situação, admitindo, todavia, que em causa estava uma quebra de encomendas e a crise no setor têxtil.

A unidade fabril ainda tentou chegar a um acordo com as operárias, mas não conseguiu porque “o que propunha era tão miserável que elas não aceitaram”, explica Carlos João, presidente do Sindicato dos Têxtis da Beira Alta.

Como as 38 mulheres recusaram o que lhes foi “oferecido”, a empresa avançou com um despedimento coletivo. No início da semana as funcionárias começaram a receber as cartas de despedimento em casa, acompanhadas com o documento que lhes dá acesso ao subsídio de desemprego. Segundo o sindicalista, as voltas do correio não trouxeram, no entanto, o ordenado de janeiro, os subsídios e as respetivas indeminizações.

Carlos João considera que o despedimento está cheio de irregularidades, não só por os direitos das pessoas que ficaram sem trabalho não estarem a ser cumpridos, como pelo facto de o despedimento não ter sido comunicado com 60 dias de antecedência.

“Com o nosso departamento jurídico vamos analisar o que temos que fazer: que é temos que ir a tribunal contestar este despedimento ou reclamar os valores que a empresa não está a pagar”, adianta.

Este despedimento das 38 funcionárias da Jacob Rohner segue-se ao anúncio do fecho da empresa Água do Caramulo, que no final do mês vai encerrar portas, atirando para o desemprego 26 colaboradores.

Apesar de mais este caso, o presidente da Câmara de Oliveira de Frades recusa falar numa “machadada” no emprego no concelho. Paulo Ferreira lembra que há novas empresas a abrir portas e que têm “alguma ambição de crescer na sua produtividade e que, logicamente, poderão integrar estas pessoas no contexto de trabalho”.

Ao Jornal do Centro, o autarca revela ainda que a dona da Água do Caramulo, o Grupo Super Bock, lhe manifestou interesse em vender a unidade fabril, não adiantando valores em concreto. Há pelo menos uma dezena de investidores interessados no negócio e que já estarão em contacto com a empresa cervejeira. “Há uma dinâmica que faz ter uma esperança que a fábrica não seja para fechar”, afirma Paulo Ferreira.

O Jornal do Centro solicitou esclarecimentos sobre a possível venda da firma ao Grupo Super Bock, mas até ao fecho de edição não recebemos qualquer resposta.





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