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Investidores querem manter no mercado a Água do Caramulo

Edição de 25 de janeiro de 2019
25-01-2019
 

Está aberta uma janela de esperança para a fábrica da Água do Caramulo, localizada em Varzielas, no concelho de Oliveira de Frades, que emprega 26 pessoas. Cerca de uma dezena de investidores já manifestou vontade em manter aberta a empresa que o atual proprietário, o Grupo Super Bock, quer encerrar no último dia do mês de fevereiro.

O interesse foi manifestado ao presidente da Câmara de Oliveira de Frades, Paulo Ferreira, que juntamente com os autarcas dos concelhos vizinhos de Tondela e de Vouzela, está empenhado em manter viva uma “marca” do território. “Para a Super Bock, a decisão de fecho é irreversível”, adiantou ao Jornal do Centro o edil oliveirense, que há precisamente uma semana reuniu com a administração da companhia.

Apesar de irredutível quanto ao encerramento, a empresa não fechará a porta a uma possível venda, revelou Paulo Ferreira. “Eles estão abertos a tudo, a todas as negociações, com estes possíveis investidores que têm aparecido… A vender a marca, a serem colaborantes na parte da distribuição”, indicou.

“Esperançado” com uma possível solução para aquela que é “umas das melhores águas do país, o autarca disse que “há muita gente interessada em perceber os contornos que o negócio tem neste momento”. São investidores de todo o país, alguns até com negócios lá fora. Todos querem saber mais sobre a possível venda. “Nós estamos com expectativas e muito ansiosos por saber que existe gente interessada”, afirmou o responsável, avisando todavia que não pode avançar mais detalhes porque “o segredo é a alma do negócio” e a divulgação de muita informação pode deitar por terra eventuais negócios. “Estou muito esperançado que apareçam investidores que peguem na fábrica”, afirmou, acrescentando que tanto ele como os colegas dos municípios vizinhos de Tondela e Vouzela estão “a investir muito para a unidade fabril se manter e salvaguardar” uma marca que é uma autêntica embaixadora do território.

Paulo Ferreira nem quer ouvir falar no encerramento definitivo. E se tudo falhar? O que é que vai acontecer às instalações e à captação de água? Segundo o edil, tudo pertence ao Grupo Super Bock que estará obrigado a proceder ao “lacre das próprias nascentes”.

“Nos próximos dez anos o consumo de água vai continuar a subir”

O Jornal do Centro conversou com um dos investidores interessados no centro de Produção da Água do Caramulo, que disse estar interessado em manter aberta a unidade porque depois de ela “fechar torna-se mais difícil de voltar a implantar a marca no mercado, além dos equipamentos se estragarem por falta de uso corrente”.

O empresário, que integra um grupo de investidores ligados a vários ramos de atividade, incluindo as águas minerais e de nascente, está disposto a comprar a mesmo arrendar as instalações e a captação. “O mercado das águas cresceu sete por cento em 2018 e ainda existe muita coisa a fazer nas águas nomeadamente a pouco e pouco a mudança do plástico por outra matéria amiga do ambiente e claro a exportação para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que, também em 2018 cresceu cinco por cento, ou seja, visiono que nos próximos dez anos o consumo de água vai continuar a subir”, salientou.

“Venda é uma oportunidade que não surgiu”

Contactada, a empresa assegurou que a decisão de fecho “está tomada”. “Relativamente ao cenário de venda, é uma oportunidade que não surgiu. A empresa nada mais tem a acrescentar nesta fase”, acrescentou.

A companhia justificou a descontinuação da atividade no Centro de Produção do Caramulo “em resultado da quebra significativa de volumes ao longo dos anos” e da “baixa procura pela marca nos mercados externos e interno”. Salientou ainda em comunicado “uma tendência de queda de volumes da marca ao longo desta década - na ordem dos 50 por cento -, encontrando-se a produção atual em cerca de um terço da capacidade total desta unidade”.

Mobilidade com pouco interesse

Para os 26 funcionários, o grupo abriu um programa de mobilidade, que abre a possibilidade de os interessados poderem ir trabalhar para outras unidades da empresa, que ficam localizadas a centenas de quilómetros. Ao que o Jornal do Centro apurou há poucos trabalhadores interessados, pelo que a maioria irá para o desemprego a 28 de fevereiro caso não apareçam investidores interessados em manter viva esta fábrica que ao longo de mais de três décadas “matou a sede” a muita gente.





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