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"Ninguém gosta de ter uma lixeira à porta de casa"

Edição de 8 de fevereiro de 2019
08-02-2019
 

Há cerca de sete anos abriu uma loja da cadeia Minipreço no Bairro de S. João da Carreira, em Viseu. Após um ano de abertura, os moradores do lote onde está instalado o supermercado começaram a ter problemas que andam há dois anos a denunciar.

Entre as queixas apresentadas à Junta de Freguesia de Viseu e à Câmara Municipal, destacam-se uma porta de correr que se supõe ilegal, vibrações anormais na estrutura do prédio, papéis, cartões e plásticos espalhados pela rua e a ocupação ilegal do passeio e estacionamento.

Carla Lourenço, uma das moradoras do prédio, vive no primeiro andar, por cima do local de cargas e descargas do Minipreço. Em declarações ao Jornal do Centro, afirma que os transtornos causados chegam ao ponto de os seus filhos, pequenos, acordarem cedo e dizer “mãe, já começou o barulho”.

Mas as queixas de Carla Lourenço começam pelo lixo. “A informação que tenho é que qualquer tipo de supermercado tem de ter uma zona fechada para ter este tipo de depósitos e não ao ar livre”, referindo-se à estrutura que se encontra perto da porta do prédio para colocar o lixo. “Em dias de chuva e vento, é plástico e papel a correr pela rua. Se a porta estiver aberta acaba por entrar lixo na garagem”, afirma.

Outra das questões é o estacionamento dos camiões de mercadorias. “Atravessam-se aqui e já me deram cabo da fachada nesta beira [da varanda] ao abrirem portas e o Minipreço não assume culpas”, conta a moradora.

Para João Pereira, também habitante do prédio, desde o início que houve problemas, mas “só nos apercebemos de certas coisas com o passar do tempo e chega a um ponto que não é normal”. De acordo com o morador, existe um atropelo contínuo às leis por parte do supermercado. “Isto está a fazer cada vez mais danos: múltiplas rachas nos apartamentos, que não havia e estão a aparecer. As que existem cada vez abrem mais porque a trepidação é enorme”, refere.

Há um ano, garante João Pereira, foi prometido aos moradores que a situação ia ser resolvida. “Passou um ano e nada feito”, remata. Para o queixoso, a solução para a maioria dos problemas era a inexistência da porta. “Sem porta não há elevador e sem elevador não há estrutura a abanar”, explica.

Já para Sérgio Figueiredo, outro morador do lote 3 da Travessa da Carreira, um dos principais problemas, além do lixo, são os camiões que descarregam a mercadoria e “ficam a estorvar a passagem” e “levantam a calçada quando passam aqui [no passeio]”.

“Está tudo em ordem”

O gerente do Minipreço, Casimiro Oliveira, acredita que as queixas “não têm razão de ser”. O lugar de descargas é o apropriado e o lixo está “acomodado, atado e prensado nos combis”. Aliás, considera que até estão a prestar um bom serviço visto que se colocassem o cartão no contentor, “além de não estarmos a fazer reciclagem íamos dar prejuízo à Câmara porque tinham que o recolher e dividir”. Segundo o dono do estabelecimento, há um camião que, de dois em dois dias, carrega o cartão e leva-o para reciclar e “está tudo em ordem”.

Em remate, Casimiro Oliveira afirma que nas reuniões de condomínio, do qual faz parte, nunca foi colocado o problema do lixo.

Contactado pelo Jornal do Centro, o presidente da Junta de Freguesia de Viseu, Diamantino Santos, não quis prestar declarações.





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