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Abaixo-assinado para travar Centro Interpretativo do Estado Novo

Edição de 16 de agosto de 2019
17-08-2019
 

Antigos presos políticos querem impedir a criação do Centro Interpretativo do Estado Novo projetado para o Vimieiro, Santa Comba Dão, terra natal de António Oliveira Salazar. A posição que assumem surge num abaixo-assinado com mais de 200 subscritores.

No documento, os antigos presos políticos manifestam, em nome próprio e no “da memória de milhares de vítimas do regime fascista”, “que Salazar foi principal mentor e responsável pelo regime ditatorial ao longo de quase meio século”, demonstrando o seu repúdio pelo “anúncio da criação de um Museu Salazar”.

Os subscritores decidiram ainda apelar ao Governo para que, “em conformidade como relatório aprovado por unanimidade, em julho de 2008, pela Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia da República, e com normas da Constituição da República Portuguesa, intervenha para impedir a concretização desse projeto”.

A viseense Graça Marques Pinto, antiga presa política do regime salazarista, refere que “o que está em causa não é o recordar de um olhar histórico sobre o que foi a ditadura, mas tal como o projeto se apresenta, será mais uma glorificação de Salazar e vai dar lugar a discussões de saudosistas, quando sabemos que a Constituição Portuguesa é muito clara na defesa da Democracia e de não se permitir que em termos de legitimidade democrática se faça a apologia de regimes como foi o ditatorial”.

Também António Vilarigues, da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses de Viseu (URAP), condena a iniciativa de criar o que considera ser o “Museu Salazar” e lembra a petição que foi lançada em 2007 que recolheu mais de 16 mil assinaturas e foi aprovada por unanimidade na Comissão de Direitos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República com a seguinte conclusão: “Deve a Assembleia da República condenar politicamente qualquer propósito da criação de um Museu Salazar e apelar a todas as entidades, nomeadamente ao Governo e às autarquias locais para que recusem qualquer apoio direto, ou indireto a semelhante iniciativa”.

“Com isto estamos perante um ato de desrespeito da Constituição Portuguesa por parte do presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, que ao mesmo tempo vai desrespeitar a Assembleia da República que é a Casa da Democracia”.

O Centro Interpretativo vai surgir da requalificação da antiga Escola Salazar. O presidente da Câmara de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia, sustenta que “há uma enorme confusão de conceitos” sobre o que se pretende fazer o Centro Interpretativo do Estado Novo que, segundo o autarca, tem como objetivo ser um “laboratório científico, de estudos e consultas” utilizando suportes digitais e multimédia sobre um período da História de Portugal do Século XX que “merece ser conhecido e compreendido por todos, sem exceção”.

“Não se trata de forma alguma de um Museu de Salazar”, assegura o autarca socialista.

Mas para os subscritores do abaixo-assinado, há sinais preocupantes. “Enquanto em muitos países se assiste ao renascer de forças fascistas e fascizantes, o país precisa, não de instrumentos de propaganda do fascismo - que a Constituição da República expressamente proíbe -, mas de meios de pedagogia democrática que não deixem esquecer o cortejo de crimes do fascismo salazarista e preserve a memória das suas vítimas.

O documento é subscrito por pouco mais de 200 individualidades, entre os quais surgem vários nomes como por exemplo: Alfredo Caldeira, António Borges Coelho, António Espírito Santo, António Melo, António Redol, Camilo Mortágua, Carlos Brito, Diana Andringa, Domingos Abrantes, Domingos Lopes, Emília Brederode, Eugénia Varela Gomes, Fernando Chambel, Fernando Rosas, Francisco Bruto da Costa, Helena Cabeçadas, Helena Neves, Helena Pato, Isabel do Carmo, José Ernesto Cartaxo, José Lamego, José Leitão, José Mário Branco, José Pedro Soares, Luís Moita, Maria Luiza Sarsfield Cabral, Mário de Carvalho, Mário Lino, Modesto Navarro, Sérgio Ribeiro, Teresa Dias Coelho e Teresa Tito de Morais, entre outros.





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