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Sabugueiro exportado para o combate a incêndios

Edição de 1 de março de 2019
02-03-2019
 

A produção da baga do sabugueiro tem vindo a aumentar desde que a Inovterra – Associação para o Desenvolvimento Local, instalada em Vila Pouca de Salzedas, Tarouca, decidiu fazer plantações em zonas ardidas dos incêndios dos últimos dois anos na região de Viseu.

Bruno Cardoso, representante da Associação, diz que já foram contactados por três países – Espanha, Brasil e Estados Unidos da América (EUA) – para usar a planta do sabugueiro como corta fogo e impedir a propagação dos incêndios nas florestas. “Dois dos países são muito afetados (Espanha e EUA), e vemo-lo todos os anos nas televisões. A Galiza (Espanha) é muito parecida connosco (Portugal), em termos de território, e estarmos a aplicar isto cá levou-os a achar que do ponto de vista académico e operacional seria uma boa medida também implementarem e copiarem as nossas ações”, explica o agricultor.

No que toca à plantação e investimento da flor do sabugueiro, Bruno Cardoso acredita que isto vai dinamizar a região do Vale do Varosa. “O sabugueiro sempre foi olhado do ponto de vista da cultura – tanto da baga como da flor – e nós estamos a passar e a criar novas formas de dinamização na própria planta. O facto de darmos esta importância à cultura, vai levar a que os locais e os produtores se sintam motivados a apostar porque veem que o seu trabalho é valorizado pelo mundo inteiro”, refere. “Esta questão do combate aos incêndios, ou pelo menos na prevenção, vai tornar-se um fenómeno mundial e colocar o sabugueiro no topo da agenda florestal”, acrescenta.

Tarouca é o concelho onde mais se aposta no sabugueiro porque é onde está a unidade de transformação das bagas, a Regie Frutas. “Isso dá-lhe uma centralidade não só do ponto de vista comercial, mas também da própria produção porque é muito mais fácil transportar a baga a 500 metros da unidade de transformação do que tê-la a 50 quilómetros”, comenta Bruno Cardoso, referindo-se aos outros locais onde há produção – Armamar, Lamego, Moimenta da Beira e Tabuaço.

Nesta zona do norte do distrito de Viseu é produzido, anualmente, mais de um milhão de quilos de baga que depois é “quase cem por cento exportada para o centro da Europa”, aponta o porta voz, para países como a Alemanha e a Holanda. Bruno Cardoso crê que daqui a poucos anos o arbusto do sabugueiro pode valer “uns bons milhões de euros” por ser uma planta que tem utilidade em várias áreas como a cosmética, a farmacêutica ou a alimentação.

“Acho que quando um americano ou um chinês pensar em sabugueiro vai associar à região de Tarouca e do Vale do Varosa porque é ali que está a verdadeira essência do sabugueiro. E esta é a minha perspetiva de valorizar a região onde estamos inseridos”, conclui o agricultor.





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