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Auxiliar investigado por "brincadeiras impróprias" com criança

Edição de 28 de junho de 2019
29-06-2019
 

O Ministério Público de Viseu está a investigar uma queixa sobre um funcionário do Centro Escolar Centro de Santa Comba Dão que terá tido “brincadeiras impróprias” com crianças. O caso terá acontecido em dezembro do ano passado e tornado público só em maio deste ano. A queixa foi apresentada por Inês Matos, vereadora do PSD na autarquia que ficou a saber do sucedido através de funcionárias do Centro Escolar Centro. Em causa está um auxiliar que também é deputado na Assembleia Municipal pelo PS.

Tudo começou quando em finais de novembro, inícios de dezembro, uma criança, de dez anos, relatou a uma professora que tinha ficado incomodada com uma brincadeira do funcionário em questão que a terá pegado ao colo e rodopiado no ar. A menina contou que se sentiu mal e que não gostou da brincadeira nem da forma como ele lhe tocou. A professora que ouviu a queixa elaborou um relatório que enviou à direção do Agrupamento de Escolas, do qual faz parte o centro escolar.

Mas, durante seis meses, o caso foi abafado, uma vez que os pais das crianças apenas foram chamados a uma reunião só em inícios de maio deste ano. Tanto o pai da criança que fez a queixa como o de uma outra colega que viu estiveram na escola e foi quando ficaram a conhecer os factos. Foram informados pela diretora de que existia um relatório de uma professora, que também estava presente na mesma reunião, onde se diz que uma das crianças ficou incomodada com a brincadeira e que o auxiliar em questão já tinha sido afastado para não haver “alarme público” e “salvaguardar a criança e a comunidade escolar”, como contou ao Jornal do Centro um dos pais. Aos encarregados de educação foi-lhes ainda dito que as crianças iriam ser chamadas a Tribunal, mas que por detrás do que se falava estariam “razões de ordem política”. Dois a três dias depois, os pais e as crianças foram chamados ao Tribunal de Viseu, onde as menores prestaram declarações para memória futura.

Segundo os pais das meninas, inicialmente, compreenderam as explicações dadas pela diretora do agrupamento. Contaram que só depois, quando começaram a ouvir outras histórias relacionadas com o mesmo indivíduo, perceberam que afinal poderia haver algo mais. Mostrararam-se então indignados por não terem sido avisados mais cedo e enganados pelas justificações dadas.

Sobre este funcionário, há quem conte que ele já tem um passado de condutas impróprias, inclusivamente com funcionárias que com ele trabalharam e que se queixaram de terem sido mal tratadas verbalmente, além de terem sido alvo de abordagens inadequadas e com linguagem imprópria. O mesmo auxiliar tinha já sido afastado das piscinas municipais por causa de queixas das frequentadoras das aulas de hidroginástica. As alunas não gostavam da “forma como ele as olhava” e por “invadirem o espaço reservado às aulas”.

No percurso enquanto funcionário da Câmara Municipal esteve nas piscinas de onde saiu para o gimnodesportivo e depois para o Centro Escolar Centro. Agora está nas oficinas municipais.

O presidente da Câmara, Leonel Gouveia, disse que decidiu afastar o funcionário dada a “complexidade das informações” que recebeu internamente. O autarca referiu ainda desconhecer que o caso esteja a ser tratado pela Justiça.

A diretora do Agrupamento confirmou a existência do relatório e que passou a informação à Câmara Municipal. Não quis prestar declarações sobre o assunto porque “o caso está em segredo de justiça”.

Também a autora da queixa não prestou declarações sobre “processos que estão em segredo de justiça”.

Já o funcionário em questão, contactado pelo Jornal do Centro, negou as acusações, disse que está de “consciência tranquila” e que sempre brincou com crianças no recreio. Na sua opinião, o que está a acontecer, apesar de ainda não ter sido notificado de nada pelo Tribunal, é uma “perseguição” que lhe estão a fazer com “motivações políticas”.





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