08 Jul
Viseu

Desporto

Os municípios não a querem receber e a Volta a Portugal pode não ir para a estrada

por Redação

27 de Junho de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

A 82ª Volta a Portugal não vai sair para a estrada nas datas previstas, depois de alguns municípios terem anunciado que não a querem receber. Pos enquanto é apenas um adiamento, mas pode vir a ser um cancelamento, já que não existem novas datas previstas para a realização da prova

CLIPS ÁUDIO

A 82ª Volta a Portugal em bicicleta já não vai para a estrada entre os dias 29 de julho e 9 de agosto, tal como estava previsto. As expetativas criadas pela aprovação dada pelo Governo e pela Direção-Geral de Saúde para a realização da prova sofreram um revés por este adiamento e possível cancelamento da maior prova velocipédica nacional. Esta decisão foi comunicada pela Podium, empresa que organiza a Volta a Portugal, e pela Federação Portuguesa de Ciclismo, num comunicado conjunto. “Com a evolução da pandemia, nos termos propostos na revisão do plano sanitário e tendo em conta as manifestações públicas e particulares de não autorização da passagem e permanência da Volta a Portugal em Bicicleta por diversos municípios integrantes do percurso da prova, as duas entidades concluíram que não se encontram reunidas, por ora, as condições necessárias para a realização da 82ª Volta a Portugal Santander”, pode-se ler no comunicado.

Depois de um largo período de indefinição, a Volta a Portugal tinha recebido luz verde por parte do Governo para sair para a estrada, isto depois de a Direção-Geral de Saúde ter dado parecer positivo ao plano sanitário apresentado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, onde estavam definidas todas as restrições que se iam aplicar à prova de forma a prevenir contágios pela Covid-19. O plano sanitário apresentado continha medidas que se aplicavam às equipas, aos atletas e também aos adeptos.

Pedro Silva, diretor desportivo da equipa Miranda-Mortágua, equipa que está pronta para disputar a prova, disse ao Jornal do Centro que espera que isto não passe de um adiamento, afirmando que “a Volta terá de ser organizada este ano numa data que não foi a primeira opção”. “Poderá ser realizada no mês de setembro, mas este ano terá de haver Volta”, frisou. “Tudo irá ser feito para que a Volta seja realizada em 2020, a nível, penso eu, da organização e a nível da federação. O não haver volta será uma catástrofe para o ciclismo profissional e para o ciclismo em geral”, rematou.

O município de Viseu foi um dos que se mostrou desconfortável com a passagem da prova, algo que o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, afirmou. “Transmiti à organização da Volta, que não me sentia confortável para recebê-la nos moldes habituais, salvaguardando que Viseu tem uma relação umbilical com o ciclismo e quer continuar a receber o evento no futuro. Mas, se o município abdicou da Feira de São Mateus e da Meia Maratona do Dão, não nos sentimos confortáveis para receber a Volta”, explicou ao Jornal do Centro.

A cidade de Viseu iria ser palco da chegada da etapa que antecede o dia de descanso da prova, que iria ser recebido pela cidade. O presidente da Câmara de Viseu reforçou que a quer voltar a receber a prova em 2021. “Nós sugerimos um adiamento. Eu penso que, este ano, não haverá condições. Trata-se de uma sugestão, porque a Câmara quer continuar a ter a Volta, mas a prova sem público não é a mesma coisa”, defendeu.

Para além da Câmara Municipal de Viseu, também a autarquia de Viana do Castelo decidiu barrar a passagem da Volta a Portugal pelas estradas do concelho. Esta foi mesmo a primeira Câmara Municipal a tomar esta posição, apresentando, em comunicado, a “prudência” e o não envio de “sinais contraditórios” à população como motivos que levaram a esta decisão por parte da autarquia.

Para o diretor desportivo da equipa Miranda-Mortágua, o adiamento da prova foi motivado pela posição das autarquias, isto porque passaram a haver “menos locais de partidas e chegadas em relação ao plano A e nunca foi posto em cima da mesa um plano B”. Para Pedro Silva, esta tomada de posição dos municípios prendeu-se mais com a questão política do que qualquer outra, já que “a maior parte cancelaram todos os eventos e agora aceitar a realização da Volta, a nível político e visto que temos eleições para o próximo ano, era bastante difícil manter o compromisso com o organizador da Volta”.

A nível das equipas, o prejuízo que esta decisão vai causar ainda não é certo, isto porque vai depender se a Volta foi apenas adiada ou se será cancelada. “Se for uma decisão só de adiamento o impacto é pouco, embora estivesse tudo planificado a nível de treinos, logísticas, etc., para uma Volta nas datas previstas. Havendo alteração de data não vai influenciar muito, nem vai haver impacto nenhum negativo nem na nossa, nem em nenhuma equipa. Poderá haver se, em vez de ser um adiamento for um cancelamento, e então aí estamos a falar de coisas completamente diferentes”, explicou Pedro Silva.

“O que era importante, de facto, era que a Volta fosse realizada este ano, porque senão vai pôr em risco muitas equipas, senão todas, porque vamos ter pouca capacidade de conseguir renovar as nossas parcerias a nível de empresas, uma vez que a prova que era mais rentável para os nosso patrocinadores não foi realizada”, reforçou.

Depois deste anúncio, todos os intervenientes na prova pedem celeridade nas decisões e um compromisso de que a Volta vá ainda para a estrada em 2020. “Estamos a falar de coisas muito importantes e, de facto, a Federação está a par disso e vai ter que tomar decisões muito rapidamente em relação a esse assunto. O adiamento da Volta não nos esclarece grande coisa, nem nos permite estar aqui com muito à vontade. O que nós queremos é o compromisso real qde que a prova vai ser realizada este ano, isso é o que nós queremos”, rematou Pedro Silva.

 

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts