A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Hugo Sousa: "Quem impõe limites ao humor é o próprio humorista"

hugo sousa, mirita casimiro, humorista, comédia,
 

Entrevista a Hugo Sousa, humorista


18-10-2018
 

Hugo Sousa está no Auditório Mirita Casimiro, em Viseu, esta sexta-feira, dia 19 de outubro. O humorista promete uma hora e um quarto de muitas gargalhadas ou não fosse um espetáculo “maturado” e cheio de peripécias que aconteceram na vida de Hugo Sousa. O comediante esteve à conversa com o Jornal do Centro e abordou os limites do humor e o movimento “Je suis Charlie”, a centralidade de Lisboa e a falta de oportunidades no resto do país e houve ainda tempo para abordar a sua carreira.

O espétaculo chama-se “Maturado”. O que foi preciso maturar para fazer um espetáculo como este?

Basicamente no caso dos espetáculos de standup temos de lhes dar um nome que ao mesmo tempo diga tudo e não diga nada. Abordamos sempre vários temas e lembrei-me de dar este nome porque efetivamente gosto de carne maturada e por outro lado também já estou numa idade em que já estou a ficar um bocado maturado. E eu no espetáculo falo muito de coisas que me aconteceram, coisas que aconteceram aos meus amigos e falo da minha experiência. Então fiz essa associação que achei engraçada.

O Hugo, na descrição do espetáculo, refere que vai contando episódios que certamente não vão deixar a sua mãe orgulhosa. Mas vão fazer-nos rir. À sua mãe, certamente que não...

(risos). A minha mãe está sempre a dizer-me: “Ó filho tu expões tanto a tua vida. Porque é que tu contas essas coisas”. (risos). O único objetivo do espetáculo é fazer rir. Tudo o que eu lá digo não tem mais nenhum objetivo que não o de fazer rir. Eu não me importo. Também é uma maneira de as pessoas saberem o que se passou comigo.

Uma piada tem algum limite?

Quem decide isso é o próprio humorista. Até onde está disposto a ir. Há humoristas que não gostam de esticar muito a corda, outros que gostam. A malta já sabe que quanto mais longe for sabe que “perde” gente mas também pode “ganhar” público. Se deve haver limites? Acho que não.

Então aderiu ao movimento “Je Suis Charlie”?

As pessoas quando isso aconteceu não sabiam muito bem o que é que isso significava. As pessoas achavam que ser Charlie era apoiar quem morreu na altura. Mas “Je Suis Charlie” é muito mais do que isso: é liberdade de expressão. Há a Lei. E há coisas que a Lei não permite que uma pessoa diga ou faça. Mas sendo humor pode dizer-se praticamente tudo. O humor não é o mundo real. Alguém que diz uma piada não é necessariamente exprimir a realidade. É só uma piada, não é o mundo real.

E limites para o benfiquismo aí no Porto? Há?

Sendo eu benfiquista no Porto... Tem que haver limites. Aprendi desde pequeno a não falar alto, a festejar as vitórias trancado em casa, a não abrir champanhe na varanda porque se não posso levar com pedras, a estacionar o carro na garagem sempre que o Benfica ganha... Desde miúdo foi algo que aprendi como se faz!





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT