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Madeira queimada causa alarme em Vouzela

Edição de 8 de fevereiro de 2019
09-02-2019
 

É uma preocupação geral. O executivo municipal de Vouzela teme que ocorra no concelho outra tragédia semelhante, ou até maior, do que aquela registada em outubro de 2017 com os incêndios que devastaram o concelho. Em causa, a madeira queimada que continua por cortar nas serras e em outros espaços que outrora foram verdes e por onde o fogo passou.

O tema foi discutido na última reunião de Câmara (1 de fevereiro), tendo sido levantado pelo vereador do PS António Meneses. “Os nossos terrenos e as nossas serras estão repletos de madeira, particularmente de pinheiro, e de outros tipos, que por lá vai apodrecer, portanto, potenciando o risco de incêndio”, alertou, defendendo que o país não se pode dar ao “luxo” de desperdiçar lenha que é boa.

“É uma vergonha que a madeira queimada não seja aproveitada. Ou não há inteligência, ou não há capacidade ou vontade de aplicar a lei. Numa situação de catástrofe impõe-se que os municípios tenham uma intervenção inteligente, e de alguma forma inovadora, que permita salvar não só o valor que está a ser desperdiçado”, disse.

Para António Meneses, este problema só pode ser resolvido de uma forma: recorrendo a equipas de sapadores florestais, que em parceria com os municípios, juntas e privados, cortariam o material lenhoso. [Isto] possibilitaria que os terrenos fiquem limpos e o armazenamento da madeira nos terrenos dos donos para depois ser vendida e aproveitada”, explicou.

Ajudas em matéria florestal poucas ou nenhumas

O presidente da Câmara de Vouzela, Rui Ladeira, recordou que depois dos incêndios de outubro de 2017 tinha alertado paras os problemas da madeira queimada e da regeneração das espécies, como o eucalipto, sem que lhe tivessem dado ouvidos, em particular o Governo.

Lembrando a calamidade verificada há quase um ano e meio, o autarca do PSD contou que um dos grandes problemas nesta altura é o cadastro, que não foi feito quando devia, ou seja, quando “as estremas ainda eram visíveis”. Agora, com mato e espécies a rebentar, “não se sabe quem são os proprietários” e se estes “autorizam” o corte da madeira nas suas propriedades.

Rui Ladeira sustentou que no próximo inverno a madeira vai deixar de ter valor comercial, sendo por isso urgente encontrar uma solução. Para sensibilizar quem de direito, sugeriu convidar a Associação Nacional de Municípios Portugueses e dos deputados do parlamento a deslocarem-se até Vouzela para constarem no terreno os problemas existentes.

Na opinião do presidente da autarquia vouzelense, não houve problemas nos apoios às pessoas que ficaram sem casa, mas o mesmo não se pode dizer nesta questão florestal e nas ajudas aos agricultores. “A resposta às famílias correu bem. O Ministério da Agricultura, Floresta e Pecuária, foi um fiasco, foi péssimo. Quase não podia ser pior”, lamentou.





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