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Escolas privadas sem contratos de associação. EBIS Jean Piaget à beira do fim

26-07-2019
 

No próximo ano letivo, 2019/2020, nenhum dos três colégios privados de Viseu vai receber qualquer tipo de apoio financeiro do Estado, ao abrigo dos contratos de associação, isto segundo um documento publicado pelo Ministério da Educação. E sem ajudas estatais a vida destas escolas vai ser ainda mais complicada. A Escola Básica (EBIS) Jean Piaget poderá ter os dias contados. “Sem contratos de associação é impossível continuarmos a funcionar. É muito provável que irá encerrar, precisamente por não ter financiamento público”, revela ao Jornal do Centro o diretor pedagógico do estabelecimento de ensino, Rui Cancela, sublinhando, todavia, que a decisão final terá que ser tomada pelo Conselho de Administração da Nuclisol, instituição à qual a escola pertence.

No ano letivo que agora terminou, a Escola Básica Jean Piaget ainda recebeu apoios estatais, mas apenas para as turmas em final de ciclo e que já estavam contratadas desde 2016. “Tivemos turmas com contratos de associação, mas não foi com turmas que tiveram de ir até ao final. Neste caso, as turmas do 6ª ano terminam porque os alunos acabam o ciclo e as do 9º ano também terminam, seguindo para o ensino secundário”, explica Rui Cancela.

O dirigente escolar lamenta este corte nos apoios à escola, lembrando que o estabelecimento de ensino é frequentado por alunos oriundos de famílias carenciadas. “Não temos nada a ver com os contratos de associação relacionados com os colégios ditos particulares, onde o público-alvo tem um perfil completamente diferente do nosso. E essa foi sempre a nossa luta”, remata.

“Agora é natural que só venha para cá quem tem dinheiro”

Quem também está sem contratos de associação é o Colégio da Via Sacra. Paulo Machado, da direção pedagógica do colégio, diz que já não precisa do Estado “para nada”. “Nós somos uma escola católica e, como tal, queríamos que toda a gente pudesse vir para cá. E os contratos de associação eram a possibilidade de os mais carenciados poderem frequentar uma escola privada”, explica, apontando que a partir do momento em que terminaram os apoios, o ensino também deixou de ser gratuito. “Agora é natural que só venha para cá quem tem dinheiro”, diz, atirando responsabilidades ao Ministério da Educação. “Nestes últimos quatro anos tiraram-nos tudo. De 16 turmas que tínhamos com contrato de associação, vamos ficar com zero”, conta indignado Paulo Machado.

O Jornal do Centro tentou também sem sucesso ouvir os responsáveis do Colégio da Imaculada Conceição.





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