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Viseu e Lamego avançam com comissões para eventuais abusos sexuais

Edição de 10 de maio de 2019
12-05-2019
 

A decisão foi imposta pela Conferência Episcopal Portuguesa. Todas as dioceses do país, entre as quais Viseu e Lamego, vão criar instâncias para tratar eventuais casos dos abusos sexuais no seio da Igreja Católica.

O tema tem gerado discussão e polémica, sobretudo com as declarações de alguns elementos do clero, entre os quais o Bispo de Lamego, D. António Couto, que em declarações ao jornal Público, antes mesmo da reunião da Conferência Episcopal que obrigou à criação das comissões, disse que não valia a pena criar um grupo de trabalho para “tratar [de] um assunto que não existe”. “Não sou daqueles que criam comissões que depois não terão nada para fazer”, declarou ao jornal, acrescentando, todavia, que a diocese que lidera está “atenta, aberta e disponível” para acolher eventuais denúncias “com as medidas adequadas”.

O Jornal do Centro tentou ouvir D. António Couto sobre este assunto e acerca destas polémicas declarações, mas sem sucesso. O prelado esteve incontactável nos últimos dias.

Já o Bispo de Viseu, D. António Luciano, que prometia tomar uma posição esta semana, isto após a reunião da Conferência Episcopal, também não atendeu o telemóvel, apesar das várias tentativas. O Jornal do Centro sabe que o prelado se encontra já a ponderar os nomes das pessoas que integrarão a futura comissão.

Decisão “unânime”

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Clemente, garantiu que a criação destas instâncias para tratar dos casos dos abusos sexuais no clero foi “unânime”. “Os bispos comprometem-se a criar instâncias de prevenção e acompanhamento em ordem à proteção de menores nas suas dioceses e a atualizar as diretrizes aprovadas pela Conferência Episcopal em 2012, tendo em conta as orientações da Santa Sé”, salientou.

Aos jornalistas, Manuel Clemente disse que “foi fácil chegar a acordo” entre os Bispos “porque se tratou de formalizar coisas que, de uma maneira ou de outra, já existem”. “Existe esta atenção, este cuidado permanente que é indispensável quer para a prevenção quer para a resolução de algum caso, em colaboração estrita com as entidades estatais”, referiu.

Segundo o também cardeal-patriarca de Lisboa, “o facto de uma ou outra diocese ter avançado com um organismo chamado comissão para a proteção dos menores na Igreja não significa que nas outras dioceses já não estejam em curso iniciativas nesse sentido”.

D. Manuel Clemente adiantou ainda que existirá “sempre colaboração com os órgãos estatais e policiais civis” em cada zona do país, onde possam ocorrer casos suspeitos, “mas sobretudo onde têm de prevenir” e alertou que “há realidades que são do foro interno”. Deu como exemplo “aquilo que se passa em termos católicos no sacramento da confissão”.





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