A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Mergulhadores dos Voluntários de Viseu são os que mais resgates fazem de todo o país

Edição de 17 de maio de 2019
18-05-2019
 

Não existia qualquer equipa de mergulho de salvamento no interior de Portugal quando, em 2001, foi formada a Equipa de Mergulhadores de Viseu no seio dos Bombeiros Voluntários. “Eram cada vez mais os banhistas que utilizavam o rio ou as barragens para nadar e, naquela altura, só existia a Marinha que atua a nível costeiro”, explica André Alexandre. O 2º comandante e chefe da Equipa de Mergulho de Viseu conta que o grupo começou por ter seis elementos e, atualmente, são 14, todos eles integrados nos Bombeiros Voluntários de Viseu. UNISA 18 é o nome deste grupo de mergulhadores, cuja sigla significa Unidade de Intervenção de Salvamento Aquático do Distrito de Viseu, e 18 é o número que corresponde ao distrito. No entanto, estes mergulhadores atuam também no distrito da Guarda e em qualquer outro local no país, se assim for necessário.

Quando questionado sobra a missão com mais impacto que a equipa já fez, André Alexandre rapidamente se lembra de uma em particular. A 12 de fevereiro de 2007, uma composição do Metro de Mirandela descarrilou e caiu ao rio Tua, provocando a morte de três pessoas e deixando duas feridas. Acidente esse que contou com o socorro feito pelos mergulhadores viseenses. Recorda também, há relativamente pouco tempo, duas pessoas que estavam a banhar-se ao final do dia na Barragem da Aguieira e, ao tentar passar um braço do curso de água, um deles não resistiu e teve de ser a equipa a resgatar o cadáver.

Mas o chefe da Equipa reforça que todas as operações são importantes, mencionando as cooperações com a Polícia Judiciária. “Já chegámos a encontrar provas para crimes que andavam a ser investigados há mais de meio ano”, salienta. “Eu estava lá e sentiu-se uma grande alegria, tanto da nossa parte, como da parte da PJ”, remata André Alexandre. Em 2013, representada pelo comandante José Luís Teixeira, a Equipa de Mergulho de Viseu marcou presença no exercício internacional, TWIST, em Salerno, na Itália.

A Equipa de Mergulho de Viseu não tem qualquer tipo de apoio por parte do Estado. Todo o material de que dispõe foi conseguido através de angariação de fundos ou donativos feitos à Associação Humanitária. Isto porque ainda não existe legislação no que diz respeito a equipas de mergulho oriundas de corporações de bombeiros. “Está atualmente a ser legislado através da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e com alguns elementos de equipas de mergulho já mais antigas”, adianta André Alexandre. Por esta razão, toda a formação necessária às mesmas é feita por instituições privadas.

O treino é a resposta para o sucesso

O 2º comandante explica que os mergulhadores treinam sempre em situações o mais agrestes possíveis, de forma a estarem preparados para qualquer situação real que possa surgir. Um exemplo disso é o treino feito na Lagoa Comprida, na Serra da Estrela. “Chega a ser necessário quebrar gelo para entrar, para testar equipamento, para testar a capacidade do mergulhador em condições gélidas”, explica o chefe da equipa. “Está comprovado que neste contexto, se for resgatada no espaço de uma hora, devido à baixa temperatura da água, a pessoa pode ainda sair com vida. Assim como os danos são mais reduzidos do que os deixados em águas mais quentes”, acrescenta.

Mas o local mais frequente de treino é a Barragem de Várzea de Calde, onde os treinos são feitos quinzenal e mensalmente e têm diversas componentes. Deste o treino de resgate e salvamento, até à procura de objetos, que poderá ser “um parafuso de 5 centímetros”. Para além disto, a Equipa de Mergulho treina também em ambiente controlado, que é o caso de piscinas e em ambiente marinho, perto da zona de Sesimbra. Todas as equipas são constituídas por dois elementos: um mergulhador mais experiente, chamado P2, e um mergulhador iniciante.

Mas para que tudo isto possa acontecer, existe uma coisa que nunca pode faltar: segurança. “Nós não mergulhamos, seja no contexto de formação/treino ou real, sem preparar uma panóplia de gentes que colaboram connosco, no caso de saber o que fazer em caso de emergência”, garante o 2º comandante. O corpo de bombeiros mais próximo, número de ambulâncias disponíveis, hospitais mais próximos e médicos de serviço e meios aéreos do INEM que estão disponíveis, são alguns dos itens que constam na lista de meios a confirmar antes de a Equipa de Mergulho iniciar qualquer tipo de treino ou missão de resgate.

A isto acrescenta-se a obrigatoriedade de avisar o CDOS (Comando Distrital de Operações de Socorro) do início e fim das atividades. Por exemplo, ser for necessária uma câmara bárica - equipamento que permite submeter o paciente a uma pressão ambiental superior à atmosférica respirando oxigénio puro - o hospital mais perto do distrito de Viseu que dispõe desse equipamento é o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e que também tem de ser avisado.

Jornadas Técnicas de Mergulho

A 7ª edição das Jornadas Técnicas de Mergulho, VII Nacionais e VI Internacionais, organizadas pelos Bombeiros Voluntários de Viseu, terá lugar este fim de semana, na Barragem da Várzea de Calde. Neste evento estarão presentes Mikko Paasi e Ivan Karadzic, mergulhadores que integraram a equipa de salvamento das 12 crianças e do treinador numa gruta da Tailândia, no ano passado. E por essa razão, é um dos temas de destaque desta edição, assim como, o mergulho com teto. O comandante da corporação frisa a importância da participação dos dois mergulhadores, na troca conhecimentos e técnicas para quem possam ser aplicados mais tarde, no caso de ser necessário.

Materiais usados nos resgates

  • Garrafa de ar comprimido
  • Fato de mergulho
  • Máscara
  • Touca
  • Regulador
  • Colete




  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT