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Vouzela: Montis angaria milhares de euros para comprar e gerir terrenos

Edição de 31 de maio de 2019
01-06-2019
 

A Mont is – Associaç ão de Conservação da Natureza, sediada em Vouzela, conseguiu angariar 30.618 euros na mais recente campanha de crowdfunding levada a cabo, numa operação de financiamento coletivo que foi aberta com vista à compra de terrenos nos concelhos de Vouzela e de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra.

“É a maior campanha alguma vez financiada em Portugal através de crowdfunding, se excluirmos as duas campanhas da greve dos enfermeiros, que são campanhas especiais. Com o que recebemos vamos comprar cerca de cinco hectares em Pampilhosa da Serra e três hectares e meio em Vouzela, e iniciar a sua gestão”, explica Henrique Pereira dos Santos, o presidente da Montis.

Com a maioria do dinheiro amealhado, e que foi doado por 313 pessoas, a Associação de Conservação da Natureza vai tratar da parte burocrática em relação à compra das parcelas, sendo que este processo “está mais adiantado num caso e menos noutro”. “Mas é o tempo normal de uma escritura”, sublinha Henrique Pereira dos Santos, adiantando ainda que “as intervenções nos terrenos irão começar quando houver oportunidade”.

Esta foi a quarta campanha de crowdfunding promovida pela Montis. A primeira também serviu para comprar terrenos. Na altura, foram pedidos 12 mil euros, mas a organização conseguiu mais cinco do que tinha pedido. A segunda serviu para lançar um programa de voluntariado, que juntou 17 mil euros, pouco mais do que tinha sido solicitado. A terceira que pretendia usar gaios em ações de reflorestação “mobilizou cerca de 2.600 euros”.

“Modelo de gestão de muito baixa intensidade”

Os espaços florestais geridos pela Montis “arderam quase todos, uns em 2016, outros em 2017, com exceção de cem hectares em Carvalhais, S. Pedro do Sul que têm estado a ser geridos com recurso a fogo controlado e outro tipo de intervenções que têm como objetivo aumentar a diversidade e a presença de matas autóctones”. “Nos terrenos que agora comprámos, em especial em Pampilhosa da Serra, existem eucaliptais abandonados que tencionamos transformar em matas autóctones, com tempo”, refere o dirigente da Associação de Conservação da Natureza.

Henrique Pereira dos Santos salienta que “o modelo de gestão” promovido pela organização “é de muito baixa intensidade” pelo que “os resultados serão, forçosamente, lentos”. “Mas já existem resultados muito promissores e indícios de que é possível que o modelo de gestão que trazemos para as nossas propriedades possa ser útil como contribuição para resolver a ausência de gestão de terras marginais, criando mais diversidade, quer biológica, quer quanto à forma como o fogo está presente na paisagem”, conclui.





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