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Administrador da Scoprolumba envolvido em fraude milionária no Brasil

Edição de 19 de abril de 2019
19-04-2019
 

Jorge Manuel Ferraz Festas, engenheiro civil e sócio da empresa insolvente Scoprolumba, com sede na Zona Industrial da Catraia, concelho de Santa Comba Dão, é um dos três empresários que está a contas com a polícia brasileira.

Os três são acusados pelo Estado brasileiro de estarem diretamente envolvidos num esquema fraudulento de obras públicas que não foram concluídas e outras que não respeitaram o caderno de encargos. Para além de Jorge Manuel Festas, também os empresários Marcos Alexandre Veiga Correira e António Fernando Couto de Sousa (ambos sócios e coproprietários da Socorpena, em Ribeira de Pena, distrito de Vila Real) estão indiciados por, entre janeiro de 2010 e outubro de 2016, se terem apropriado do dinheiro de várias obras públicas que ganharam em 72 empreitadas lançadas por concurso público, incorrendo num crime de peculato.

A Scoprolumba abriu falência em Portugal depois dos incêndios de outubro de 2017, altura em que parte do edifício onde tinha os escritórios ficou destruído pelas chamas. A empresa dedicava-se, essencialmente, às obras públicas (estradas, pontes, ferrovia), tendo, por exemplo, sido responsável pela requalificação do edifício do Seminário Maior, em Viseu, ou pela colocação das catenárias na linha da Beira Alta.

O Jornal do Centro apurou junto de uma fonte ligada ao processo, que o empresário de Santa Comba Dão encontra-se neste momento a dirigir uma obra em Benguela (Angola). Já o empresário e sócio da Socorpena, António Sousa, está em Portugal, tendo sido visto, na última semana, em Tondela, onde possui um estaleiro de obras junto à Zona industrial da Adiça, sabendo-se que a sua empresa está a concluir a pavimentação de uma estrada junto à Serra do Caramulo.

A Polícia Federal Brasileira já lançou um mandato de captura internacional, tendo recorrido à Interpol para capturar e deter dois dos empresários portugueses.

Já Marcos Correia, que chegou a estar detido em Fortaleza, saiu em liberdade depois de ter pago uma fiança (de 10 mil reais) e mantém-se a residir na capital do nordeste brasileiro.

Obras mal feitas e por fazer

Em causa, na justiça brasileira, estão 77 milhões de euros (338 milhões de reais) provenientes de fundos públicos do Estado brasileiro que envolve a empresa “Mix Serv” do empresário português, Marcos Correia, natural de Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, que também é proprietário de várias outras empresas de construção civil, entre as quais, a Socorpena e a Placitude que trabalhavam também com a Scoprolumba.

Os envolvidos nesta “mega fraude” recebiam o valor das empreitadas e as obras eram, em muitos casos, executadas com materiais de inferior qualidade. Noutros as obras nem sequer eram terminadas.

De acordo com as autoridades policiais brasileiras, a maior parte do dinheiro é proveniente de Caucaia (Fortaleza) cujo prefeito, Washington Góis, contou com o apoio político do empresário de Vila Real, durante a sua candidatura e que é considerado o cabecilha de uma teia de corrupção. Marcos Correia, conhecido naquela região como “português”, é apontado pela Polícia Federal brasileira como líder daquela organização criminosa, que atuaria nos bastidores, como representante da “Mix Serv” e sócio da Socorpena Construções, Lda.

Os três empresários portugueses são considerados pessoas influentes naquela região e muito bem relacionados com o poder político local, já que ofereciam “ luvas” a detentores de cargos públicos, com o objetivo de poderem ganhar os concursos das respetivas empreitadas.

A investigação começou em 2016, com a denúncia de irregularidades num concurso público de 12 milhões de euros para pavimentar várias ruas e avenidas de Caucaia, revelou o coordenador policial da operação “Afiusas”, Carlos Holanda.





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