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Vouzela: atividade mineira "merece" museu, defende investigador

Edição de 7 de junho de 2019
08-06-2019
 

O medievalista Manuel Luís Real defende que deveria ser criado em Vouzela um museu dedicado à exploração mineira, uma atividade que durante séculos animou a economia local e que contribuiu para a fixação de população no território.

Esta ideia foi apresentada ao Jornal do Centro pelo investigador na véspera de serem apresentados os resultados do Estudo do Património Histórico-Arqueológico do concelho vouzelense, que serão relevados este sábado (8 de junho) numa sessão que decorrerá do auditório municipal. A investigação arrancou em 2016 e envolveu outros especialistas como Catarina Tente, medievalista e docente da Universidade Nova Lisboa e António Faustino de Carvalho, historiador e docente da Universidade do Algarve.

“É de sublinhar a grande importância que a atividade mineira teve em Vouzela. Este é um dos sectores identitários e que é preciso tentar recuperar informação e vir a musealizar a história multisecular relacionada com essa atividade”, diz Manuel Luís Real.

Segundo o coordenador do estudo, a riqueza dos solos do município vouzelense despertou desde os primórdios dos tempos o interesse do Homem. As escavações realizadas na zona do Monte da Senhora do Castelo permitiram confirmar “a grande importância de Vouzela na idade do bronze, dada a riqueza em estanho do subsolo”. “Foram visitados vários castros conhecidos e encontraram-se alguns inéditos e Vouzela é mesmo dos concelhos que tem maior densidade de povoados da idade do bronze na Beira Alta”, explica, adiantando que estão identificados mais de 120 monumentos megalíticos.

Os minerais também levaram os romanos para o território onde está hoje localizado o concelho vouzelense. Manuel Luís Real conta que o estudo feito nos últimos três anos permitiu fazer “revelação interessantes sobretudo ligadas à mineração”. “Na Senhora do Castelo verificamos uma série de explorações, algumas poderão remontar a esse período e encontrámos pontos que deviam estar a controlar o couto mineiro de Vouzela. [Foram encontrados também coutos] em Vilar e em Queirã, onde no interior do povoado foi criada uma plataforma, com uma muralha que é notável e que deve estar ligada a este período de exploração de estanho e ouro que houve em Vouzela no período romano”, avança.

Uma torre desapareceu para sempre

A Idade Média também foi analisada na investigação. Para além da pesquisa bibliográfica, foram também feitos trabalhos de campo. Um dos principais focos do grupo de estudiosos passou por encontrar as torres medievais desaparecidas. O concelho tem três que se mantém de pé: Alcofra, Cambra e Paços de Vilharigues. Encontraram-se vestígios e “elementos inéditos” das torres que terão existido em Loumão e Sacorelhe, mas da de Bandavises, nem sinal. “Não encontramos vestígios materiais dela”, explica o medievalista.

A pesquisa no terreno ainda não acabou. Na próxima semana os investigadores deverão “iniciar escavações em Ventosa, onde terá havido uma aldeia medieval”.

Centro de recursos de património cultural

O trabalho ainda não chegou ao fim. Há ainda muito para analisar e descobrir. Só os incêndios de outubro de 2017 colocaram a descoberto vários vestígios arqueológicos desconhecidos. O que foi encontrado com “a desgraça” e as peças resgatadas durante as escavações deverão integrar o Museu Municipal ou o futuro centro de recursos de património cultural que a Câmara de Vouzela quer criar. A valência terá um centro de documentação e arquivo, uma unidade relacionada com arqueologia e um laboratório para fazer investigação e restauro de peças.





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