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Vouzela: "A fauna está totalmente dizimada"

Edição de 21 de junho de 2019
22-06-2019
 

Os efeitos dos incêndios de outubro de 2017 em Vouzela ainda são sentidos, quase dois anos depois da tragédia, e alvo de queixas. O vereador do PS no município, António Meneses, diz que a “fauna dos ribeiros e rios e das florestas está totalmente dizimada”. “Se me dissessem que isso ia acontecer há 30 anos eu não acreditava”, declarou na última reunião do executivo municipal, onde exigiu que a Câmara Municipal interviesse para resolver o problema.

O socialista disse que não há animais nos montes e florestas e deu como exemplos os coelhos bravos e perdizes. Lamentou que apenas “meia dúzia de pessoas que se preocupe com esta matéria”. Nos rios, garantiu, que o cenário é idêntico, chegando mesmo a apontar o dedo a “oportunistas e criminosos” que “vão lançando produtos nas águas” que depois matam os peixes.

“Não nos podemos só queixar do poder central. A gestão do território tem de ser da Câmara. Gasta-se dinheiro se calhar muito mais mal gasto do que na reposição da fauna. Isto é muito importante porque tem a ver com o habitar natural e entretanto não se esqueceram de descarregar predadores e há um desequilíbrio terrível”, argumentou, salientando ao mesmo tempo “o descontentamento (crescente) das populações”.

As preocupações do vereador socialista no pós-fogo não se ficam por aqui. António Meneses que foi também uma das vítimas dos incêndios, continua a queixar-se da falta de apoio e dos bloqueios apresentados pelos técnicos do Ministério da Agricultura a quem tenta apresentar candidaturas para a reposição do potencial produtivo.

“Parece que há um bailarico saloio entre as entidades que estão envolvidas neste processo e começa a haver pouca paciência. Sou parte interessada nessa matéria, uma vez que foi gravemente atingido por toda esta calamidade, e tenho tido um tratamento anedótico do projeto”, referiu, exigindo saber se a maioria PSD está acompanhar de perto este processo como tinha prometido.

“Aponto esta preocupação”

Na resposta, o vereador Pedro Ribeiro disse que foi pedido aos serviços um levantamento de todos os agricultores lesados pelas chamas. Já o vice-presidente da autarquia informou que ia tentar inteirar-se do dossiê. Carlos Lobo pediu igualmente a António Meneses para concretizar a denúncia dos criminosos que poluíam os rios, mas o socialista não apontou nomes, dizendo apenas que desde pequeno ouve determinadas histórias.

Quanto à ausência da fauna, Carlos Lobo reconheceu o problema, mas garantiu que a Câmara Municipal tem ajudado algumas associações de caça e pesca nessa matéria. O responsável assumiu também que existe um desequilíbrio entre predadores e presas e que já levou a que se registassem alguns ataques até na vila de Vouzela. “Aponto esta preocupação, que é uma preocupação de todos”, sustentou, acrescentando que este problema resulta também das alterações climáticas.





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