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Viseu

Desporto

“O futebol é bonito... mas com adeptos”

por Redação

21 de novembro de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

A pandemia da Covid-19 trouxe uma nova realidade às vidas das pessoas. A maneira de viver teve de ser repensada e agora são muitas as normas que têm de ser cumpridas, e o desporto não é exceção.

Inicialmente colocado em suspenso, o mundo desportivo começa aos poucos a retomar a sua atividade ainda que com bastantes restrições. Uma das mais notáveis é certamente a falta de público nos eventos desportivos que já se vão realizando por todo o país.

O Jornal do Centro esteve à conversa com alguns atletas para perceber como encaram a falta dos adeptos nos recintos desportivos. Seja no futebol ou no futsal, a resposta é consensual: os adeptos fazem falta, é para eles que os jogadores jogam.

Marcel Ribeiro, capitão do Castro Daire, equipa que milita no Campeonato de Portugal, admite que no emblema castrense se sentiu “uma falta tremenda” do público. O avançado afirma que “a falta de adeptos no Castro Daire é um aspeto fundamental”.

O camisola sete do Castro Daire lembra que tinham “praticamente sempre o estádio cheio, não só em casa, mas também fora”, pois diz que eram “das equipas que levávamos mais gente [para todos os jogos]”.

Questionado sobre a influência que tem um estádio de futebol vazio nos jogadores, Marcel Ribeiro diz “a responsabilidade é sempre outra”. “Quer queiramos quer não, existe sempre uma responsabilidade muito maior com o estádio cheio, ao contrário deste momento que está sempre vazio, e uma pessoa tende sempre a desleixar-se mais um bocadinho”, diz.

Do Campeonato de Portugal vamos até à Divisão de Honra da Associação de Futebol de Viseu (AFV), onde Filipe Sorrilha, melhor marcador do principal campeonato de futebol distrital na temporada passada, partilha da mesma opinião que Marcel Ribeiro.

“[Jogar] sem público é bastante mau. Parece que nem é um jogo oficial, parece que é um jogo de treino. Acho que até nos desmotiva um pouco, não haver aquele ambiente do estádio, porque eu acho que os adeptos é que fazem o futebol e o futebol é bonito em torno dos adeptos”, admite.

Atualmente, a jogar pelo Sátão, Filipe Sorrilha não tem mostrado tanto a veia de goleador como na temporada passada e diz não saber se o facto de não haver adeptos teve influência, ou simplesmente se foi pela mudança.

“Não sei se por aí [pela falta de adeptos], porque cada época é uma época. Este ano também mudei de clube e as cosias estão um bocado diferentes. As coisas este ano não estão a correr muito bem quer a nível coletivo, quer a nível pessoal”, conta.

Contudo, Filipe Sorrilha admite que devido à pandemia da Covid-19 “a cabeça também anda a mil, as preocupações são muitas”, o que tem sempre alguma influência no rendimento de um atleta, por não conseguir estar concentrado totalmente.

O avançado do Sátão não olha para falta de público como uma desculpa para algum tipo de má prestação, seja coletiva ou individual. “Acho que toda a gente gostava que fosse com público, mas não sendo temos de nos adaptar a essa realidade, custe o que custar. Quem gosta de futebol, seja com público ou não, só nos resta trabalhar e jogar de acordo com as regras”, admite.

 

Pelo futsal o sentimento é recíproco

A viver a mesma realidade estão os jogadores de futsal, que vêm os pavilhões vazios. O barulho dos aplausos ou até os incentivos dos adeptos já não ecoam entre as quatro paredes.

Fábio Almeida, guarda redes do ABC de Nelas, equipa que disputa a Segunda Divisão Nacional de futsal, diz que “jogar sem público não me agrada”. O atleta revela que gosta “de sentir que os adeptos, sejam eles nossos [do ABC] ou dos adversários, estão presentes, porque no fundo são eles que apoiam as equipas”.

Quanto à influência que a o público, ou a falta dele, tem nos jogadores, Fábio Almeida garante que “difere de jogador para jogador”. O guardião do emblema nelense conta que “jogar com público me torna mais motivado”, que se sente “mais capaz a jogar com público”.

Fábio diz que, por exemplo, “há jogadores que se sentem mais livres sem o público a apoiar ou a reclamar e se soltam mais para o jogo.

Questionado pelo Jornal do Centro sobre qual a sua opinião se acha que é mais notória a falta de adeptos num estádio de futebol ou num pavilhão onde se joga futsal, Fábio Almeida é claro e explica porquê.

“Acho que se sente mais a falta de adeptos num estádio de futebol. Porque as pessoas gostam mais do futebol do que do futsal e vivem mais esse desporto. Também existem mais grupos organizados (claques) presentes no futebol do que nos pavilhões, o que torna o jogo mais bonito”, explica.

Contra a vontade, ou não, dos atletas, o que é certo é que todos se vão ter de adaptar a esta nova realidade, que parece ter vindo para ficar nos próximos tempos.

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