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Mais de metade dos alunos do segundo ciclo em S.P. Sul com mochilas demasiado pesadas

Edição de 22 de março de 2019
23-03-2019
 

Sessenta e seis por cento dos alunos que frequentam o segundo ciclo no concelho de S. Pedro do Sul carrega mochilas com um peso excessivo, ou seja, transporta nas costas mais de 10 por cento do seu peso corporal em material e livros escolares. Esta é uma das muitas conclusões do projeto “Mochilas Perfeitas, Costas Direitas”, que o Serviço Local de Saúde Pública do Centro de Saúde de S. Pedro do Sul está a desenvolver de forma piloto, em parceria com os dois Agrupamentos de Escolas do concelho e outras entidades.

O projeto envolve ao todo 202 estudantes. Todas as crianças que frequentam o 5º e 6º anos de escolaridade foram alvo de um diagnóstico e responderam a inquéritos. “Os resultados demonstraram que 30 por cento dos alunos apresentava dores de costas no mês anterior ao questionário. 39 por cento considerava que habitualmente transportava a mochila pesada. 37 por cento [dos estudantes] referiu que a sua mochila não costumava andar ajustada à cintura”, revela ao Jornal do Centro, Mário Rui Salvador, médico de Saúde Pública no Centro de Saúde de S. Pedro do Sul.

Para o clínico, “o dado mais alarmante” refere-se ao peso excessivo das pastas. “Do total de alunos, 66 por cento transportava mochilas com peso excessivo, ou seja, superior a 10 por cento do seu peso corporal”, explica, salientando que este resultado “apesar de ser preocupante encontra-se em linha com outros estudos publicados” noutras regiões do país.

Ciclo de transição

O “Mochilas Perfeitas, Costas Direitas” arrancou neste ano letivo com o objetivo de combater o excesso de peso das mochilas e corrigir as posturas incorretas das crianças nas atividades escolares e do quotidiano, algo que nunca foi feito a nível local. “O projeto tem como objetivo principal aumentar a literacia em saúde da comunidade escolar no que diz respeito às consequências do peso excessivo das mochilas na saúde dos alunos e às melhores formas de o combater”.

O Centro de Saúde e as escolas escolheram o segundo ciclo, por este ser um ciclo de “transição”, em que as crianças passam “a ter um maior número de professores, de aulas e várias salas. Para além disso, o 5º e 6 anos não estavam envolvidos em mais nenhum projeto de saúde escolar.

Recomendações

No arranque do primeiro período de aulas, o “Mochilas Perfeitas, Costas Direitas” foi feita uma avaliação a toda a comunidade estudantil. Neste segundo tempo escolar, passou-se à sensibilização de crianças e pais, mas também de professores e auxiliares de educação, através da distribuição de material informativo e da realização de ações de informação.

O tipo de mochila escolhida é um dos primeiros alertas dados aos mais novos e aos encarregados de educação. Mário Rui Salvador avisa que a pasta “tem que ser apropriada em tamanho e em material” ao aluno e que tem que “ter um cinto que permita ajustar à cintura”. “Depois, devem haver cuidados em preparar a mochila, garantindo que tenha apenas o material necessário para o dia de aulas. Devem privilegiar o uso de dossiê que permite arquivar folhas num dossiê maior. O material deve ser acondicionado de forma correta, portanto com os materiais mais pesados junto às costas e os mais leves mais afastados de modo a distribuir o peso”, explica.

Exercício físico e postura

O médico acrescenta que para além de escolher e preparar uma mochila de forma correta, é preciso transportá-la de forma correta. “Uma mochila deve ser transportada nos dois ombros, com as alças ajustadas às costas acima da cintura”, refere.

É preciso ter também atenção à postura das crianças nos comportamentos do dia a dia, realçando que estas, entre outros comportamentos, quando estão na salas de aulas “têm que ter os cotovelos assentes na mesa, os pés no chão e as costas encostadas à cadeira”.

“É fundamental promover posturas corretas”, defende, acrescentando ser preciso apostar ainda na promoção da atividade física. “É importante que nos tempos livres e nas escolas sejam implementadas essas práticas, para que desde sempre sejam crianças com hábitos saudáveis”, justifica.

Nova avaliação

Este tipo de mensagem já foi passada aos encarregados de educação e aos alunos. Nas próximas semanas, o Centro de Saúde vai voltar às escolas para fazer um novo diagnóstico das crianças, no sentido de saber se o projeto deu resultados.

Se os dados forem positivos, como a equipa afeta ao projeto acredita, o “Mochilas Perfeitas, Costas Direitas” poderá depois ser replicado nos restantes concelhos que integram o Agrupamento de Centros de Saúde Dão Lafões. “Acho que seria útil sobretudo para a comunidade escolar e para os alunos”, conclui Mário Rui Salvador.





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