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Oliveira de Frades: Fogo colocou a nu património com milhares de anos

Edição de 11 de maio de 2018
13-05-2018
 

Os incêndios de outubro, que semearam um rasto de destruição em Oliveira de Frades e que arrasaram grande parte da Zona Industrial local, “só tiveram uma vantagem” limparam grande parte da floresta que existia no território e permitiram resgatar monumentos arqueológicos que se encontraram “perdidos na bruma do mato”.

Segundo Filipe Soares, técnico superior de cultura na Câmara Municipal, nos últimos meses, e depois da passagem das chamas, foram redescobertos duas dezenas de achados, que já estavam referenciados pelos livros e por historiadores como Amorim Girão. Nas caminhadas que já fez pela área queimada, este profissional conseguiu ainda fazer três descobertas. A mais importante até agora é a de uma mamoa, com três mil anos, da Idade do Bronze, e que poderá “esconder” debaixo do solo um dólmen.

Carta arqueológica
O fogo foi de tal forma devastador e limpou tanto mato que hoje, mesmo à beira da estrada, bem perto da Zona Industrial, é possível vislumbrar diverso património que a maioria das pessoas desconhecia. Com o objetivo de preservar o que foi descoberto, o município oliveirense já manifestou vontade em criar uma carta arqueológica, um trabalho que deverá estar concluído nos próximos dois anos. “Depois de identificados todos estes monumentos precisamos de os sinalizar, sinalizar não só em termos de placas, mas de PDM para não sofrerem alguma situação de urbanismo, seja para fazer uma casa, uma fábrica ou um aviário”, explica Filipe Soares.

A autarquia descarta, pelo menos para já, a ideia de comprar os terrenos onde foram feitos os achados. Em cima da mesa está a ideia de assinar protocolos com universidades para realizar escavações e descobrir mais sobre o que estava escondido.

Riscos e ameaças
Os donos dos pinhais onde se encontra o património histórico estão nesta altura a ser sensibilizados para a importância daquilo que têm em mãos. A maior parte dos proprietários “ficou até muito espantado por terem um monumento, mas não levantam qualquer objeção para o proteger”, revela Filipe Soares, sublinhando que nesta altura a principal ameaça se prende com o trabalho desenvolvido pelos madeireiros que com as suas máquinas podem causar danos nos achados. “Para o comum dos mortais isto é só um monte de pedras”, defende.





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