26 Mai
Viseu

Desporto

Coronavírus: “Não queremos correr riscos desnecessários” - Ricardo Vasconcelos

por Redação

04 de Abril de 2020, 08:30

Foto DR

Entrevista com Ricardo Vasconcelos, natural de Penedono, no distrito de Viseu, a viver em Inglaterra

CLIPS ÁUDIO

03 Abr 2020

Ricardo Vasconcelos, treinador da Seleção Nacional de Andebol da Grã-Bretanha

Ricardo Vasconcelos, natural de Penedono, é treinador da Seleção Nacional de Andebol da Grã-Bretanha. Vive em Inglaterra desde 2014 e treina igualmente a equipa do Nottingham Handball Club. A mulher é enfermeira e está na linha da frente do combate ao novo coronavírus na cidade de Nottingham

 

Como está a viver estes dias por aí por Inglaterra?

Como a generalidade da população… Um misto de alguma apreensão com a esperança de que a situação se vai resolver pelo melhor e com as medidas necessárias a que estejamos o mais protegidos possível. Neste momento estamos fechados em casa e tentamos evitar, ao máximo, os contactos desnecessários. 

Há quanto tempo está parada a Seleção de andebol?

Há relativamente pouco tempo. Estamos parados há duas, três semanas. Até aí mantivemos a atividade normal. Depois, o Governo decidiu optar por uma estratégia diferente da inicial. 

Quais são, agora, as vossas maiores preocupações no que toca à parte desportiva?

As nossas preocupações na parte desportiva são completamente secundárias neste momento. Obviamente que nos preocupamos em acompanhar os atletas dentro das nossas possibilidades e através das ferramentas disponíveis online, principalmente. Temos algumas reuniões, há acompanhamento do trabalho físico, dos aspetos da nutrição e do jogo em si. Tentamos, dentro deste contexto, aproveitar o facto de os atletas estarem em casa sem grande atividade extra para pudermos focar-nos noutros aspetos que, normalmente, não nos focamos tanto. 

Quais são as perspectivas de voltarem, ou não, a jogar?

Em relação a Seleção, as perspectivas para esta época, neste momento, são quase nulas. Não queremos correr riscos desnecessários. É preferível esperar que a situação esteja resolvida e depois tentar programar aquilo que será a próxima temporada. Relativamente às competições internas, o campeonato está a dois jogos do fim. Há a expectativa de que se possam realizar esses jogos, mas tudo dependerá da evolução da situação. Nós [Nottingham] estamos em primeiro com um ponto de vantagem sobre o segundo. E o último jogo do campeonato seria o primeiro contra o segundo, aqui em Nottingham [risos].

A próxima temporada poderá também estar em risco? O que se fala por aí?

Há a expectativa de se terminar esta época antes de julho, o que faria com que a próxima se iniciasse sem qualquer tipo de problemas, mas tudo depende do “achatar” da curva, de quando será o pico e, essencialmente, de quando será seguro retomarmos as atividades normais. A expectativa, neste momento, é de conseguirmos terminar esta época antes da pausa para verão, que será em agosto, e depois estarmos prontos para, no final de setembro, dar início à nova época.

Os atletas estão calmos? 

Os meus atletas são miúdos, na sua maioria, mas estão bastante conscientes do que se está a passar. Mesmo os que não são ingleses estão confinados em casa. Falamos quase diariamente até para nos apoiarmos mutuamente. Está toda a gente calma e a cumprir o que deve ser cumprido neste momento. 

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O Ricardo está confinado em casa, com a sua família?

Eu estou, com os meus dois filhos. A Andreia, minha companheira e mãe dos meus filhos, é enfermeira e está a trabalhar na linha da frente diariamente. 

Tiveram que adaptar algumas rotinas, em casa?

Sim, obviamente que sim. Para nós está a ser um momento um bocadinho complicado ao nível da ansiedade e dos perigos inerentes à profissão dela, pelo contacto próximo que tem, diariamente, com pessoas infetadas pelo vírus. Olhando a isso, adaptamos as nossas rotinas ao nível do contacto entre a Andreia e os miúdos e comigo, claro. Quando ela chega do trabalho, tentamos evitar ao máximo o contacto, tentamos que as roupas e o calçado que usou não entrem em casa e que seja tudo bem desinfetado antes de ela entrar. Resguardamo-nos ao máximo dos possíveis contactos assim que ela chega até estar tudo desinfetado e até ela ter tomado banho e estar, também, em segurança. 

Sai de casa para que situações?

Saio muito esporadicamente. Para dar uma corrida, de dois em dois dias, tento, quando o tempo permite, dar um passeio muito rápido com os miúdos aqui à volta de casa para nos mantermos ativos e também para manter a sanidade. Só mesmo para isso. As compras de supermercado é a Andreia que faz porque eles [profissionais de saúde] têm horários específicos para o pessoal que trabalha no sistema de saúde. Aproveitamos essas horas, em que há muito menos gente, uma vez que estão abertos apenas ao serviço de saúde. 

Tem mantido o contacto com a família que está em Penedono?

Atendendo ao facto de estarmos confinados em casa, o contacto com a família tem aumentado exponencialmente, sinal da preocupação que todo este contexto nos provoca. Falamos várias vezes durante o dia, por skype ou mesmo por telefone. Acompanhamos a situação, tanto daí como daqui, com alguma apreensão, mas ao mesmo tempo com a esperança de que as pessoas estão a perceber que é preciso ficar em casa para se protegerem a elas próprias e aos outros. 

Qual o feedback que nos pode deixar de as pessoas respeitarem, ou não, as medidas por Inglaterra?

É transversal a todos os países. A grande parte da população tem respeitado, mas haverá, sempre, pessoas inconscientes e que, acima de tudo, se julgam invencíveis. A polícia está a fazer o seu trabalho, no sentido de sensibilizar e castigar aqueles que não percebem que este momento é de recato e que temos de nos proteger. 

Além de se manter atento ao que se passa aí, também tem uma especial atenção com o que se está a passar em Portugal?

Sim, claro que sim. Não só por ter aí família e amigos, mas porque é o meu país. Tudo o que acontece em Portugal é de uma importância enorme para nós.

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