A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Doentes queixam-se de não serem tratados no hospital de Viseu

28-07-2019
 

Os doentes transplantados e com esclerose múltipla dizem que não estão a ser atendidos no Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV), sendo obrigados a deslocarem-se a Coimbra para receber os tratamentos de que necessitam. Carlos Silva, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, acusa o hospital de não ter vontade, nem dinheiro para tratar os doentes transplantados. “Embora Viseu seja um distrito com um grande número de doentes transplantados estes têm que se deslocar a Coimbra para fazer as consultas (pós-transplante) porque o hospital não tem disponibilidade financeira para suportar os medicamentos que são necessários”, alerta, lamentando que o Conselho de Administração do CHTV não mostre “grande vontade em que o projeto avance”. “Há profissionais preparados para fazer essas consultas, mas não entendemos porque os doentes têm que se deslocar a Coimbra para fazer uma consulta que podia ser feita aqui em Viseu”, afirma. O dirigente da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais recorda que por causa desta situação os doentes transplantados têm que fazer 90 quilómetros para fazer os tratamentos na cidade dos estudantes e diz ainda não perceber porque é que não há dinheiro em Viseu para a medicação que estas pessoas precisam. “O próprio Ministério da Saúde diz que é possível. Os medicamentos já não têm o valor que tinham há uma meia dúzia de anos e já há vários fármacos mais baratos. É uma situação que temos dificuldades em compreender, mas vamos continuar a lutar para que isso seja possível”, sustenta.
As queixas não se ficam por aqui. A delegação de Viseu da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, pela voz de Francisco Dias, garante que também as pessoas que sofrem desta doença na região não estão a ter acesso aos médicos e aos tratamentos adequados, estando a ser desviados igualmente para Coimbra.

Hospital pode acompanhar doentes, mas só em ambulatório

Na resposta ao Jornal do Centro, a administração do CHTV explica que o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) é a unidade de referência para o acompanhamento dos doentes transplantados renais de Viseu, “conforme o procedimento estipulado pela Direção-geral de Saúde (DGS)”. “No CHTV temos nefrologistas com capacidade técnica para receber e acompanhar doentes pós-transplante e ministrar a terapêutica específica, mas depois de terem alta da unidade de transplantação”, acrescenta, salientando que o hospital manifestou já total abertura em seguir, ainda que em regime de ambulatório, estes doentes, mas desde que “solucionadas as questões clínicas e técnicas”. O hospital adianta ainda que o CHUC, enquanto unidade de referência, “desenvolveu um projeto de entrega de medicamentos nas farmácias mais próximas da residência que os utentes escolhem”, no qual o CHTV também está envolvido e que está em vias de ir para o terreno. “Este programa engloba a entrega de medicamentos na proximidade dos utentes, na farmácia da zona de residência, cedidos gratuitamente pela farmácia hospitalar a doentes em regime de ambulatório, de modo a evitar deslocações fora das consultas”, refere.

Novo mamógrafo depois de agosto

Ao Jornal do Centro, o Conselho de Administração do CHTV comentou ainda oatraso na aquisição de um novo mamógrafo para o Hospital de S. Teotónio, num processo iniciado há mais de um ano e que ainda não foi concluído, como noticiado há uma semana. A nova máquina pretende substituir uma com 22 anos e com a qual os médicos se recusaram a trabalhar por estar obsoleta. Para contornar o problema foi alugado um novo equipamento para que os doentes não deixassem de fazer as mamografias. A administração diz que o “concurso público se prolongou, dado ter sido objeto de contestação por uma das empresas concorrentes”. “Foi assinado o contrato de adjudicação a 26 de março deste ano, no valor [superior a] 500 mil euros e cujo processo recebeu deferimento do Tribunal de Contas em 24 de junho”, informa o hospital, salientando que após esta data decorreram algumas reuniões com vista à instalação do novo equipamento. Para tal acontecer é preciso realizar “algumas obras de ajustamento” do espaço onde ficará a máquina, “cujo início terá lugar durante o mês de agosto”.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT