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Centro Interpretativo do Estado Novo agrada ao Presidente da República

Edição de 2 de agosto de 2019
02-08-2019
 

O presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão falou do projeto da criação do Centro Interpretativo do Estado Novo ao Presidente da República, “ideia que foi muito bem aceite por Marcelo Rebelo de Sousa”, segundo Leonel Gouveia. Também Ana Abrunhosa, presidente da CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro – se mostrou agradada com a ideia, disponibilizando-se mesmo a “abraçar a candidatura que está a ser preparada pela Câmara Municipal a fundos comunitários”.

O autarca de Santa Comba Dão deu a conhecer o projeto ao Presidente da República durante a apresentação da “Casa da República e da Casa Museu António José de Almeida”, em Penacova, a 17 de julho, e que no futuro também irá integrar o projeto mais alargado do “Roteiro das Figuras Históricas do Estado Novo”.

Leonel Gouveia, sobre todo o projeto, sustentou que “não pretende, de forma alguma, contribuir para a diabolização, nem a sacramentalização da figura de Salazar, mas sim dar a conhecer um determinado período da História de Portugal, ao longo de quase 50 anos, que teve como figura máxima o antigo Presidente do Conselho do Estado Novo”.

O que se pretende “é apenas e só, fazer o levantamento científico e histórico de um regime político, enquanto acontecimento factual, sem nenhuma conotação de endeusamento, ou diabolização da figura de Oliveira Salazar”, sublinhou.

Leonel Gouveia revelou, entretanto, que a primeira fase do Centro Interpretativo do Estado Novo (CIEN), que será instalado na antiga Escola Cantina Salazar, no Vimieiro (terra natal do antigo ditador), vai avançar de imediato. “O concurso público já foi lançado, a escolha do empreiteiro está concluída e a obra já foi consignada por pouco mais de 150 mil euros”, anunciou. Estas obras e parte da segunda fase são para estarem prontas no final de 2019 ou durante o primeiro trimestre de 2020.

A primeira fase vai servir apenas como forma de projeção e lançamento do projeto global de criação do Centro Interpretativo do Estado Novo que se pretende consolidar ao longo de um período de 10 anos, pela envolvência dos restantes imóveis daquilo que é o património do antigo Chefe do Estado Novo.

Com isto, o autarca de Santa Comba Dão adiantou que também já se está a trabalhar na segunda fase que consiste na requalificação da parte restante do edifício e da sua musealização que está a ser trabalhado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra em que se encontram envolvidos três professores catedráticos da Universidade de Coimbra, como são os casos de António Rochette, Paulo Avelange Nunes e Reis Torgal.

Receio das homenagens

Este projeto da Câmara de Santa Comba Dão está longe de ser consensual, temendo-se que o Centro se transforme num lugar de “culto” para entidades e pessoas com conotações fascistas.

O presidente da autarquia desvalorizou qualquer polémica, mas reconheceu que visitar este local “é algo que não se pode negar a ninguém, assim, como não podemos impedir, que junto da campa de Salazar se façam eventos de qualquer natureza”, exemplificou.

“Agora esse tipo de eventos, ou manifestações, não vão ser permitidos fazerem-se nem no Centro Interpretativo do Estado Novo, nem no conjunto de imóveis que o Município adquiriu aos sobrinhos-netos e que pretende requalificar”, avisou, voltando a sublinhar que o Centro Interpretativo do Estado Novo “será apenas um lugar de estudo, de história, de cultura política e de debate de ideias de acordo com a orientação científica da autoria da equipa de catedráticos de máxima credibilidade que está a trabalhar neste projeto”.

O historiador Fernando Rosas foi uma das figuras convidadas pelo presidente da Câmara Municipal para integrar a equipa que está a definir os conteúdos histórico-científicos do Centro Interpretativo, mas recusou e ao Jornal do Centro voltou a reafirmar que não irá colaborar no projeto.

Para Fernando Rosas, “a ideia é má, porque a experiência que existe deste tipo de lugares é a de se transformarem num centro de nostalgia e de passadismo daqueles que têm saudades da ditadura e do Estado Novo e da própria figura do Salazar”.

Fernando Rosas garantiu que “é quase inevitável que isso aconteça, porque a questão aqui não é nem a figura do Salazar, nem mesmo o Estado Novo, mas o que isso convoca necessariamente para a peregrinação dos nostálgicos da ditadura, aos locais onde o ditador nasceu. Acaba sempre por ser uma homenagem e eu acho que isso é mau e é mau para Santa Comba Dão, é mau para os santacombadenses e não é bom para a compreensão da História deste período”.





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