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Saída de vice-presidente da Câmara de Viseu foi mesmo "irrevogável"

Edição de 9 de agosto de 2019
09-08-2019
 

Asaída de Joaquim Seixas do executivo da Câmara de Viseu acendeu luzes vermelhas no PSD. O então vice-presidente da autarquia anunciou a decisão que, embora ainda tivesse sido negociada, acabou por ser “irrevogável”. Este era o segundo mandato que fazia ao lado de Almeida Henriques, mas menos de dois anos depois das eleições, o também presidente da Comissão Política Concelhia do PSD decidiu bater com a porta. As razões alegadas foram de “ordem pessoal”, mas são os próprios militantes sociais-democratas que falam num “certo mal-estar” que está criado “no Rossio” (local onde está a Câmara de Viseu).

Ao Jornal do Centro, houve mesmo quem assegurasse que o também vereador João Paulo Gouveia poderia estar de saída. Rumores que correram no dia em que ficou conhecida a decisão de Joaquim Seixas, mas que acabaram por não se concretizar. Tudo porque, conta fonte próxima, o presidente da Câmara optou por designar Conceição Azevedo como vice-presidente. João Paulo Gouveia terá ameaçado sair se Almeida Henriques tivesse escolhido Jorge Sobrado para vice-presidente.

A saída de Joaquim Seixas foi anunciada em comunicado pela Câmara de Viseu que informou que a demissão tinha efeitos desde 1 de agosto. “O presidente do município de Viseu agradece e louva publicamente a ação de Joaquim Seixas nas diferentes funções que desempenhou no executivo municipal”, acrescentava o comunicado.

Ao Jornal do Centro, na rubrica Conversa Central, Almeida Henriques reforçou que se tratou de uma decisão pessoal que respeitou. “Não escondo que procurei que não o fizesse porque era uma mais valia para a equipa, mas sendo uma decisão pessoal de mudança de vida, aceitei-a”, afirmou. Para o autarca, a demissão é um processo natural. “Estamos com seis anos de funções e do ponto de vista da equipa é a primeira vez que há uma alteração, o que é normal. Está tudo tranquilo e a equipa coesa”, assegurou.

Já nas redes sociais, Joaquim Seixas explicou que a sua decisão resultou de uma “avaliação ponderada que me levou a concluir, por razões de natureza diversa, não ter condições para continuar a exercer as minhas funções na Câmara de Viseu”. “Face às muitas mensagens e contactos telefónicos a questionarem-me se tal decisão estaria relacionada com problemas de saúde, quero agradecer a preocupação e informar que, graças a Deus, estamos todos bem! Aproveito também para agradecer as muitas e amáveis mensagens recebidas, que considero a melhor recompensa pelo serviço prestado ao Município”, lê-se ainda numa publicação que fez no início desta semana.

No final, agradeceu aos “colaboradores da Câmara, juntas de freguesia, instituições em geral e as de solidariedade social em particular, comunidade educativa e científica, agentes associativos e todos quantos comigo colaboraram na difícil, contínua e inacabada tarefa de construção de um Município cada vez mais desenvolvido, seguro, protegido, coeso, pacífico e solidário”.

Mudanças nos pelouros

Joaquim Seixas acumulava as funções, entre outras, nas áreas da ação social, habitação, recursos humanos, proteção civil e polícia municipal. E a renúncia ao mandato aconteceu precisamente uns dias depois do então comandante da Polícia Municipal (PM) ter cessado funções. Diogo Duarte, que regressou já à PSP onde é comissário, estava à frente da PM desde 2014 e tinha sido uma escolha de Joaquim Seixas.

Outra “coincidência” para o “timing” da saída prende-se também com a entrada do vereador Jorge Sobrado na militância social-democrata, uma proposta de Almeida Henriques que tem de ser aprovada pela Comissão Política Concelhia que é liderada por Joaquim Seixas. Há quem advogue que o ex-vereador não terá, também, ficado satisfeito com a possibilidade de não integrar uma eventual lista de confiança de Almeida Henriques num futuro mandato.

O cargo de vice-presidente fica agora para Conceição Azevedo. A vereadora tem, nas suas competências, as áreas do ordenamento do território, urbanismo e ambiente e passa a ter também funções na componente do pessoal e da gestão interna. “Uma vereadora quase a tempo inteiro na Câmara e com menos função de representação”, explicou Almeida Henriques.

Ermelinda Afonso, que se encontrava em sétimo lugar na lista eleita, assumirá um lugar na vereação. E ficará com as áreas do desporto, juventude e defesa do consumidor, até então na responsabilidade de Cristina Brasete que passará a assumir funções nas vertentes social e proteção civil.

João Paulo Gouveia assumirá o lugar que normalmente era de Joaquim Seixas na representação do município na Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões.

As saídas

A demissão de Joaquim Seixas, que se mantém como presidente da Comissão Política Concelhia, acabou por ser surpresa em alguns meios. Os vereadores do PS na Câmara de Viseu dizem ter sido surpreendidos, mas “respeitam” a decisão.

As razões alegadas são de ordem pessoal e os vereadores do PS aceitam-nas. As pessoas saberão de si e respeitamos a decisão que foi tomada pelo vereador e vice-presidente”, declarou a socialista Lúcia Silva.

Já a Concelhia de Viseu do Aliança considerou tratar-se “mais um incidente grave” na governação da autarquia liderada por Almeida Henriques.

Em comunicado, o Aliança, que tem como rosto Pedro Escada que foi militante do PSD, lembra que a demissão de Joaquim Seixas “é mais um sinal do mal-estar que se vive no município, que se reflete não só em toda a sua estrutura e nas entidades que de si dependem, diretamente ou indiretamente, mas sobretudo na sua alarmante (in)ação, esta sim, a verdadeira marca deste executivo”.

A concelhia acusa ainda o executivo camarário de dar “sinais de grande desgaste” e de ter falta de ideias.

Joaquim Seixas foi deputado na Assembleia da República, na XII legislatura (julho a outubro de 2015), e diretor do Centro Distrital de Segurança Social de Viseu, entre 2011 e 2013, altura em que assumiu o cargo de vice-presidente na autarquia.

A demissão de Joaquim Seixas surge oito meses depois do chefe de gabinete de Almeida Henriques ter saído do cargo que ocupava, também por “razões pessoais”, trocando a vida autárquica pela empresarial. Nuno Nascimento, que já acompanhava o presidente da Câmara de Viseu desde que este fazia parte do Conselho Empresarial do Centro, saiu para ocupar um cargo numa clínica em Viseu. No seu lugar ficou Paulo Antunes, que era vereador eleito pelo PSD na Câmara de Oliveira de Frades. Pelo meio, houve ainda a saída de Dora Santana do Gabinete de Comunicação e a troca de Ana Pimentel por Paulo Cardantas como assessor do presidente.  





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