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Fontelo mete medo

Edição de 17 de maio de 2019
17-05-2019
 

A Mata do Fontelo, em Viseu, está abandonada e com falta de segurança, dizem os frequentadores. O encerramento do parque infantil tirou também muito do movimento que esta “floresta urbana” tinha antes de ter sido atingida pela tempestade Leslie.

Desde outubro de 2018 que diversas zonas estão interditas por razões de segurança, uma vez que existe o perigo de queda de ramadas de árvores. José Baltazar é de Viseu e frequentava muitas vezes o parque do Fontelo com os netos, mas ultimamente é coisa rara, uma vez que certos espaços estão vedados.

Para o avô, que passeia com os seus dois netos, a mata é um “grande sítio de lazer e simbiose com a natureza e é pena estar assim, porque é a população de Viseu e, principalmente, as crianças que ficam a perder”.

O utilizador diz que se a tempestade provocou estragos há que os resolver. “É inconcebível estar assim a tanto tempo sem qualquer iniciativa de recuperar, os especialistas já deviam ter resolvido este problema”, pede.

Já para Zélia Carvalho, que explora o estabelecimento comercial do Fontelo, a situação é mais complicada. “As crianças chegam aqui e ficam aborrecidas, precisavam do parque”, desabafa.

Segundo a proprietária do café, este cenário está a prejudicar bastante o seu negócio e conta: “as pessoas vêm até aqui, querem ir para o parque infantil, vêem esta situação e vão-se embora, a Câmara apela tanto ao turismo e depois é isto que tem para oferecer”.

Queixa-se também que este ano o comboio turístico não passou por aquela zona como o fazia no Carnaval e na Páscoa, o que, na sua opinião, é “mau para os turistas e para toda gente”, admitindo que se o cenário continuar a ser o mesmo vai ser obrigada a fechar.

Luís Carvalho é filho dos donos do café e mostra-se preocupado com a situação. “Há perigos iminentes, ainda recentemente caiu uma ramada que por sorte não atingiu ninguém”.

Acredita que as pessoas começam a ficar com medo de ir ao Fontelo, porque, relata, “não há segurança”. “Antigamente havia patrulhamento policial e hoje não há, a polícia não entra aqui com o portão sempre fechado, só vêm para o futebol”, afirma. E continua, em forma de desabafo, “isto está esquecido, nós sentimo-nos abandonados”. Luís Carvalho considera inaceitável que depois de oito meses as pessoas continuem privadas do pulmão da cidade.

E vai mais longe. “A mata é para as crianças, é para as famílias desfrutarem da natureza. É essencial haver um parque infantil”, sustenta, rematando, num apelo às autoridades, para que “não fazendo tudo uma vez ao menos requalificarem o mais depressa possível o parque infantil que traz muita gente para aqui”.

Contactada, a Câmara de Viseu não prestou declarações.

Fontelo abandonado. Aquilino sobrelotado

O bom tempo convida a passeios ao ar livre e na “cidade jardim” os espaços ao ar livre são escolhas de eleição, principalmente, para quem passeia com crianças. Mas em Viseu um dos parques favoritos, no Parque Aquilino Ribeiro, começa a ficar lotado com tantas crianças e pais. Já há quem brinque e diga que qualquer dia é preciso tirar senhas para entrar no equipamento. Ao fim de semana torna-se ainda mais complicado.

Pilar Castilho é do México e está em Viseu há cerca de um ano. Conta que se não fosse para o parque infantil do Aquilino Ribeiro com a filha, optava por ir até ao Palácio do Gelo. “Não encontro alternativas ao ar livre no centro da cidade”, refere, frisando que o Fontelo já não tem nada específico para as crianças e o parque de Santiago “tem muito espaço mas não há sombra e a zona dos escorregas não é nada prática por causa da areia”.

A mexicana diz gostar muito do parque da cidade mas lamenta que, sobretudo, no verão, fique “muito cheio com muita gente em pé” e que não existam áreas específicas para, por exemplo, jogar a bola ou andar de bicicleta, uma vez que para crianças como a sua filha, que tem apenas dois anos, “acaba por ser perigoso”.

Marta Mendes, natural de Viseu, utiliza também o parque da cidade com o filho e queixa-se igualmente da lotação. “Se houvesse mais diversidade de atividades na cidade para os pais fazerem com os filhos não haveria esta quantidade enorme de crianças num só espaço”, refere. Explica ainda que são muitas as faixas etárias concentradas num só parque e que se houvesse separação seria mais seguro. “As crianças querem fazer de tudo um pouco, andar de patins, de bicicleta, jogar à bola, é uma confusão”, diz.

Para esta mãe, já se justificava um espaço de diversão maior para a cidade. “O número de habitantes está a aumentar e o município tem que acompanhar esse crescimento com ofertas de lazer de qualidade”, refere, lamentando também a atual situação do parque do Fontelo uma vez que tem “muito espaço, sombras, bons acessos e estacionamentos”.





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