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A flor de sabugueiro é o ex-líbris do Vale do Varosa

Edição de 14 de junho de 2019
15-06-2019
 

O negócio do sabugueiro passa pela comercialização da baga madura que é exportada para os países, sobretudo, da Europa central. Esta é considerada uma cultura fácil que ao terceiro ano já está a produzir e ao chegar ao quarto ano de crescimento se encontra em plena produção.

A Associação Inovterra, sediada em S. João de Tarouca, é uma entidade que tem um projeto para trabalhar o sabugueiro e é constituída, na sua maioria, por produtores da planta.

Por hectare é possível obter entre seis a oito toneladas de baga, valores que, segundo Bruno Cardoso, responsável pela associação, são muito bons. As bagas são usadas, essencialmente, como corantes alimentares nos países europeus e a flor para a indústria cosmética e farmacêutica. No entanto, as utilizações do sabugueiro são milenares na região do Vale do Varosa. Antigamente, os locais e produtores serviam-se da flor para fazer chás com função antigripal. E, “sendo que é um medicamento natural, tem prosperado ao longo da história”, afirma Bruno Cardoso. No entanto, as pessoas que consomem produtos de sabugueiro não sabem que advém desse mesmo fruto.

“Esta cultura tem particularidades interessantes das demais, sobretudo do ponto de vista ambiental. Temos uma planta limpa que dificilmente tem algum tratamento químico”, explica o produtor de sabugueiro.

A flor, como referido acima, é usada na cosmética e é fácil de compreender o porquê – o seu aroma. Dessa forma, a Associação Inovterra está a estudar a planta para criar produtos naturais sem grandes transformações a fim de que seja possível “integrar no dia-a-dia das pessoas como suplemento alimentar, com a particularidade de ser benéfico para a saúde”, diz Bruno Cardoso.

Mas que produtos surgem da flor do sabugueiro?

Quando se avistam os hectares de sabugueiro, dá a sensação de que se está a olhar para vinhas. Apesar de parecidas, tanto no aspeto da planta como da baga (escura como a uva), a apanha é muito mais prática.

A Inovterra tem um viveiro de estacas licenciado o que, à partida, facilita todo o processo. Além de colocá-las na terra, o trabalho essencial é regá-las e permitir que cresçam de forma saudável.

Após a colheita, o processo que se segue é a desidratação da baga. “Damos-lhe um choque térmico para retirar qualquer substância menos positiva para o organismo humano”, explica Bruno Cardoso. A partir destas são feitas compotas com maçã, laranja, marmelo, entre outros frutos, licores, rebuçados para a tosse, cerveja de sabugueiro (o bestseller), vinagre de mel com flor de sabugueiro e muitos outros produtos.

A Inovterra ajuda pequenas plantações de vários pontos do país, mas que, segundo o responsável pela associação, são importantes no ponto de vista da dinamização e divulgação do sabugueiro, como em Aveiro, Viana do Castelo ou Portalegre. Têm também alguns parceiros em Torres Vedras, Espanha ou até mesmo China.

“O sabugueiro tem muito interesse. Penso que nos próximos 10 anos toda a dinâmica comercial do sabugueiro vai mudar. Vai ter muito mais atratividade no próprio país do que fora. Neste momento as grandes empresas da Europa estão a comprar-nos esse produto, talvez um pouco ao desbarato, mas o negócio vai mudar e vai falar português”, afirma Bruno Cardoso que acredita que uma parceria com Espanha será indispensável para criar aquilo que pode ser “a grande euroregião da Europa – a do sabugueiro”. “O interesse coletivo é dinamizar a região. Esta planta vai unir culturas, aproximar pessoas, aproximar negócios e combater a interioridade”, remata.





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