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Os segredos do rio Paiva e da Serra de Montemuro

Edição de 25 de janeiro de 2019
26-01-2019
 

O Centro de Interpretação e Informação de Montemuro e Paiva, localizado no centro da vila de Castro Daire, pretende funcionar como um espaço de partida e conquista do território.

Na área que serve de receção, o visitante tem o primeiro contacto com o território. Na sala apresentam-se os nove percursos pedestres, através de textos e de um quadro interativo, que o município tem implementado ao longo dos anos, “todos eles com características diferentes, potenciando cada um deles aquilo que mais representa – o território”, começa por dizer Cristina Gomes, responsável pelo espaço.

Ao subir para o segundo piso, não podemos deixar de destacar a parede revestida em burel que tanto sobressai nas escadas. “É com este tecido que se fazem as capuchas. As pessoas que vivem a mais norte do concelho ainda utilizam muito esta capa que é, também, tradicional de Castro Daire”, refere a guia.

Chegamos ao andar superior e entramos na sala com ambiente escuro e intimista, de forma a conceber uma relação entre o presente e o passado, dedicada ao Homem e à sua História.

Aqui consegue-se perceber em que altura o território foi ocupado – há seis mil anos, segundo Cristina Gomes – obrigando-nos a viajar até ao neolítico. Nesta área destaca-se uma réplica da pedra escrita de Lamas. “Este é um penedo (réplica) que existe (o verdadeiro) em Lamas de Moledo e está classificado como imóvel de interesse público”, comenta.

A Igreja da Ermida do Paiva, representada em imagens numa das paredes, é o outro monumento a referir, classificado como nacional. Foi construído no século XII, na zona da Ermida, sobranceiro ao rio Paiva, pelos monges Premonstratenses da Ordem Francesa. “Esta igreja resistiu a uma passagem do tempo, o que não aconteceu com o Mosteiro que estava agregado a esta igreja que era a casa onde viviam os monges. Encontra-se atualmente em ruínas”, afirma a responsável do museu.

Em seguida, entramos na sala que põe em cena o Rio Paiva. Nasce da Serra de Leomil, no lugar de Carapito, em Moimenta da Beira, e tem uma extensão desde a nascente até à foz de cerca de 110km. “Este é um rio que tem imensas potencialidades e tem sido aproveitado pelo homem ao longo dos anos”, refere Cristina Gomes. O grande impacto é criado através de um vídeo projetado numa parede, no qual são apresentadas as tais características que o definem. Para saber mais acerca da biodiversidade do Rio Paiva, basta aceder a uma aplicação interativa com conteúdos alusivos à mesma.

Por fim, chegamos à Serra de Montemuro. Isto é, a sala que a representa. Expostos estão utensílios ligados à agricultura porque Castro Daire é, essencialmente, “rural e na serra ainda se trabalha muito a agricultura e pastorícia”, daí existir o evento da rota da transumância que terminou em 1999, mas que a Câmara optou por recriar. O que de mais fascinante tem esta sala são as inúmeras campainhas artesanais, feitas por um artesão de Cabril, que se colocavam (e ainda colocam) nas coleiras das vacas para que os animais sejam identificados.

Terminamos a visita num pequeno espaço onde se descobre um último segredo – este edifício do séc. XVIII também está ligado ao ‘Amor de Perdição’, livro de Camilo Castelo Branco, porque “seria aqui que viveria Baltazar Coutinho”, remata Cristina Gomes, numa tentativa de apelar à descoberta de um território mágico.





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