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S. Pedro do Sul: trabalhos de limpeza de mato entregues a empresa de deputado municipal

Edição de 15 de março de 2019
16-03-2019
 

Está a causar polémica a contratação de uma empresa, que tem como sócio o líder da bancada parlamentar do PS na Assembleia Municipal de S. Pedro do Sul por parte da Câmara, que é de maioria PS. A empresa Alvamater - Gestão Florestal, do socialista Ferreira Gomes, foi contratada por ajuste direto para limpar as faixas de gestão de combustível junto às estradas municipais, numa operação que incendiou as redes sociais e que também já chegou ao debate político.

Daniel Martins, vereador do PSD na autarquia, considera “estranho” todo este caso, começando por mostrar estranheza com o facto de o executivo ter “convidado para um ajuste direto uma empresa que é gerida por um deputado municipal do PS”. “A estranheza é ainda maior quando as outras duas empresas convidadas não apresentam sequer uma proposta. A terceira coisa que nos faz também ficar estupefactos é que a proposta apresentada pela única empresa que vai jogo é apenas cinco euros abaixo do preço máximo possível (12.500 euros)”, refere o também líder da concelhia social-democrata de S. Pedro do Sul. 

No entender de Daniel Martins, “estas três coisas bizarras e estranhas não deveriam acontecer por uma questão de transparência e de bom nome” de todos os intervenientes. O vereador da oposição não tem dúvidas que se está perante um benefício partidário, numa situação que, defende, não é única no concelho. “É evidente que ninguém acredita que isto seja coincidência, mas há outros contratos bizarros como um contrato que foi agora assinado com o senhor responsável pela proteção civil no município, em representação também de uma empresa”, adianta, salientando que no passado este tipo de situações “nunca aconteceram”.

Suspensão por motivos pessoais

O deputado municipal Ferreira Gomes suspendeu entretanto o mandato na Assembleia Municipal. Ao Jornal do Centro confirmou o pedido de suspensão, que foi apresentado por razões de ordem pessoal, mas nada mais quis acrescentar. Já Daniel Martins diz que o socialista só cessou funções porque esta situação foi tornada pública.

Executivo recusa críticas

O presidente da Câmara Municipal rejeita qualquer suspeição e “favorecimentos” a pessoas ligadas ao PS, partido pelo qual foi eleito. Vítor Figueiredo conta que convidou três empresas para efetuarem trabalhos de limpeza e que só a do deputado municipal respondeu. “Estamos a falar num convite para limpar matas na ordem dos 12 mil euros, ou seja, estamos a falar de valores insignificantes, que não tem qualquer tipo de influência”, justifica.

O autarca acrescenta que o município está a sentir “dificuldades em arranjar empresas” para realizarem os trabalhos de silvicultura preventiva, dando como exemplo um concurso no valor de 100 mil euros que foi aberto e que não teve interessados. “Estamos abertos a entregar [esses trabalhos de limpeza da floresta] a empresas de um qualquer membro da Assembleia Municipal ou vereador do PSD. O que nos interessa é criar emprego na região e no concelho”, vinca.

Vítor Figueiredo devolve ainda as críticas sobre os favorecimentos políticos. Recorda que “num passado muito recente, quando era o PSD que estava no poder, a Câmara Municipal fez ajustes diretos a empresas de presidentes de Junta do PSD”. Diz que uma médica, que era irmã de um vereador era também diretora na Termalistur, empresa municipal que gere as termas do concelho, lamentando que nessa altura “ninguém tenha falado”, nem estes casos tenham “preocupado ninguém”.





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