A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Violência doméstica, álcool e negligência no topo dos processos da CPCJ de S. Pedro do Sul

Edição de 8 de março de 2019
09-03-2019
 

Os processos acompanhados pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de S. Pedro do Sul estão a aumentar. E mais preocupante que a subida dos casos tratados é a natureza dos mesmos. Quase metade estão relacionados com problemáticas associadas a violência doméstica e consumo de álcool.

Em 2018, deram entrada na CPCJ um total de 57 processos, mais seis que no ano anterior. Dos 57 casos acompanhados, 27 foram novos, 12 transitaram de 2017 e 18 foram reabertos. Dos processos instaurados, 25 corresponderam a situações de violência doméstica e consumo de álcool. Nove dizem respeito à problemática da negligência. Os dados revelam que as principais problemáticas sinalizadas se prendem com “a exposição a comportamentos que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento da criança”.

“Há um aumento dos casos de violência doméstica. Isto não é só a nível nacional, é mesmo a nível concelhio. Está-nos a preocupar bastante. E os consumos de álcool é a mesma coisa, até porque as duas questões estão muito associadas”, afirma a presidente da CPCJ, Teresa Sobrinho.

“Os pais estão-se a demitir da sua função”

Para além destas duas questões, a também vereadora na Câmara Municipal mostra-se apreensiva com os casos de negligência que também têm vindo a crescer. “Os pais estão-se a demitir da sua função”, alerta, explicando que esta é uma situação que “se nota muito nas escolas”. “Os miúdos ficam lá desde as 8h00 até à escola fechar e estamos a falar de pais que poderiam muitas das vezes ir buscá-los antes”, diz.

No entender de Teresa Sobrinho, há, por isso, nesta matéria, muito trabalho a fazer. “Tem que se pensar um bocadinho como vamos ultrapassar estas questões porque estamos a falar de crianças, e temos bastantes casos, que estão a sofrer com este tipo de comportamento por parte dos adultos”, refere, em jeito de lamento.

“Bicho papão”

Os alertas da presidente da CPCJ S. Pedro do Sul não se ficam por aqui. A responsável diz que as pessoas têm que olhar para a instituição com “outros olhos”, defendendo que a comissão não é “um bicho papão” que tira crianças às famílias. Considera que esta é uma imagem “do século passado” e que a CPCJ tenta sempre “ajudar os pais” e só retira os filhos do ambiente familiar “numa situação muito extrema”, “quando a criança está em risco de vida”.

“Há pessoas que ainda têm medo de sinalizar situações à CPCJ. Podem fazê-lo de uma forma confidencial, não têm que dizer o nome. Nós só temos que proteger as crianças e uma criança que está sujeita a determinados comportamentos, sejam verbais, psicológicos, sejam físicos merece que haja alguém que a proteja. Todos nós temos que contribuir para a proteção da criança”, argumenta.

Em 2018, dos 57 processos acompanhados pela CPCJ de S. Pedro do Sul, a maioria dos casos chegou ao conhecimento da entidade por intermédio das autoridades policiais. As escolas e os serviços da Segurança Social foram as outras organizações sinalizadoras.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT