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Centro de recursos guarda e mostra o património arqueológico resgatado em Vouzela

Edição de 14 de junho de 2019
16-06-2019
 

Vouzela vai ter um Centro de Recursos do Património Cultural, um espaço criado pelo município para guardar, estudar e mostrar o património histórico que tem vindo a ser descoberto um pouco por todo o concelho nos últimos anos. O projeto está a ser ultimado e “este ano vai começar a ser executado”, anunciou o presidente da Câmara, Rui Ladeira, na apresentação dos resultados do Estudo do Património Histórico-Arqueológico de Vouzela, uma investigação que arrancou há três anos.

O autarca explicou que esta valência vai ser “determinante” para os vestígios e achados que foram feitos e que são previamente comunicados à tutela, que supervisiona todos os trabalhos de pesquisa e escavações e feitos.

“Se não tivermos condições para que este património fique no nosso concelho ele vai ter que ser entregue à tutela e portanto com este centro estamos a criar as condições [para que o que foi encontrado fique à nossa guarda]”, sustentou Rui Ladeira, acrescentando que o material descoberto poderá depois ser mostrado a todas as pessoas.

“[Pode ser usado] por exemplo para estruturamos os conteúdos da Torre Medieval de Alcofra. Como teremos a guarda desse património rapidamente poderemos colocá-lo em visitação seja a título definido, seja temporário com exposições neste e noutros espaços museológicos”, referiu.

Para além de depósito dos achados, o Centro de Recursos do Património Cultural terá ainda um centro de documentação e arquivo, uma unidade relacionada com arqueologia e um laboratório para fazer investigação e restauro de peças. A valência vai ser instalada na Zona Industrial do Monte Cavalo, funcionado com o apoio da equipa de investigadores envolvida no Estudo do Património Histórico-Arqueológico.

Rotas culturais

Este não é contudo o único projeto que Vouzela tem para promover a sua história e os vestígios da antiguidade, muitos dos quais descobertos depois da tragédia dos incêndios de 2017. A autarquia conta “ainda este ano lançar uma rota cultural ligada ao megalítico”. “Vamos criar um produto, sinalética no local para dizer quais são os monumentos que podem ser visitados. Estará lá a história e este pode ser mais um produto turístico”, revelou Rui Ladeira.

Dezenas de novos achados

O Estudo do Património Histórico-Arqueológico, iniciado em 2016, permitiu identificar em Vouzela um total de 253 sítios arqueológicos, a maioria dos quais (108) mamoas. Foram localizados também dez povoamentos fortificados, 14 templos alto-medievais e seis das nove torres medievais. O período neolítico é o que regista mais achados. O geógrafo Amorim Girão tinha identificado 28 monumentos. Em 2015, havia registo de 45 e três anos mais tarde, após a passagem do fogo, passaram a ser contabilizados 114.

Os resultados finais do estudo serão publicados no próximo ano e darão origem a uma nova carta arqueológica do concelho vouzelense, bem como a um guia e a um plano estratégico para valorizar o património.





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