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"Ventosa não poderá ser esquecida"

Edição de 6 de julho de 2018
08-07-2018
 

A presidente da Junta de Ventosa, no concelho de Vouzela, lamenta a falta de ajudar do Estado às freguesias para fazer face aos prejuízos sofridos nos incêndios de outubro. Segundo Fátima Figueiral, “à partida” não haverá ajudas para estas autarquias. Foi pelo menos isso que lhe disseram numa reunião onde esteve presente na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

A autarca, eleita pelo PSD, não esconde o desagrado com a situação tanto mais que a sua terra, Ventosa, foi no concelho “a mais” fustigada pelas chamas há nove meses, “quer em área ardida, vítimas mortais”, sendo também “certamente onde há mais gente afetada psicológica e fisicamente”. Das oito pessoas que morreram em Vouzela, cinco residiam na freguesia.

“Ainda não ouvi ninguém falar no apoio para as Juntas, para que estas de uma forma igualitária pudessem investir nesta comunidade e potenciar o que temos de melhor: a nossa terra. Dar-lhe um ar bem diferente do que aquilo que se pode ver lá fora. Sem apoios, sem dinheiro, sem recursos humanos, sem meios, voltaremos daqui por uns anos a passar pelo mesmo ou ainda pior”, alertou Fátima Figueiral, na Assembleia Municipal, que decorreu em Ventosa.

“Famílias começam só agora a apresentar sintomatologias”
A freguesia nunca mais será a mesma, depois da catástrofe, registada na noite de 15 para 16 de outubro, realçou ainda a presidente da Junta, salientando que “os momentos vividos naquela noite e nas noites, dias e meses seguintes terão consequências certamente nas rotinas e vidas da população”.

“Ventosa não poderá ser esquecida. As consequências do incêndio foram, são e serão enormes. Casas de segunda habitação, que provavelmente não havendo qualquer tipo de apoio, nunca mais serão reconstruídas, fontanários sem água, fruto de largas extensões de canos queimados e que servem muita da população que ainda não possui água ao domicílio. Estradas cortadas, árvores caídas, falta de sinalização, famílias que psicologicamente começam só agora a apresentar sintomatologias associadas a esta experiência traumática”, argumentou.

A Junta, assegurou, fez o que pôde no auxílio às pessoas e animais e apoiou quem veio ajudar, mas queria fazer mais. Queria reerguer a povoação e apoiar mais os habitantes, faltando para tal “meios” que não chegam aos representantes locais. “Alguém precisa de investir nestas áreas, alguém precisa de saber que as áreas afetadas necessitam que as autarquias locais precisam de apoio pois só assim poderão apoiar quem cá vive”, defendeu Fátima Figueiral.

Invasão de eucaliptos
A reflorestação da área ardida, o abate da madeira, as faixas de segurança em volta das aldeias são temas que preocupam a autarca.

Já os eucaliptos, que estão a renascer das cinzas, e “aos milhares”, andam a tirar o sono ao presidente da Junta de Campia. Carlos Duarte criticou o governo por não tentar controlar e ter uma estratégia para enfrentar este problema. “Nascem milhões de eucaliptos sem se plantar nenhum. O que é que o governo está a fazer para fazer face a esta invasão de eucaliptos que está a nascer naturalmente? É como um leirão de couves. Temos políticos no governo muito bons oradores, mas muito pouco trabalhadores”, lamentou o autarca eleito pelo PSD na última Assembleia Municipal de Vouzela.





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