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Teatro Viriato apresentou nova programação para comemorar os 20 anos

Teatro Viriato, Viseu, nova programação
11-01-2019
 

A diretora do Teatro Viriato, em Viseu, anunciou na quinta-feira (10 de janeiro) a programação para 2019 onde revelou “muitas estreias”, encomendas e trabalhos únicos em Portugal como o espetáculo “No embalo de José Afonso”, por Júlio Pereira, que decorrerá nos dias 17 e 18 de janeiro.

“Num ano em que se comemoram 45 anos do 25 de Abril, abrimos a temporada com uma encomenda que fizemos ao Júlio Pereira que vai trazer um espetáculo único, montado unicamente para o Teatro Viriato, e vai reinterpretar a obra de Zeca Afonso com convidados de estilos diferentes de música”, anunciou a diretora da instituição, Paula Garcia.

Carlão, Camané, António Zambujo, Sara Tavares e Teresa Salgueiro acompanham Júlio Pereira no “No Embalo de José Afonso…” e a atriz Teresa Coutinho empresta a voz a textos da autoria deste cancioneiro português que também é autor de escrita sobre o feminino e “o tema mulher vai ser uma presença o longo do ano no Teatro Viriato”.

“Uma novidade importante é um novo trabalho ao abrigo da rede Viseu Dão Lafões”, uma rede com os parceiros da região em que, todos eles - ACERT, Cine Clube de Viseu e Teatro Regional da Serra do Montemuro - menos a Binaural, estão há mais anos no território em relação ao Viriato.

“’O Presente de César’ é uma peça de teatro gastronómico onde convidamos o Giacomo Scalisi por toda a relação que temos desenvolvido com ele e onde convidamos jovens atores que estão de regresso a Viseu, a Sofia Moura e o Gabriel Gomes, e o Graeme Pulleyn e o texto é uma encomenda ao Sandro William Junqueira, um original, sobre a região Dão Lafões e os portugueses e esta ideia de ir para o mar”, desvendou.

Outra estreia, com coprodução do Teatro Viriato é o trabalho de Rafaela Santos e de Fernando Giestas, de nome “Engolir Sapos”, uma peça que aborda “a etnia cigana que vive em Portugal e que [está] sempre muito arredada da sociedade, [e] é, no fundo, um espetáculo que fala na exclusão social”.

“Outro tema também recorrente na programação do Viriato é a questão da família e do poder e aí a Sónia Barbosa regressa com uma estreia, ‘Dmitri ou o pecado’, um novo momento do seu trabalho em torno da grande obra dos irmãos Karamázov de Fiódor Dostoiévski”, continuou.

Na vertente internacional, Paula Garcia destacou “três momentos muito fortes”, como o espetáculo “Lähtö”, da companhia WHS, sendo a primeira vez que o Viriato acolhe uma companhia finlandesa, e é em Viseu que se dá a estreia nacional. A obra depois vai ao Centro de Arte de Ovar e ao Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.

“Outra companhia internacional, com uma oportunidade única de ver em Portugal, porque não tenho dados de que venham a mais algum sítio, é a companhia de um dos grandes coreógrafos europeus, o Marcos Morau, da La Veronal, em Espanha, e vem apresentar ‘Voronia’, que fala sobre este estado do mundo que parece estar a cavar novamente o fundo”, evidenciou.

O novo circo é o terceiro momento internacional, “vai ser numa tenda, será a última atividade de 2019 e acontecerá em parceria com a Câmara Municipal de Viseu”.

“Sobre este espetáculo ainda não há muito a dizer, mas em memória de um outro que foi espantoso e muito bom, com muito público, vai regressar um espetáculo do novo circo, em tenda” no Campo de Viriato.

A programação de ópera do Met, em Nova Iorque, mantém-se no Teatro Viriato, através das transmissões dos espetáculos. “Adriana Lecouvreur” é o espetáculo que se segue, já este sábado a partir das 18h00.

“Carmen” (2 de fevereiro às 18h00), “La Fille du Régiment” (2 de março às 18h00), “Die Walküre” (30 de março às 17h00) e “Dialogues des Carmélites” (12 de maio às 16h00) completam a agenda dos espetáculos transmitidos via satélite que vão prolongar-se por mais cinco meses.

Paula Garcia reclama novo modelo de apoio às artes

Ainda no dia de ontem, Paula Garcia reclamou um novo modelo de financiamento para as artes. Depois dos cortes no último concurso de atribuição de apoios, realizado no ano passado, a diretora do Teatro Viriato afirmou que o modelo, alicerçado na criação artística, tem de ser reformulada a pensar nos teatros.

“O Teatro Viriato e o Centro Cultural de Vila Flor [distrito de Vila Real] não podem ser os únicos teatros praticamente financiados pelo Governo central. Eu acho que é muito pertinente e o Governo pode aproveitar os 20 anos do Teatro Viriato para pensar sobre uma estratégia de financiamentos aos teatros a nível nacional”, sustentou.

Quanto à comemoração, Paula Garcia revelou que a prenda que o Teatro Viriato gostava de receber nas 20 primaveras era que o público continuasse a estar ao lado do projeto. “É ter a consciência de que é importante uma casa a afirmar-se com 20 anos de programação regular e que isso não acontece em todas as cidades do país, nem em todas as capitais de distrito, e ter a consciência de que Viseu tem um projeto que deve ser acarinhado e respeitado”, acrescentou.

Também presente na apresentação da nova programação esteve o vereador da Cultura da Câmara de Viseu, Jorge Sobrado. O autarca defendeu que o aniversário do Teatro Viriato é um “marco”.

“2019 é um ano especial e não poderia ser de outra forma. Completam-se os 20 anos da devolução do teatro municipal para a cidade, a sua região e o país. São um marco do nascimento de um pólo da cultura que tem um modelo de gestão singular, é relevante fora de Lisboa e do Porto e soube adquirir um estatuto nacional e, em certas expressões, mesmo internacional”, afirmou.

Jorge Sobrado adiantou ainda que a própria autarquia fará uma sessão comemorativa desta efeméride que, garantiu, será “mais do que um ritual solene”. “Será um ato de reflexão e prospeção a lembrar o passado, mas sobretudo a pensar no presente e no futuro. Para esse ato, já estão convidados os principais protagonistas destes 20 felizes anos”, rematou.

Esse encontro dos protagonistas artísticos e políticos do Teatro Viriato está marcado para 28 de janeiro.

Teatro Viriato comemora o aniversário com outros artistas e grupos da mesma idade

Paula Garcia disse ainda que “está na altura de questionar qual é a responsabilidade desta casa” que conta com outros artistas “da mesma idade” para presentear o público em 2019.

“Uma das preocupações que o Teatro Viriato começa a ter é que durante 20 anos fez um trabalho com um público jovem e há muito desse público que foi estudar e que está de regresso com uma formação específica nas artes performativas e eu pergunto: qual é a responsabilidade do Teatro Viriato para com estes jovens artistas que estão de regresso à cidade e que se querem fixar na cidade e qual é a responsabilidade de uma casa como esta?”, disse a diretora, Paula Garcia.

Num momento de balanço, mas sem o querer fazer, a diretora questiona a própria programação que “é muito regular e intensa, quase todos os dias as salas de ensaio, o estúdio, está esgotado com artistas” e “o sentimento é que tudo isto está a ser muito efémero”.

“Eles chegam, montam o espetáculo, apresentam-no e no dia a seguir vão embora e eu pergunto-me se não está na altura, ao fim de 20 anos, de o Viriato começar a pensar uma estratégia de fixação dos artistas na cidade durante mais tempo, ou seja, quando eles vêm não fazem um nem dois espetáculos, mas têm que fazer quatro ou cinco e a cidade tem de começar a aguentar esta fixação mais prolongada dos artistas”, desafiou Paula Garcia.

Uma mudança que, no seu entender, “obriga a programar menos e com menos diversidade e isso é um problema, como há poucos teatros, como não existe ainda em Portugal uma estratégia de programação para teatros a nível nacional, a nível governamental, há uma pressão enorme sobre uma casa como é o Viriato”.

“Se nós vamos dar mais tempo ao artista na casa, vamos programar menos artistas e a pressão vai ser ainda maior, a pressão já é muita, mas vai ser ainda maior, por isso, esta tomada de decisão, talvez, tenha de acompanhar uma decisão governamental, isso era o ideal”, referiu.

A par do aniversário do Teatro Viriato estão outras instituições e artistas que também comemoram 20 anos e, por isso, vão marcar o ano com estreias em Viseu, como é o caso da Companhia Paulo Ribeiro que “é uma estrutura indissociável do Teatro Viriato”.

Vai assinalar duas décadas de existência com “dois momentos e duas estreias”, sendo que o primeiro é, igualmente, uma encomenda, porque “seria muito bom que a partir da dança, do corpo se pudesse refletir a ideia de um acontecimento destes últimos 20 anos”.

“Acontecimentos sociais, políticos, culturais, como é que o corpo mostra e coreografa e conta a ideia do acontecimento, como é que o corpo se manifesta no acontecimento, como é que o corpo se comporta, como é que coreograficamente se pode pensar esta ideia de 20 anos de um corpo que traduz um acontecimento”, explicou.

Para isso foi convidado o corógrafo Luiz Antunes que “tem acompanhado o percurso do Viriato e já apresentou em Viseu o seu trabalho”, e depois há uma segunda estreia, em setembro, com os coreógrafos São Castro e António Cabrita.

“Será uma coreografia para uma obra musical, o ‘The Late String Quartets’, de Beethoven, e a música será ao vivo com o Quarteto de Cordas de Matosinhos, que é fabuloso, e estou muito feliz por estar ao vivo na estreia e penso que vai continuar depois na tournée”, avançou.

Os Drumming fazem 20 anos e convidam Joana Gama e Luís Fernandes para apresentar um trabalho que, para eles, também é de 20 anos de atividade “e tem o grande Miguel Bernart que acompanhou o trabalho” em Viseu.

Por seu lado, Vera Mantero abre a “New Age, New Time” (ciclo de dança contemporânea portuguesa) com “uma peça altamente simbólica no seu percurso, ‘comer o coração em cena’, uma peça de Rui Chafes que é um privilégio ter a sua presença na programação” deste ano no teatro.

Também com 20 anos de existência está o Sete Lágrimas, “um grupo de música que nunca esteve no Viriato e tem uma grande tournée internacional, é um grupo de música barroca e tem uma crítica absolutamente incrível de extrema qualidade”, defendeu Paula Garcia que não quer soprar velas.

“Nunca fomos de celebrar o dia mundial disto, daquilo e dacolá, nunca foi uma preocupação, porque todos os dias se tem de celebrar a presença dos artistas na sociedade e então a celebração é contínua, sobretudo quando olhamos para o panorama nacional com tantos teatros fechados e sem uma estratégia de atuação que Viseu tem aqui motivos de sobra para festejar todo o ano”, defendeu.

Ao fim de 20 anos, lembrou Paula Garcia, o Teatro Viriato tem uma companhia residente (Paulo Ribeiro), artistas associados, artistas residentes e um grupo residente (Dançando com a Diferença de Viseu), um dos projetos mais recentes da casa.





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