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Ameaças de morte em discussão entre treinadores

Edição de 14 de março de 2019
15-03-2019
 

O jogo que se realizou a 27 de janeiro de 2019 está na memória do presidente da Sampedrense. Nuno Cunha acusou o treinador do Castro Daire, Xando, de, durante o jogo, insultar o técnico da Sampedrense, João Bento, de forma recorrente, e que no final foi até ameaçado de morte.

“Virou-se para o meu treinador e disse que se ele continuasse a falar, ia ao carro buscar a arma que tinha na mala e o matava”, contou ao Jornal do Centro. No seguimento da discussão, João Bento terá respondido ao treinador do Castro Daire e o árbitro da partida decidiu pela expulsão dos dois treinadores, uma decisão da qual o dirigente da Sampedrense discordou. “Claro que depois de uma ameaça destas, o Bento teve de responder”, justificou.

João Bento, treinador da Sampedrense, contactado pelo Jornal do Centro, subscreve as palavras do presidente do clube, mas esclarece que, apenas no final da época, dará pormenores sobre a situação. Contudo, explicou que a GNR, presente no jogo, “ouviu tudo o que foi dito e dirigiu-se até ao treinador do Castro Daire. Só não sei é se o identificaram”, referiu.

A GNR confirmou que ainda não foi apresentada qualquer queixa sobre a partida mas reforça que pode ser apresentada até seis meses após o ocorrido, ou seja, até julho deste ano.

Xando, treinador do Castro Daire, disse não querer falar sobre um caso que considera “não ter sido bem assim” e explicou que num jogo de futebol os “ânimos estão naturalmente levantados”.

O presidente do clube de S. Pedro do Sul deixou também críticas à Associação de Futebol de Viseu (AFV). Nuno Cunha disse ter remetido o caso para esta entidade mas, segundo o presidente, “não foi tomada qualquer medida em relação a isso”. “Nós tentamos até agora dialogar sempre com a AFV e o único feedback que nos deram foi o de surpresa sobre o caso, argumentando que não sabiam do atrito entre o Xando e o João Bento”. E continuou: “além de não terem feito nada, as coisas continuam de mal a pior. É demasiado grave isto”.

Acusações que são rejeitadas pelo presidente da AFV, José Alberto Ferreira, que começa por dizer que “o pedido apenas chegou cá no dia 12 deste mês (terça-feira). Até agora não tivemos nada formal”. O dirigente assumiu, no entanto, que “existiram alguns desabafos telefónicos”, mas que não pode falar sobre assuntos que são tratados oralmente. “Agora um pedido formal é outra coisa e essa questão já está tratada. Vamos analisar tudo e, se houver motivo, este assunto vai ser remetido para o conselho de disciplina”, rematou. Mas a polémica em torno deste jogo não termina aqui. O presidente da Sampedrense destacou também a atitude “lamentável” do árbitro e refere que este “ é um de vários exemplos”.

Árbitros debaixo de fogo

Estalou o verniz entre árbitros e equipas da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Viseu. Nuno Cunha, presidente da Sampedrense, em declarações exclusivas ao Jornal do Centro, expõe casos de arbitragem que considera estarem a “estragar o futebol distrital”.

Nuno Cunha explica, indignado, que no jogo da Sampedrense contra o Castro Daire, “o árbitro Diogo Ferreira podia muito bem ter expulsado logo o treinador da equipa adversária depois de ter feito uma ameaça de morte ao meu treinador. Mas não, preferiu esperar pela reação do João Bento e expulsar os dois. Não faz sentido. É óbvio que qualquer pessoa reage a este tipo de palavras”, refere.

O presidente diz, ainda, que o árbitro prometeu tomar medidas. Contudo, explica, “o nosso treinador levou 14 dias de castigo, que equivalem a dois jogos, e o treinador do Castro Daire, que fez todas aquelas situações, levou 20 dias que também só equivale a dois jogos”. “É impressionante”, refere. Nuno Dias realça que o árbitro “nada fez também quando, no golo do empate do Castro Daire, o Xando, já expulso, correu para dentro do campo para festejar com os jogadores”. “O mais engraçado é que eu estava junto à linha lateral para fazer uma substituição, porque o treinador, que já estava fora do campo, me pediu e perguntei ao árbitro se achava aquela situação normal. Resultado? Fui expulso”, queixa-se o presidente.

Mas as queixas por parte da Sampedrense não se ficam por aqui. Nuno Cunha reclama dos árbitros que, em algumas situações, tomam decisões, muitas delas que passam por expulsar treinadores e atletas, “quatro e cinco minutos depois de as coisas terem alegadamente acontecido”. Classifica como impensável a atitude das equipas de arbitragem que, diz, “funcionam muito à base de influenciação”. Dá também como exemplo, o episódio de um jogador que ficou caído no chão depois de uma alegada lesão.

Conta Nuno Cunha que a claque do clube do jogador convenceu o árbitro de que o atleta estaria inanimado e, por isso, a precisar de assistência. Acreditado nas palavras dos apoiantes, diz o presidente, o árbitro mandou parar o jogo e expulsou o jogador da Sampedrense no momento em que chega junto do atleta lesionado. “ O curioso disto”, continua, “é que mal o cartão vermelho é mostrado, o tal atleta, até então a precisar de assistência porque estava inanimado, levanta-se e começa a correr normalmente, não tendo sido necessária sequer a entrada de nenhuma equipa médica”. “O árbitro vê isto e continua o jogo como se nada fosse”, lamenta.

Discordância entre árbitros durante o jogo na origem da revolta

Além de Nuno Cunha, mais clubes manifestaram descontentamento ao Jornal do Centro com a arbitragem presente nos jogos. Argumentam que os árbitros apresentam demasiadas discordâncias em pleno jogo e acabam, em várias situações, por serem tomadas decisões que resultam em erros gravíssimos. O presidente da turma de S. Pedro do Sul vai mais longe e dá exemplos concretos onde árbitros principais e árbitros assistentes não têm a mesma opinião por várias vezes. “Ainda no jogo contra o Lamego, houve um remate e o fiscal de linha levanta a bandeira a assinalar fora de jogo. O árbitro vê a bandeira levantada e diz que não é. Eu pergunto o que é que está então um árbitro de linha a fazer no jogo?”.

O presidente da Sampedrense refere que grande parte dos árbitros “chega aos jogos exaustos”, porque no mesmo dia fazem vários jogos. Nuno Cunha assume não compreender o motivo. “Ou há falta de árbitros e por isso são delegados para vários jogos no mesmo dia ou, então, eles querem ganhar mais dinheiro e fazem-no por isso”, refere o presidente. Uma atitude que outros clubes da região também subscrevem. “Houve jogos em que chegava à beira do árbitro, antes do apito inicial, e eles já tinham gasto duas ou três caixas de pomadas para dores musculares, porque já não aguentavam com as dores”, contam alguns deles. Situação que para o dirigente da Sampedrense é prejudicial para todos. “Os árbitros saírem de um jogo sub-15 e começarem a arbitrar um dérbi da Divisão de Honra não funciona”.

Para Nuno Cunha, “o que tem acontecido é uma falta de respeito não só connosco mas com todos os clubes. Chega de brincarem com a cara das pessoas”, alerta.

José Alberto Ferreira, presidente da AFV, explicou que este é um tema “ à parte da associação”. “É o Conselho de Arbitragem (CA) que está delegado disso e eu tenho plena confiança neles. Tenho a certeza absoluta que o CA toma as melhores decisões relativamente à nomeação dos árbitros”, refere.

O Jornal do Centro contactou o Conselho de Arbitragem que se recusou a responder ou comentar. Também o núcleo de árbitros da Associação de Futebol de Viseu disse que não comentava o caso, mas fonte adiantou que nesta divisão é normal os árbitros fazerem mais que um jogo por dia, o que acontece em outras associações do país.

Clubes acusam Mortágua de estar a ser beneficiado

É outro dos casos que tem suscitado polémicas entre clubes da associação de futebol de Viseu. Alguns clubes da Divisão de Honra dizem que o campeonato está a ser “entregue” ao Mortágua. Desde mensagens a antever expulsões de jogadores a resultados combinados, dizem que tem havido “facilitismo” para o clube do Sul do distrito. “Houve jogos em que fui obrigado a tirar certos jogadores porque já me tinham avisado com antecedência que eles iam ser expulsos”, contou fonte ao Jornal do Centro.

As queixas das equipas referem-se ainda, por exemplo, ao facto de membros do conselho de arbitragem “colocarem likes nas publicações de golo que o Mortágua publica na rede social Facebook”.

O vice-presidente do Mortágua, Paulo Gomes, mostrou-se “surpreso com a acusação” e, em tom de ironia, diz que “se fosse dia 1 de abril eu até aceitava porque percebia que era uma mentira”. “Não faz qualquer sentido isso que nos estão a acusar”, sustenta. Explica ainda que o Mortágua tem ganho os jogos por mérito próprio e que, apesar de um mau começo de época, não significa que o mau momento fosse durar até à ultima jornada. “Ganhamos tudo dentro das quatro linhas, e não andamos aqui a enganar ninguém”, justifica o vice-presidente. Garante ainda que o clube está “perfeitamente tranquilo” com as acusações e que tudo não passa de uma situação “que querem imputar ao Mortágua.





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