09 Ago
Viseu

Cultura

Imagoteca Municipal de Viseu marca Dia Internacional dos Museus

por Redação

16 de Maio de 2020, 08:30

Foto Igor Ferreira

Imagoteca Municipal de Viseu é o novo projeto do Museu de História da Cidade

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O Museu de História da Cidade lança um projeto estruturante na sua missão no Dia Internacional dos Museus (18 de maio): “Imagoteca Municipal de Viseu e do Museu de História da Cidade”.

“É um acervo fotográfico, cinematográfico e de outros elementos de imagem como cartazes, postais ilustrados, da cidade de Viseu com interesse histórico baseado num convite público à população, associações, empresas e instituições da cidade e do país”, começa por desvendar Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Viseu.

Está a ser lançado um convite a todos os residentes, visitantes, turistas e entidades que disponham de bancos de imagens, fotografias avulsas, filmes ou outros elementos testemunhos históricos de Viseu e tenha um valor documental a participar naquele que será um projeto a “alimentar” ao longo do tempo. “É uma boia de salvamento à memória visual de Viseu”, aponta o autarca.

Constituir um acervo que seja uma “espécie de puzzle visual da cidade” com um espaço de tempo entre os século XVIII e XX é o objetivo. “Os próprios serviços e museus municipais e entidades da cidade estão a aderir a este projeto”, diz Jorge Sobrado. “[Queremos] retirar do esquecimento de arquivos mortos, pessoais ou departamentais do município todo esse acervo de imagens que documentam, narram e testemunham a história e transformação de Viseu”, adianta.

A Imagoteca está a ser pensada desde o início deste ciclo autárquico. “Entendia-se que o Museu de História da Cidade tem também uma relação direta com o Polo Arqueológico de Viseu e o desígnio de criar projetos e recursos que permitissem fortalecer aquilo que são os objetos, registos da própria história da cidade. Desde logo identificámos que existe uma espécie de dispersão de memória que estava em risco”, justifica o vereador da Cultura.

A partir desta segunda-feira o Museu Almeida Moreira entrega à Imagoteca Municipal de Viseu a coleção fotográfica particular do Capitão Almeida Moreira.

O mesmo acontecerá com a Viseu Marca que entregará o acervo de cartazes antigos da Feira de S. Mateus para “inventário, estudo, registo e digitalização” que conta com “mais de 200 imagens históricas das décadas de 20, 30 e 40”.

A Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva também tem um papel importante na possibilidade de se avançar com a criação da Imagoteca porque se estão a criar condições na instituição para digitalização documental.

O património fílmico estará a cargo da Cinemateca Portuguesa. “Não tendo o município condições específicas quer para o seu visionamento, salvaguarda e preservação, quer para a sua digitalização, estamos em contacto há vários meses com a Cinemateca Portuguesa e com o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM) para estabelecer um acordo de cooperação”, conta Jorge Sobrado. Desta forma, será a própria Cinemateca a recolher os objetos que “sejam de interesse documental e patrimonial e a proceder ao seu inventário, preservação, digitalização e disponibilização”.

O município de Viseu já entregou à Cinemateca duas bobines de 1965, uma relativa à Feira de S. Mateus e outra relativa à visita presidencial de então à cidade para que pudessem ser preservadas e digitalizadas. Por seu lado, a Cinemateca encontrou no seu arquivo cinco filmes históricos das décadas de 30 até 60 relativas à cidade

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As propostas dos museus municipais

“Há propostas desde a arte contemporânea à fotografia, do cinema à etnografia para um reencontro feliz com os museus municipais de Viseu”, revela Jorge Sobrado.

A Quinta da Cruz vai abrir as suas portas, esta segunda-feira, para visitas à instalação de Pedro Cabrita Reis. “Uma instalação de luz que foi proposta pela Fundação de Serralves no ano em que Viseu celebra a luz do cinema e da fotografia enquanto arte e expressões culturais”, explica o autarca.

As visitas decorrerão entre as 18h00 até à 00h00. Vão acontecer de meia em meia hora, segundo as regras e protocolos definidos e recomendados pela Direção-Geral de Saúde (DGS).

O Museu do Linho de Várzea de Calde reabre a sua agenda de oficinas comunitárias “com toda a segurança e proteção, cumprindo as regras de distanciamento social, higienização dos espaços e proteção individual através do uso de máscara”, garante o vereador da Cultura.

A oficina que marca a reabertura é dedicada às famílias para a construção de máscaras comunitárias onde serão realizadas aplicações de linho de Várzea de Calde.

Também o Museu do Quartzo e o Polo Arquológico de Viseu terão as visitas reativadas.

Os museus municipais estão a seguir as normas do Governo e da DGS para a reabertura das instituições culturais. “Contenção do número dos grupos que participam em atividades coletivas – nos museus de Viseu não podem exceder as oito pessoas –, distanciamento social de dois metros e uso de máscara individual”, são algumas das normas, segundo Jorge Sobrado.

As atividades, visitas guiadas e programadas de grupo vão ser realizadas por marcação prévia através do Facebook dos museus de Viseu ou contactos de e-mail e telefone.

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Museu Nacional Grão Vasco: “Agora que reabrimos as portas resolvemos convidar aqueles que nunca fecharam as portas”

O Museu Nacional Grão Vasco, fechado desde meados de março, tem uma programação expectante para o Dia Internacional dos Museus.

A primeira novidade é reforço de conteúdos digitais. O “Às Cegas”, projeto em colaboração com o Teatro Viriato, Leonor Barata  e Henrique Amoedo tinha prevista uma sessão no próximo sábado (dia 23). “Não se podendo realizar, a Leonor Barata transformou a sessão em ‘Para Ouvir Às Cegas’. Vamos ter disponível esse conteúdo no nosso site, Facebook e nalgumas salas do museu, pontualmente, ao final do dia”, desvenda Odete Paiva, diretora da instituição.

O projeto “Intimidade” com Alexandre Sampaio foi retomado. “Gravámos um conjunto de revelações e intimidades que foram contadas no Museu Grão Vasco em relação ao que as pessoas pensam ao ver determinadas obras”, explica a responsável.

Outra das iniciativas passa pela criação de um jogo de memória com obras de Grão Vasco e um puzzle com pinturas do século XIX.

Por último, um grupo específico de pessoas foi convidado a visitar o museu ao fim da tarde – os colaboradores da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital S. Teotónio e da Urgência Geral. “Agora que reabrimos as portas resolvemos convidar aqueles que nunca fecharam as portas e nos cuidaram neste período todo. É uma forma também de os homenagear, estar em exclusivo para eles”, explica Odete Paiva.

O museu vai, agora, passar a ter outro tipo de cuidados com equipamentos de proteção individual. “Os nossos vigilantes vão ter todos máscara, a receção vai ter acrílicos de proteção para as zonas da bilheteira e loja. As pessoas da loja vão ter também máscara e viseira”, elucida. “Vamos ter algum reforço do ponto de vista do controlo das entradas. Um segurança estará em permanência porque é obrigatório o uso de máscara dentro do museu”, acrescenta.

Uma das novas medidas é o máximo de 10 pessoas por grupo, pelo menos até ao final do mês de maio. “Depois reavaliaremos com as recomendações nacionais”, diz Odete Paiva.

“Algo que nos tranquiliza é o facto de sermos um museu de arte. Anteriormente já não era possível mexer [nas obras]. As peças não podem ser manuseadas, as pessoas vão apenas ver. Desse ponto de vista acho que é tranquilo para nós”, conta a diretora. “Os vigilantes já, antes, estavam nas salas para que as pessoas não mexessem nas obras. Portanto, vão só continuar a fazer esse trabalho”, adianta.

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Museu de Lamego aposta em programão em simultâneo nas redes sociais

O Museu de Lamego e os monumentos do Vale do Varosa reabrem as portas ao público segunda-feira.

A programação que marca o novo arranque do Museu de Laemgo no Dia Internacional dos Museus passa por acontecer em simultâneo nas redes sociais. “O museu apostou, este ano, numa programação que vai decorrer em simultâneo nas redes sociais pela situação atípica que estamos a viver”, conta Alexandra Falcão, diretora do Museu de Lamego, responsável pelos monumentos do Vale do Varosa.

Da agenda do museu fazem parte a apresentação de uma exposição da mais recente obra adquirida pelo Museu de Lamego, “através de uma doação”, de uma “escultura do séc. XVI que figura S. Lucas”. “Vamos expô-la por um curto período antes de se proceder à intervenção e restauro da peça”, avança Alexandra Falcão. Mais tarde o público terá oportunidade de voltar a ver a mesma peça, mas com o tratamento devido.

“Dia Após Dia” Internacional dos Museus é outra das iniciativas que irá decorrer. “Vai ser uma oportunidade de revisitar, através de registos, os melhores momentos dos 20 anos de comemorações do dia e noite internacionais dos museus em Lamego”, explica a diretora. “Um exercício que pressupõe reflexão acerca dos desafios que têm dado mote aos temas dos dias dos museus e “os desafios que têm sido impostos à sociedade” e também “do modo como os museus se têm posicionado perante os desafios com que todos temos sido confrontados ao longos destes 20 anos”, justifica.

Neste momento especial vão ser incluídos três clipes de vídeos da performance de Alexandre Sampaio “Intimidade” que decorreu na noite dos museus de 2012 no Museu de Lamego, mas que depois passou pelo Museu Nacional Grão Vasco, Museu Marítimo de Ílhavo, entre outros. “Num trabalho de rede vamos divulgar uns clips que evocam essa iniciativa que é passada”, atenta Alexandra Falcão.

Quanto às novas regras sociais, a diretora do Museu de Lamego garante que vão cumprir a sua parte. “Vamos cumprir todas as recomendações e diretivas do Sistema Nacional de Saúde e da Direção Regional de Cultura do Norte, temos o nosso plano de contingência e contamos com a colaboração dos visitantes a quem vamos pedir que façam algumas cedências e que sigam todas as normas”, afirma a responsável. “Mas não deixem de aparecer porque esse é o nosso convite. Temos algumas surpresas preparadas para os visitantes. O primeiro visitante terá uma oferta à sua espera”, deixa no ar Alexandra Falcão.

Qualquer atividade presencial e de serviço educativo estão suspensas, tanto no Museu de Lamego como nos restantes monumentos. “Foram definidos limites máximos para cada monumento e o museu. Nas próprias salas de exposição vai haver limites de circulação de visitantes”, justifica a diretora.

No dia 18 o acesso ao Museu de Lamego e monumentos do Vale do Varosa é gratuito à semelhança dos outros anos. Posteriormente os bilhetes serão adquiridos, na mesma, dentro dos espaços.

Após o Dia Internacional dos Museus, o Museu de Lamego e o Mosteiro S. João de Tarouca manter-se-ão abertos. “Os restantes monumentos como o Convento de Sto. António de Ferreirim, o Mosteiro de Santa Maria de Salzedas e a Capela de S. Pedro de Balsemão irão, para já e até novas indicações, manter-se encerrados”, remata Alexandra Falcão.

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