A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

De Viseu para o mundo, na linha da frente

Edição de 17 de maio de 2019
17-05-2019
 

Com o objetivo de garantir a segurança no Aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão, uma nova Força Nacional foi destacada para o território, que desde 2001 está sob conflito, por causa da invasão liderada pelos Estados Unidos da América.
Uma vez mais o Regimento de Infantaria 14, em Viseu, envia militares.

O novo grupo de militares vai render a Força Nacional Destacada ali a operar desde o final de 2018. Os militares que constituem a nova força, que este mês de maio seguiu para o Afeganistão são provenientes de várias unidades, num total de 154 operacionais. No terreno vão estar nos próximos seis meses. O aprontamento da força coube ao RI nº 6 de Braga. Do Regimento de Infantaria 14, de Viseu, partiram para a cidade de Cabul 53 militares. Sessenta e seis são oriundos do Regimento de Cavalaria N.º 6 (Braga), 33 do Regimento de Infantaria N.º 13 (Vila Real) e dois militares de outras unidades. Desde 2001 tem sido regular a participação do RI14 nas diversas missões no âmbito da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

O olhar de quem já regressou da missão

Foi no dia 7 de maio de 2018 que o Capitão Bruno Couto, da Brigada de Intervenção do Regimento de Infantaria 14 de Viseu desde 2014, partiu para o Afeganistão integrando a Força Nacional Destacada composta por 146 militares do exército português numa missão da NATO. O objetivo era garantir a proteção do aeroporto internacional de Cabul.

O grupo estava dividido e m três pelotões, sendo constituído por militares dos Regimentos de Viseu, Vila Real e Braga. O Capitão Bruno Couto, de 34 anos e todo o grupo regressaram a Portugal em novembro de 2018. A receção oficial aconteceu na cidade de Viseu, no d ia 13 de dezembro, numa cerimónia pública que decorreu no Rossio. Ao Jornal do Centro falou sobre a experiência e realçou a disponibilidade de um militar quando ingressa nas Forças Armadas que vê nestas operações uma “janela aberta e uma oportunidade para sairmos”.

“A nossa vontade de ingressar nas fileiras é com o objetivo de cumprir as missões e ajudarmos a Pátria no que nos couber e pudermos”, explica o militar. Seis meses num território gerido pelo conf lito nem sempre é fácil viver o dia a dia, mas como refere o Capitão Bruno Couto, militar desde 2003, “há dias melhores e outros piores, mais trabalho ou menos, mas é um dia normal para um militar”.

O trabalho diário difere mediante a função que cada operacional desempenha, mas “sempre com o maior profissionalismo”. Longe da família durante meio ano as saudades aumentam a cada dia que passa. “No fundo temo-nos uns aos outros e nesses momentos mais frágeis apoiamo-nos. Agarramos a mochila do outro e cumprimos a nossa missão”, conta.

RI14 em missão constante

Em fevereiro de 2001, o Regimento de Infantaria 14 projetou o 2º Batalhão de Infantaria para Timor Leste para integrar a missão das Nações Unidades. O batalhão foi composto por 925 militares de várias unidades. Foi a maior força nacional destacada que Portugal empenhou após o 25 de abril de 1974, em missões no estrangeiro. O batalhão do RI14 foi responsável pela segurança e manutenção de paz durante as primeiras eleições livres em Timor. A missão terminou em outubro de 2001.

Em 2002, o Exército português solicitou ao Regimento de Infantaria 14 de Viseu o aprontamento da força para o teatro de operações na Bósnia Herzegovina, de 29 de julho de 2002 a 29 de janeiro de 2003.

Em 2005, Portugal decidiu enviar forças para o Kosovo, cumprindo um mandato das Nações Unidas, com o objetivo de assegurar um ambiente seguro para o regresso dos refugiados e deslocados. A missão nos Balcãs foi aprontada pelo RI14, através do 2º Batalhão de Infantaria, no período de 15 de janeiro e 11 de fevereiro. A unidade de Viseu voltou a aprontar nova missão no Kosovo entre Setembro de 2007 e março de 2008.

O Regimento de Infantaria 14 de Viseu tem sido presença assídua em diversas missões internacionais, com maior participação no conflito do Afeganistão. Em 2009, o RI14 foi a unidade concentradora do 4º Módulo de apoio tendo como responsabilidade o aprontamento da força. A missão no Afeganistão decorreu entre setembro de 2009 e abril de 2010.

No âmbito dos compromissos internacionais de Portugal na NATO, o Exército atribuiu o aprontamento da missão do Kosovo, em 2018 ao 2º Batalhão de Infantaria sediada no RI14. A missão decorreu entre Setembro de 2013 e abril de 2014.

No ano de 2017, o Regimento de Infantaria de Viseu foi também escolhido pelo Exército para preparar a missão que decorreu na Lituânia entre 29 de maio e 29 de setembro de 2017. O objetivo passou por reforçar o efetivo de forças terrestres da NATO presentes naquele país.

Foram realizadas ações de treino e exercícios combinados com as Forças Armadas da Lituânia e outros países aliados. O RI14 enviou 119 militares e 15 viaturas VBR Pandur. Em 2018, Portugal voltou a participar numa força no país afegão e, uma vez mais, o Regimento de Infantaria de Viseu liderou o aprontamento da Brigada de Inter venção composta por 148 militares de vários regimentos. Da unidade viseense participaram 57 operacionais.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT