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Hospital de Viseu está há um ano para comprar um novo mamógrafo

Edição de 19 de julho de 2019
19-07-2019
 

O Hospital de S. Teotónio, em Viseu, está para comprar um novo mamógrafo há um ano. Um aparelho, orçado em 470 mil euros, e que pretende substituir a máquina existente na unidade hospitalar e que se encontrava obsoleta.

O equipamento, com 22 anos, foi considerado pelos médicos “demasiado velho” e por essa razão em março do ano passado os clínicos recusaram fazer mais exames. Por causa disso, os cerca de 300 utentes que por mês precisam de fazer mamografias foram encaminhados para outros hospitais da região ou para unidades privadas para fazer um exame, que custa no mínimo 75 euros. O caso foi denunciado em abril de 2018 pelo presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

“Os [clínicos] recusam-se a fazer mamografias porque se trata de um equipamento que tem 22 anos, sendo que ao fim de 10 anos estes equipamentos perdem a sua validade para poder fazer exames. Os médicos até num ato de enorme responsabilidade para não sobrecarregar em termos de radiação os seus doentes deixaram de fazer mamografias”, explicou na altura Carlos Cortes.

Cerca de meio ano depois, em setembro de 2018, a administração do Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) garantia que a realização das mamografias tinha sido retomada. Para tal, o hospital dizia que tinha recorrido “a um equipamento novo, para uso temporário”, que ficaria “disponível” até se concluir “o concurso de aquisição [já em curso] de um novo mamógrafo”. O certo é que a nova máquina não chegou e a que foi alugada para fazer os exames mamográficos não permite realizar todos os diagnósticos.

O equipamento considerado obsoleto permitia fazer o exame de estereotaxia, mas o que foi alugado não. Por causa disso, os doentes que eram encaminhados para o Hospital de S. Teotónio pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, depois de realizarem os rastreios nas unidades móveis que circulam pela região, estão a ser enviados para outros hospitais para fazer este diagnóstico complementar e por lá acabam por ser operados. São pelo menos 50 os doentes por ano que deixaram de fazer cirurgias em Viseu, o que quer dizer que o Hospital deixou de operar 25 por cento dos doentes com cancro.

Os problemas com o mamógrafo do S. Teotónio voltaram à ribalta esta semana, depois de uma visita do bastonário da Ordem dos Médicos. Denunciando a existência de várias dificuldades nos serviços do CHTV, Miguel Guimarães deu como exemplo o aparelho para fazer mamografias, que “está obsoleto” e que está parado há mais de um ano. “[São] coisas simples, fáceis de adquirir, equipamentos essenciais para esta população e que continuam parados”, lamentou.

O Jornal do Centro solicitou esclarecimentos à administração do CHTV, mas até ao fecho de edição não recebeu qualquer resposta.





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