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José Junqueiro: “Bruno de Carvalho não tem condições para continuar"

Sporting, Bruno de Carvalho, crise
16-05-2018
 

Várias personalidades sportinguistas de Viseu afirmam que Bruno de Carvalho, presidente do Sporting Clube de Portugal, não tem condições para continuar na liderança do clube. Em causa os episódios de violência que aconteceram esta terça-feira em Alcochete, centro de treinos dos “leões”.
O dia 15 de maio fica assim marcado como um dos mais negros da história do Sporting e do futebol português. Um grupo de 40 a 50 pessoas encapuçadas invadiram Alcochete e agrediram jogadores e equipa técnica.
José Junqueiro, presidente do conselho fiscal do núcleo sportinguista de Viseu, entende que Bruno de Carvalho não tem condições para se manter à frente do clube, depois dos incidentes registados na academia. O ex-membro do conselho leonino não poupa nos reparos à atuação de Bruno de Carvalho.
“Os discursos incendiários que vêm dentro do próprio Sporting tem depois repercussão em pessoas absolutamente acéfalas. O Sporting não é isto, discursos incendiários, atos bárbaros. O presidente do Sporting tem que tirar daqui as devidas conclusões. Ele é o primeiro responsável por isto. Não tem condições de continuar à frente do Sporting”. Para José Junqueiro, Bruno de Carvalho “há muito que não tem condições para continuar a ser presidente do Sporting”.
Fernando Ruas, que apesar de não ser sócio dos “leões”, integrou a comissão de honra de Bruno de Carvalho vê com mágoa o que se passou.
“Vejo com muita tristeza e muita mágoa aquilo que é uma machadada enorme num clube que é um símbolo para todos portugueses, independentemente se são do Sporting, Benfica ou Porto. É uma instituição que muitos se habituaram a admirar, como é o meu caso, e por isso vejo com muita tristeza o que se está a passar”.
Em relação a Bruno de Carvalho, o antigo presidente da Câmara de Viseu acredita que “não há condições para que continue”. “As últimas declarações confesso que não me agradaram nada. Não é forma de conduzir um clube. Vamos esperar mas eu acho que não há condições. Se eu estivesse no lugar dele nem de perto nem de longe pensaria continuar no clube. As instituições não contam só com as pessoas que querem lá estar, por isso é que há órgãos. Não sou associado, sócio, mas se fosse requeria que os órgão funcionassem. Numa análise fria, vê-se claramente que não há condições para o presidente continuar”.
Já o presidente do Núcleo Sporting de Viseu, Manuel Mirandez, classifica como graves as agressões registadas e pede mão pesada para os culpados. “O Sporting foi vítima de um ataque grave, criminoso. Isto já não é um caso de futebol, é um caso da justiça e eu espero que os responsáveis sejam devidamente castigados. Isto não é o Sporting que estamos habituados a ver, com uma história de mais de 100 anos”.
Para Manuel Mirandez, ainda é cedo para falar em demissões já que no domingo há jogo da Taça de Portugal frente ao Desportivo das Aves. “Esta é a hora de dar total apoio aos nossos jogadores e treinadores porque o Sporting está a poucos dias de disputar a Taça. Esta é a mensagem que tem que passar e depois, no final do jogo, na próxima semana, refletir e tomar a melhor decisão que possa servir os interesses do Sporting”.
Hélder Amaral, que pertence ao Conselho Leonino, espera mão dura para os culpados das agressões. O deputado, e também comentador televisivo, considera que o que aconteceu é o rastilho da atual situação do Sporting.
“Vejo [a situação atual] com serenidade e calma porque não sou sportinguista desde ontem. Não sou daqueles que vai pelo caminho mais fácil que é o desabafo, o “bitaite” e o comentário pelo comentário. A situação que se vive no Sporting é o rastilho da circunstância mas é um ato criminoso, de ataque a uma instituição, aos jogadores e à equipa técnico. O facto de se estar descontente não justifica uma barbárie e agressões a jogadores e equipa técnica. Até próprio me sinto agredido”.
Para o comentador este “é um caso de policia”. “Espero que haja mão dura, se forem sócios do Sporting que sejam imediatamente expulsos e espero que o Sporting aprenda, como aprendem todos os países que são alvo de terrorismo, criando medidas.
Quanto a Bruno de Carvalho, Hélder Amaral considera que deve manter-se na presidência do Sporting. “Tem todas as condições para continuar. Começou um trabalho tem que o concluir. Depois dessa conclusão, e essa conclusão pode ser para a semana, teremos que avaliar se a ação dele foi positiva ou negativa, se fez sentido ou não. Depois os órgão sociais reunirão e faremos a avaliação do papel do presidente e de toda a direção. Não posso dizer que tem que sair, amanhã arranja-se um novo presidente que tem que resolver problemas que não foram resolvidos”.
As agressões no Sporting foram criticadas pelo governo, através do secretário de estado do desporto. O viseense João Paulo Rebelo repudiou os incidentes de Alcochete. “Há um repúdio veemente para com atos de violência, vandalismo criminosos como os que ocorreram esta tarde. Quero mostrar solidariedade para jogadores, técnicos e quem foi agredido”, afirmou João Paulo Rebelo, recordando o título europeu de seleções conquistado em 2016 e o orgulho luso na modalidade.
“Estamos a poucos dias da final da Taça de Portugal e o Governo está, juntamente com a Federação Portuguesa de Futebol, a criar todas as condições para que se viva a festa do futebol, do desporto, o convívio das famílias e dos verdadeiros adeptos do futebol e do desporto. É uma missão do Governo, mas que deve ser assumido por todos. No domingo tem de haver uma demonstração clara que futebol é um orgulho nacional”, frisou ainda o secretário de Estado da Juventude e do Desporto.

 

Foto: José Junqueiro, Manuel Mirandez e Hélder Amaral





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