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Homem nu homenageado 25 anos depois

Edição de 9 de agosto de 2019
10-08-2019
 

Foi a 14 de agosto de 1994 que a cerimónia de inauguração da estátua do Emigrante em Tondela ficou marcada por uma grande polémica. A escultura de um homem nu desenhado pelo professor Luz Correia e executada pelo também professor Joaquim Machado, ambos escultores e docentes da Escola Superior de Belas Artes do Porto, deixou muita gente indignada. Agora, 25 anos depois, o monumento tem direito a homenagem.

No âmbito da programação das Festas da Mata, decorre este domingo (11 de agosto) um tributo junto ao monumento. Um momento que servirá para “homenagear os emigrantes com o objetivo de reforçar os laços entre toda a comunidade de portugueses que decidiram viver e trabalhar no estrangeiro”, como explicou o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Tondela.

Miguel Torres, sobre a realização deste evento, frisou que “todos nós sentimos esse compromisso de querermos fazer justiça àqueles que, desinteressadamente, deram o seu contributo de forma tão generosa, para perpetuar a identidade e o valor dos nossos emigrantes de todos os tempos e latitudes”. Nesta cerimónia evocativa será dada a palavra aos protagonistas da época, nomeadamente ao emigrante dirigente de associações de tondelenses nos Estados Unidos e grande impulsionador da recolha de fundos, Manuel Viegas, e ao vereador da Cultura à época, Felisberto Figueiredo.

Na altura, Felisberto Figueiredo deu a cara pela defesa do polemizado monumento, explicando “a forte carga simbólica da estátua”.

Mas há 25 anos foram muitos os populares, e principalmente emigrantes, que criticaram a figura do “Homem Nu”.

A explicação da nudez dada na altura pelo escultor Joaquim Machado está também referenciada na memória descritiva do monumento onde diz que “o emigrante vai nu, despido de tudo quanto é material, de artificialismos e preconceitos, adoptando em contrapartida uma atitude segura e determinada, exibindo equilíbrio e uma pujança subjacentes ao tema, na linha tradicional mediterrânea da interpretação do Homem”.

O escultor acrescenta ainda na memória descritiva que “o próprio tratamento da figura do emigrante afasta-a inequivocamente dos aspectos materiais que um vulgar naturalismo realista muitas vezes assimila”.

Ainda assim, a explicação da nudez por parte dos autores do monumento não foi suficiente para os mais cépticos e críticos da estátua, o que levou o antigo secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes e, ainda, o antigo governador civil de Viseu, Soares Marques, a cancelarem a sua presença na cerimónia de inauguração a 14 de agosto de 1994.

Só o presidente da Câmara Municipal de Tondela, na altura Tenreiro da Cruz, marcou presença acompanhado por algumas entidades locais, acabando por presidir à inauguração do polémico monumento.

Há 25 anos na rotunda

O monumento tem por base um conjunto assente num pedestal de betão armado, constituído por uma estátua em bronze de um nu masculino, ladeado por três espirais helicoidais de vidro. Trata-se de um monumento imponente constituído por bronze, vidro, betão, aço inoxidável e granito.

No pavimento encontram-se ainda 26 paralelepípedos em granito que simbolizam cada freguesia do concelho. A estátua do emigrante, bem como as três espirais helicoidais de vidro, foi desenhada por Luz Correia, formado na Escola Superior de Belas Artes do Porto.

O projeto foi totalmente concebido por Luz Correia, em 1992, cuja iniciativa surgiu depois de um encontro entre o antigo presidente da Câmara de Tondela e a comunidade de tondelenses emigrados nos Estados Unidos da América, principalmente os radicados na cidade de Newark.

A estátua foi mais tarde construída e concluída a 14 de agosto de 1994, pelo escultor Joaquim Machado, também professor da Escola Superior de Belas Artes do Porto.

O monumento pode ser visto na rotunda onde se cruzam as ruas Pedro de Figueiredo e Amália Vale e Branca Colaço. A localização prende-se, também pela centralidade, pelo destaque e pelo pano de fundo que é a constituído pela Serra do Caramulo.





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