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Vouzela: Reversão de lotes na Zona Industrial de Queirã acarreta pesada herança

Edição de 17 de maio de 2019
18-05-2019
 

É uma reversão polémica. O município de Vouzela acionou o direito de reversão de dois lotes no Parque Empresarial de Queirã, terrenos que tinham sido vendidos a uma empresa que entretanto abriu falência. O problema nesta operação, que já foi feita várias vezes pelo município, é que as duas parcelas em causa foram alvo de várias penhoras e entretanto saíram “oneradas em centenas de milhares de euros”.

“Os prédios saíram do município, virginais, puros, mas não regressam assim. Quando é acionada a reversão eles voltam para o município, mas trazem essa artilharia (ónus), alerta António Meneses, vereador do PS na Câmara Municipal.

Para o socialista, a maioria deveria acautelar melhor os negócios que faz, para evitar situações semelhantes no futuro. António Meneses não acredita que o executivo liderado por Rui Ladeira (PSD), quisesse prejudicar os cofres municipais e os interesses do concelho, ainda assim pede “atenção”.

“Quem anda à chuva molha-se, mesmo que compre um guarda-chuva. Esta pressa de industrializar o mais rápido possível e despachar lotes, pode não ter sido boa conselheira e pode causar sérios embrulhos”, defende, salientando a necessidade de analisar bem a saúde financeira das empresas que querem instalar-se no concelho. Para além disso, o município deve tentar descortinar se esses investidores têm dívidas à Segurança Social e às Finanças.

“O foco é criar emprego”

O presidente da Câmara garante que a maioria tem “comprado os guarda-chuvas todos” e adotado com uma “postura cautelosa” na alienação dos terrenos nas três áreas de acolhimento empresarial do concelho. No caso concreto dos lotes, que agora reverteram para o município com um ónus de pelo menos 300 mil euros, Rui Ladeira explicou que estava previsto instalar-se nas parcelas uma empresa de Viseu e que agora está em processo de insolvência, afastando qualquer polémica.

“Quando acolhemos investimento tentamos procurar a credibilidade do negócio e termos as condições para acolher o investimento. Em todo este percurso procuramos ter as cautelas possíveis. Estamos a procurar captar oportunidades de emprego, é isso que nos é pedido, é essa a nossa convicção, e está a haver resultados positivos”, diz, acrescentando que “no meio de dez ou 20, pode haver um ou dois [casos]” em que as coisas não correram “tão bem” quanto o desejado. “São as vicissitudes que tentamos minimizar. O foco é criar emprego, riqueza e qualidade de vida para a nossa comunidade e para quem vem para Vouzela”, afirma.

Segundo Rui Ladeira, este caso dos terrenos revertidos na Zona Industrial de Queirã está agora nas mãos da justiça. O município diz que vai tentar procurar ultrapassar estas “duas pedras na engrenagem”, aguardando “decisões do quadro jurídico e das finanças”.





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