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"Fantasma" da Casa da Calçada vai embora com inauguração do Museu Keil do Amaral

Edição de 4 de outubro de 2019
06-10-2019
 

A data para a inauguração já está definida, depois de adiada por diversas vezes. O Museu Keil do Amaral, que terá lugar no edifício reabilitado da Casa da Calçada, abre a 18 de maio de 2020. Segundo fonte do executivo a obra de reabilitação da Casa da Calçada já está concluída, encontrando-se neste momento em “fase de certificação de especialidades”.

A abertura deste espaço já esteve para ser feita por diversas vezes, mas a obra tem estado “assombrada”. O atual presidente da Câmara, Almeida Henriques, ironizou até que parece que a casa “tem um fantasma” que toca violino, como reza a lenda.

“Muitas vicissitudes ocorreram naquela obra, desde falências de duas empresas até problemas estruturais, até ao facto de estarmos agora para receber a empreitada nestes dias e, numa obra ao lado, ter havido a aplicação de um cimento que expandiu e provocou uma fissura numa das paredes”, esclareceu o autarca, depois de questionado, em reunião do executivo pelos vereadores do PS que lembraram que a Casa da Calçada é um projeto que “vinha ainda da governação de Fernando Ruas”, anterior presidente da autarquia.

Almeida Henriques justificou o atraso com os vários problemas que ocorreram durante as obras, mas garantiu que todo o conteúdo expositivo e a seleção das obras que irão constituir a exposição permanente já estão definidos “há meses”.

Segundo a autarquia, foi feita uma intervenção “discreta”, dotando o edifício das infraestruturas necessárias ao funcionamento do espaço museológico, criando um percurso expositivo contínuo e dinâmico. O acesso de pessoas com mobilidade reduzida também foi contemplado com a instalação de uma plataforma elevatória.

O conceito aplicado a esta intervenção é o de requalificar o edifício na sua totalidade, conservando a sua traça original. Assim, foram mantidas e restauradas a escadaria de granito de acesso ao piso superior e a entrada principal, com a sua porta brasonada. A reabilitação e instalação de um equipamento cultural na Casa da Calçada faz parte, segundo a autarquia, de uma “estratégia para devolver o movimento ao centro histórico”.

Outro objetivo adotado pelo Município de Viseu é a salvaguarda patrimonial e a valorização da dimensão patrimonial e cultural do centro histórico.

Uma casa, muitas histórias

A Casa da Calçada, edificada no século 18, é um imóvel classificado como de interesse público desde 1978. Situada na Calçada da Vigia, no centro histórico de Viseu, na sua fachada concentram-se elementos barrocos e também traços da arquitetura civil setecentista. É fruto de um surto construtivo que animou a cidade de Viseu e propiciou a construção de múltiplas casas senhoriais ao longo dos tempos. A casa senhorial, apesar do avançado estado de degradação que se encontrava antes das obras, integra ainda as armas da família Sampaio de Melo que mandou construir o imóvel.

A Casa da Calçada foi também residência dos descendentes da família Keil do Amaral. De salientar que o arquiteto Francisco Keil do Amaral era neto de Alfredo Keil, autor do hino nacional português. A Portuguesa foi composta em 1890 como canção de protesto ao ultimato inglês e tornou-se hino nacional em 1911.

Alfredo Keil destacou-se na área da poesia e da música, mas teve também uma forte presença na pintura portuguesa, retratando nos seus trabalhos a essência das paisagens em seu redor.

No futuro Museu Keil do Amaral será exposta parte da produção artística e da coleção particular da família Keil do Amaral com obras cedidas pelo filho de Keil, Luís Cinatti Keil.





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