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Junta de freguesia do concelho de Resende quer salvar Casa da Torre da Lagariça

Edição de 15 de março de 2019
16-03-2019
 

A Junta de Freguesia de S. Cipriano quer “salvar” a Casa da Torre da Lagariça, propriedade que está para venda e que foi imortalizada por Eça de Queiroz.

Aires Ferreira, presidente da Junta, já escreveu ao Presidente da República, Ministério da Cultura, Fundação Eça de Queiroz e Câmara de Resende para, juntos, encontarem uma solução. “Esta casa não deveria ser vendida, mas protegido o seu património e o seu interesse. Deveria ser preservada a sua importância”, apela o autarca, consciente de que a Junta de Freguesia “mais não pode que falar e apelar”.

Aires Ferreira recorda que a Câmara de Resende “quase que adquiriu” a Casa da Torre, objetivo que, entretanto, deixou de ser uma prioridade com o atual executivo.

A Casa da Torre da Lagariça é conhecida por, segundo alguns historiadores, ter servido de inspiração para uma das obras primas de Eça de Queiroz – “A Ilustre Casa de Ramires”. A propriedade, que pertence à família Cochofel, é um imóvel de Interesse Público desde 1977. Atualmente, está à venda por 990 mil euros.

“O imóvel é uma das marcas de S. Cipriano, mas o seu estado atual de conservação que não honra o monumento e o recente anúncio de venda fazem levantar muitas interrogações quanto ao futuro.”, explica Aires Ferreira.

“Queremos esgotar, enquanto é tempo, todas as possibilidades no sentido de preservar este imóvel único e de procurar tornar a Casa da Torre da Lagariça uma âncora do desenvolvimento local que honre Eça de Queiroz e o seu legado”, defende o autarca que quer que a freguesia de S. Cipriano, conhecida como a “Aldeia da Música” seja também a “A ldeia de Eça”. “E também uma aldeia cultural de Portugal onde a literatura, a música e tantas outras artes assumem um destaque especial”, refere.

Segundo Aires Ferreira, à família proprietária do imóvel também agrada a ideia de colocar este património à fruição do público.

Contactado pelo Jornal do Centro, no final do ano passado quando se doube que a casa estava para venda, um dos proprietários, Miguel Cochofel, confirmava que gostava de ver o espaço dos seus antepassados (tem mais de quatro séculos de história) com o “esplendor” que teve em outras épocas.

A casa, localizada na freguesia de S. Cipriano, juntamente com a quinta, está publicitada online numa imobiliária. Além das fotografias, o anúncio conta a história do imóvel, cuja torre começou a ser construída no século XII e que serviu de posto de vigia e prisão. Mais tarde, já no século XVI, foi construído o casario à volta. Os jardins e a mata também estão incluídos na venda.

A família tentou manter o património na sua posse mas, apesar das tentativas, nomeadamente com propostas apresentadas à autarquia de Resende, a única opção foi a venda. “Isto tem um grande potencial turístico. Tanto serve para uma unidade de alojamento, como para um museu ou uma fundação. O que eu gostava é que a sua herança histórica e arquitectónica fossem salvaguardadas”, pediu Miguel Cochofel.

O presidente da Câmara de Resende, Garcez Trindade, também concorda que a história da “Ilustre Casa” deve ser dignificada, mas terá de ser com a “ajuda de privados” porque a autarquia não tem dinheiro. “Mesmo até com recurso a alguma candidatura aos fundos comunitários não vejo como fosse possível”, disse.





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