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Oliveira de Frades: Largo da Feira de cara lavada e sem duas dezenas de árvores

Edição de 17 de maio de 2019
18-05-2019
 

A requalificação em curso do Largo da Feira em Oliveira de Frades está envolta em polémica tudo por causa das árvores que a Câmara Municipal mandou cortar para proceder ao arranjo da zona onde decorre o mercado quinzenal e que recebe outras iniciativas como as Festas do concelho.

A intervenção que está a ser feita no local está incluída num pacote de investimentos que o executivo municipal desenhou para todo o concelho e que levou à contratação de um empréstimo financeiro no valor de mais de 700 mil euros. Só esta empreitada em curso desde o início do mês, e que vai arrastar-se até julho, vai custar cerca de 150 mil euros.

A oposição e alguns munícipes contestam o projeto da maioria para o Largo da Feira, sobretudo o corte dos plátanos com vários anos. “Cada vez mais uma Vila de Betão”. “É uma vergonha, estragam tudo que é bonito da vila”. “Essa malta da Câmara está a precisar de uma formação em ecologia e/ou proteção ambiental. Na última década as atrocidades perante a fauna e flora do nosso concelho são dignas de processos jurídicos”. “Crime ecológico. Oliveira deve ser a única vila sem um único espaço verde”. “Sinto-me muito triste, não foi para isto que eu votei em vós”, escreveram alguns cidadãos nas redes sociais, manifestando-se desiludidos com a postura da maioria Nós Cidadãos que está à frente dos destinos do concelho.

O PSD também condena o abate das árvores, afirmando que as espécies não padeciam “de qualquer doença ou risco de cair” e serviam para enfrentar “as temperaturas altíssimas no verão, agravadas com o tipo de piso e as tendas dos feirantes com efeito de estufa”.

Do lado do PS, o deputado municipal João Carlos Lages considera “incrível” tudo o que se está a passar, lamentando que a comunidade não participe neste processo. [É uma] decisão sem a mínima sensibilidade e responsabilidade ecológica, quando hoje em dia qualquer nabo já sabe que uma reserva de espaços verdes em zonas urbanas é um tesouro em todos os sentidos e que se deve manter. Desiludido com a falta de visão. Dececionado com a decisão”, afirma.

“As árvores em causa têm dezenas de anos”

Na Internet circula ainda uma petição que pedia a suspensão do abate de árvores no Largo da Feira e que foi subscrita por mais de três centenas de pessoas. “As árvores em causa têm dezenas de anos sem qualquer problema fitossanitário (doença) que justifique o seu abate. A criação de uma ‘clareira’ para a realização de eventos (pontuais e de grande dimensão) deixarão o recinto inóspito durante grande parte do ano”, defendem os promotores do abaixo-assinado, manifestando-se ainda preocupados com “a aplicação de ‘pavê’ e a consequente impermeabilização geral do recinto, reduzindo a infiltração de água no solo”.

Novas espécies

O presidente da Câmara Municipal, Paulo Ferreira, ouvido pelo Jornal do Centro explica que as obras em curso na zona da feira pretendem dar uma “nova roupagem” a um espaço que está em “mau estado de conservação e tinha um mau alinhamento”. A intervenção pretende ampliar as valências existentes com vista à prática de “outro tipo de atividades no futuro”.

O autarca não se escusa em nenhum parecer técnico e ou científico para justificar o corte das duas dezenas de árvores. Diz que o abate teve que ser feito para que os trabalhos no largo podem ser feitos. Acrescenta que em compensação serão plantadas 15 árvores que estarão ao dispor das próximas gerações.

“O objetivo da intervenção foi para melhorar e potenciar” o espaço, sublinha Paulo Ferreira, adiantando que o projeto de intervenção foi desenhado dentro de portas. As obras deverão ser inauguradas nas Festas do Concelho, que decorrem tradicionalmente em julho.





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