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Desporto

Tiago Santos quer “voar” mais alto no motociclismo

por Redação

05 de dezembro de 2020, 08:00

Foto NMS

CLIPS ÁUDIO

Num ano atípico, o piloto de Nelas conquistou dois títulos: Vice-campeão nacional de Todo-Terreno e Bi-campeão europeu de Bajas

 

Foi uma boa época?

Foi uma época atípica. Houve algumas incertezas quanto às provas, quanto ao desenrolar do campeonato. Houve uma grande paragem derivado à pandemia. Voltámos com algumas lesões à competição. Foi com bastante sofrimento que fiz algumas provas. Mas no final, foi uma época positiva, o saldo é positivo. Conseguimos o título de vice-campeão nacional e renovar o título de campeão europeu. 

 

Qual a diferença entre Todo -Terreno e Bajas?

Basicamente é o nome que eles definem para o campeonato que altera. Ser campeão europeu de Bajas é ser campeão europeu de Todo -Terreno. O Todo-Terreno definem-se em dois ou três dias de competição em que todos os dias nós temos pelo menos 100/150km que não conhecemos. 

 

Revalidar o título de campeão europeu de Bajas não foi uma tarefa fácil. Conte-nos como correu esta prova em Badajoz?

Acho que vai ser uma prova que vai ficar para sempre na memória. Correu muito bem o primeiro dia, no sábado, consegui liderar a corrida, andar sempre em primeiro à geral até ao último metro. No Europeu é um bocado diferente do Nacional. No Europeu cada dia tem uma pontuação. No Nacional é o acumulado do fim de semana que faz a pontuação final. No domingo, tive alguma dificuldade na navegação, mas correu muito bem. Estava sempre a abrir pista, porque estava sempre em primeiro. Consegui sempre liderar, lidar bem com a navegação. Ia com bastante vantagem quando comecei a ter alguns problemas. A 4km da linha de meta o motor partiu. Acabei por ser rebocado por um piloto que o aceitou fazer, para chegar ao fim. Como se isso não bastasse, tínhamos a ligação depois de cortar a meta, tinha 1 hora para fazer a ligação de 48km até ao parque fechado onde termina definitivamente a prova e a 10km de terminar a policia mandou-nos parar e multou-nos.

Corre com uma mota com menos cilindrada de que aquelas que muitos europeus utilizam para competir. Alguma razão?

O campeonato europeu de Bajas é de cilindrada livre. O que acontece é que muitos pilotos utilizam motas de 450. A única que eu tenho é uma 250 e estou numa fase de progressão e não me deixou nada mal porque durante dois anos consecutivos conseguimos ganhar o campeonato. Não é só a cilindrada que conta, mas também a conjuntura entre o piloto e a mota. 

 

O Tiago não corre de forma profissional. Pensa em vir a competir profissionalmente no futuro?

O desporto motorizado sempre foi a minha paixão. Quando jogava futebol acabei por ter uma lesão grave e foi o que que me fez passar para as motas. Costumo dizer que sou o mais profissional dos amadores. Não vivo disto, pelo contrário, tenho uma despesa, gasto bastante dinheiro com este projeto. O meu objetivo mesmo não é ser profissional, era um o sonho claro, mas tenho os pés assentes na terra. Gostava de conseguir competir sem que gaste dinheiro do meu e ter condições que me possam permitir lutar por outros voos. 

 

 

Com todos os altos e baixos pelos quais passou esta época, como é que mantém uma atitude de resiliência?

Na minha atividade profissional e na minha vida sempre aprendi a lidar com dificuldades e talvez isso me tenhas transformado na pessoa que sou hoje e ser uma das minhas principais armas a minha força psicológica. 

 

Espera uma próxima temporada mais calma do que esta?

Gostava muito de desenrolar uma temporada com menos pressão, com as coisas mais organizadas, com mais condições, até para ver onde poderia chegar a nível de resultados, sem ter a pressão que tenho tido nos últimos anos

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